sexta-feira, 19 de julho de 2013

A revelação básica nas Escrituras sagradas - Witness Lee - Capítulo 6

Capítulo Seis

O REINO
(1)

Leitura da Bíblia: Mt 3:1, 2; 4:17; 10:1, 7; Lc 10:1, 9, 11; 4:43; Mt 24:14; Lc 17:20, 21; Jo 3:3, 5; Mc 4:26-29; At 1:3; 8:12; 19:8; 20:25; 28:23, 30, 31; Rm 14:17; 1 Co 4:17, 20; 6:9, 10; Gl 5:21; Ef 5:5; 2 Pe 1:3,11; Ap 1:9

A IGREJA E O REINO
O plano do Pai, a redenção do Filho e a aplicação do Espírito produzem os crentes, que são os componentes da igreja. Em Mateus 16:18, 19 o Senhor Jesus disse a Pedro: "Sobre esta rocha edificarei a minha igreja, e... dar-te-ei as chaves do reino dos céus" para abrir as portas do reino. Pedro usou uma chave no dia de Pentecoste para abrir o portão aos crentes judeus para entrarem no reino dos céus (At 2:38-42); ele usou a outra na casa de Cornélio para abrir o portão para que os crentes gentios entrassem no reino (At 10:34-48). Em Mateus 16:18, 19 estes dois termos, a igreja e o reino, são intercambiáveis. Onde há a igreja, certamente há o reino. Se há o reino, certamente há a igreja.

UM DIAGRAMA DO REINO
Desde que o reino é um dos mais complexos temas na Bíblia, o diagrama nas páginas seguintes será de grande ajuda para o nosso entendimento. O primeiro e o último círculos do diagrama estão coloridos em amarelo dourado. Ouro significa Deus ou o que é divino. Estes dois círculos repre­sentam a eternidade passada e a eternidade futura. Entre esses dois círculos existem quatro círculos no tempo. O tempo é a ponte entre os dois extremos da eternidade.
A ponte do tempo cobre quatro dispensações: a dispensação antes da lei, a dispensação da lei de Moisés até Cristo, a dispensação da graça e finalmente, a dispensação do reino. Essas dispensações ligam os dois extremos da eternidade.
Os círculos intitulados "A Dispensação Antes da Lei" e "A Dispensação da Lei" estão coloridos em marrom, sig­nificando algo terreno. A dispensação antes da lei refere-se aos Patriarcas e dura de Adão até Moisés. A dispensação da lei refere-se aos israelitas, durando de Moisés até Cristo. (Por favor, reparem nas colunas na parte de baixo do diagrama com as referências bíblicas e explicações.) Da primeira vinda de Cristo até a Sua segunda vinda é a dispensação da graça. Quando o Senhor Jesus voltar para estabelecer o Seu reino nesta terra, este será o reino de mil anos, o milênio, a dispensação do reino. Os círculos intitulados "A Dispensação da Graça" e "A Dispensação do Reino" estão coloridos em azul, significando o reino dos céus. O céu é sempre demonstrado pela cor azul.
O último círculo está colorido em amarelo dourado, mas ele é bem diferente do círculo amarelo dourado da eter­nidade passada. Na eternidade futura está a Nova Jerusalém, a qual é uma composição de todos os santos de todas as dispensações precedentes. Alguns serão dos Patriarcas, al­guns dos israelitas, alguns da igreja, e alguns também do milênio. Todos os santos dessas quatro dispensações estarão reunidos como a consumação final e máxima, a Nova Jerusalém. Em volta da Nova Jerusalém estarão as nações purificadas como os povos do novo céu e nova terra.


A Igreja — Crentes Vencedores e Derrotados
O primeiro círculo azul do quadro é a igreja, a qual é composta dos verdadeiros cristãos. Dentro desse círculo azul está um círculo tracejado também em azul. Este círculo sig­nifica os crentes vencedores, que estão entre as igrejas e pertencem às igrejas. Como cristãos nossa cor é azul. Nós somos celestiais. Estamos na terra, todavia somos celestiais. Um brasileiro, por exemplo, pode estar na África do Sul, mas ele ainda é um brasileiro. Ele é um brasileiro na África do Sul. Hoje estamos aqui na terra, mas não somos um povo ter­reno. Nós somos o povo celestial.
Deus tem escolhido e regenerado milhões de pessoas, mas nem todos acompanharão Deus. Esses se tornam os crentes derrotados. Alguns que foram regenerados cooperam com Deus. Esses tornam-se os crentes vencedores. Entre os crentes, então, existem duas categorias, os vencedores e os derrotados. Muito da disputa com respeito ao arrebatamento é devido à omissão desse ponto. Os crentes vencedores participarão no desfrute do reino milenar, mas os derrotados perderão o alvo.
Em 1 Coríntios 5:1-5 o apóstolo Paulo trata com um irmão que está envolvido em fornicação com a esposa de seu pai. Essa situação forçou o apóstolo a entregar tal pessoa "a Satanás para a destruição da carne, a fim de que o espírito seja salvo no dia do Senhor" (v. 5). Seu espírito, Paulo disse, ainda seria salvo. Não obstante, tal pessoa pecaminosa ainda era um irmão, escolhido por Deus e regenerado. Paulo entrega tal pessoa a Satanás para ser castigado, contudo o espírito dela ainda será salvo. Quando o Senhor Jesus voltar para estabelecer o reino, poderia tal crente derrotado ser um rei junto com o apóstolo Paulo? Não é lógico crer assim. Entretanto, seu espírito será salvo. Esse caso mostra que há uma verdadeira diferença entre os crentes vencedores e os derrotados.

Quatro Categorias de Pessoas
Fora do círculo azul da igreja estão dois círculos pretos tracejados. O primeiro indica a aparência do reino dos céus. A essa aparência chamamos de cristandade. Ali há cristãos genuínos e falsos. Entre os verdadeiros cristãos há os ven­cedores e os derrotados. Os cristãos nominais e os verdadeiros compõem o que é chamado de cristandade. Exis­te uma diferença entre a cristandade e a igreja como o Corpo de Cristo. O Corpo de Cristo como a igreja genuína abrange somente os verdadeiros crentes. Os crentes falsos e nominais não são membros do Corpo de Cristo. Eles estão na cristandade, mas eles não estão na igreja.
O segundo círculo preto pontilhado, embaixo de "A Aparência do Reino dos Céus" significa o mundo, as nações. Entre as nações está a cristandade, abrangendo os crentes verdadeiros e falsos. Os cristãos genuínos são os verdadeiros membros do Corpo de Cristo, o qual é a igreja. Entre esses cristãos genuínos estão os vencedores e os derrotados. Entre as nações está a cristandade. Dentro da cristandade está a igreja, uma composição de cristãos genuínos, não incluindo os meramente nominais. Entre os verdadeiros cristãos estão os vencedores. Nesta terra, hoje existem essas quatro categorias de pessoas — o povo do mundo, os cristãos nominais, os cristãos verdadeiros e os cristãos vencedores.

Vencer — Acompanhar o Trabalho Transformador de Deus
O desejo de Deus é ter um povo que O acompanhe para vencer Satanás e todas as coisas negativas. Isso nos é possível, não em nós mesmos, mas por meio de Sua plena salvação. Vencer é experimentar essa salvação plena. Essa salvação in­clui a regeneração de nosso espírito e a transformação plena de nossa alma, resultando na transfiguração do nosso corpo. Dizer isso é fácil, mas para experimentar isso necessita muito trabalho da graça.
Fomos regenerados em nosso espírito e estamos sendo transformados em nossa alma. Se vamos vencer ou ser der­rotados depende da transformação da alma. Se deixarmos o Deus Triúno como o Espírito que dá vida nos transformar dia após dia, nós seremos vencedores. Mesmo agora somos ven­cedores, porque estamos acompanhando o trabalho transformador do Deus Triúno. Contanto que estejamos acompanhando o Seu trabalho transformador, nós somos vencedores. Quando não acompanhamos o Seu trabalho em nós, somos derrotados. Se seremos vencedores ou derrotados dependerá de nossa atitude com relação ao trabalho transfor­mador de Deus.
O Deus Triúno hoje está dentro de nós, trabalhando para transformar a nossa alma. Ele está renovando a nossa mente, nossa vontade e nossa emoção. Não há nenhum problema com o nosso espírito; ele foi regenerado. O problema está em nossa alma. Deus está concentrando o Seu trabalho transformador em nossa alma. Qual é a nossa atitude? Obedecer a Deus é acompanhar o Seu trabalho de transformação. Estamos todos aqui debaixo de Seu trabalho transformador. Quando esse trabalho em nossa alma estiver completo, nós estaremos completamente amadurecidos. Então o Senhor Jesus voltará para redimir, transfigurar nosso corpo, e estaremos em glória (Fp 3:21).

Nossa Vida Diária
A questão do reino está muito relacionada à nossa vida diária. O trabalho transformador de Deus é, na realidade, Seu exercitar de Seu reino. Muitos cristãos têm sido distraídos pelos prazeres da alma. Nós também podemos ser distraídos da economia de Deus por diferentes formas de divertimentos, entretenimentos ou esportes.
Deus Espírito está trabalhando dentro de nós, tentando transformar o nosso pensamento. Por exemplo, como alguém que ama a Jesus você sabe que não deve ir a um baile. Você pode querer ir, mas o Espírito transformador está se debaten­do dentro de você. Algo dentro de você diz que não é correto alguém que ama Jesus fazer isso. Na realidade, aquela luta dentro de você é o trabalhar do Espírito Santo para transfor­mar a sua mente (Rm 12:2) com respeito à questão de dançar. Ele também deseja transformar a sua emoção nessa questão. Sua emoção não deve estar voltada à dança, mas voltada à Nova Jerusalém.
Você coopera com esse trabalho transformador? Às vezes os santos são derrotados e vão dançar. Naquela hora eles são derrotados. Entretanto, você pode tomar a graça para cooperar com o Espírito que habita interiormente e dizer: "Amém, Senhor, eu Te seguirei. Eu acompanho o Teu mover dentro de mim. Aleluia! Irei para a reunião da igreja!"
Essa escolha envolve mais do que ir à reunião. Isso quer dizer que você está transformado em sua mente com respeito à dança. Sua emoção está também transformada: ao invés de apreciar a dança, você aprecia ir à reunião. Essa transformação também envolve sua vontade porque você decidiu não ir. Você disse: "Satanás, não irei a tal coisa malig­na. Eu irei à reunião da igreja." Por tomar tal posição, sua mente, vontade e emoção são todas tocadas. Ser tocado dessa forma é ser transformado.
Isso ilustra como o Senhor como o Espírito todo-inclusivo habitando em nós está fazendo o Seu trabalho transformador. Se acompanhar isso, você é um vencedor. Do contrário, é um derrotado.


Realidade, Aparência e Manifestação
Dentro do primeiro círculo azul do diagrama está a realidade do reino dos céus. Os crentes vencedores estão vivendo nesta realidade. Fora do círculo azul está a aparência do reino dos céus.
Três parábolas em Mateus 13 falam da aparência do reino dos céus. A primeira é a parábola do trigo e do joio (vs. 24-30, 36-43). Trigo refere-se aos crentes genuínos e joio, aos falsos. Os falsos não estão na igreja mas na cristandade, a aparência do reino. A segunda parábola é a parábola do grão de mostarda (vs. 31, 32). O grão de mostarda é uma erva para produzir alimento, mas nesta parábola ela cresce até ser árvore, um abrigo para pássaros, isto é, para pessoas e coisas malignas. A igreja, com a sua natureza mudada, tornou-se profundamente arraigada e estabelecida na terra. Externa­mente viçosa, a grande árvore fala dos empreendimentos da cristandade, os quais são a aparência exterior do reino dos céus. A terceira parábola é a parábola do fermento (v. 33), que uma mulher tomou e escondeu em três medidas de fari­nha. O pão que está levedado é mais fácil de se comer. Muitas verdades bíblicas com respeito a Cristo foram levedadas pela cristandade. Esses ensinamentos levedados são mais fáceis de as pessoas tomarem.
O segundo círculo azul no diagrama é a manifestação do reino dos céus. Este é o terceiro aspecto do reino dos céus.
Ver estes três aspectos — a realidade, a aparência e a manifestação — nos ajudará a entender a verdade com respeito ao reino dos céus de uma maneira apropriada.


O GOVERNO DE DEUS
O reino é o governo de Deus (At 26:18; Cl 1:13). Aqui Deus pode exercer a Sua autoridade para o cumprimento do Seu propósito (Mt 6:13b). O Senhor Jesus orou em Mateus 6:10: "Venha o Teu reino, faça-se a Tua vontade." Se não há nenhum reino, Deus não tem como cumprir a Sua vontade. Deus precisa de um reino para cumprir Seu propósito.


O HOMEM DEVE GOVERNAR POR DEUS
Os propósitos na criação do homem por Deus podem ser vistos em Gênesis 1:26-28. Primeiro, Deus criou o homem à Sua própria imagem. Isso indica que a intenção de Deus era se expressar através do homem que Ele criara. Segundo, Deus intencionava que o homem tivesse domínio (gover­nasse) sobre todas as coisas criadas para o Seu reino.


O REINO E ISRAEL
O reino foi primeiramente formado entre os filhos de Is­rael. Em Êxodo 19:6 o Senhor disse aos filhos de Israel que eles seriam para Ele um reino de sacerdotes. Israel era o reino de Deus no Velho Testamento.

A PRIMEIRA COISA PREGADA NO NOVO TESTAMENTO
O reino foi a primeira coisa pregada no Novo Testamen­to (Mt 3:1, 2; 4:17; Lc 9:1, 2; 10:1, 9, 11; 9:60). João Batista, o primeiro pregador da era do Novo Testamento, disse às pes­soas: "Arrependei-vos, pois está próximo o reino dos céus." O primeiro item pregado no Novo Testamento é o reino, não os céus.
Muitos cristãos pensam que o céu e o reino são sinônimos. Eles acreditam que estar no reino é estar nos céus. Muitos acham que quando um cristão morre, sua alma vai para o reino dos céus. Para eles, isso quer dizer que ela vai para os céus. Esse pensamento não está de acordo com a revelação divina. O céu não é o reino; tampouco o reino dos céus é o céu.


PREGADO COMO O EVANGELHO
No Novo Testamento o reino é pregado como o evan­gelho (Lc 4:43; At 8:12; Mt 24:14; cf. Lc 18:29; Mc 10:29). O reino é o evangelho. Em Lucas 4:43 e Atos 8:12 a palavra grega para pregar é a forma verbal de evangelho. A palavra usada nestes dois versículos significa pregar algo como o evangelho. O Senhor Jesus em Lucas 4 e Filipe em Atos 8 pregaram o reino como o evangelho.
Em Marcos 10:29 o Senhor refere-se ao deixar tudo e segui-Lo por causa do evangelho. Em Lucas 18:29, entretan­to, o Senhor fala de deixar tudo e segui-Lo por causa do reino de Deus. Deixar tudo por causa do evangelho quer dizer deixar tudo pelo reino de Deus. O que quer que façamos pelo reino de Deus é o que fazemos pelo evangelho, porque aos olhos de Deus o reino e o evangelho são sinônimos.


HERDANDO A VIDA ETERNA
Em Marcos 10:17, 23 podemos ver que herdar a vida eterna é entrar no reino. Receber a vida eterna é uma coisa; herdá-la é outra. O Novo Testamento faz a diferença bem distinta, mas muitos cristãos não notam essa diferença. Quan­do cremos no Senhor Jesus, fomos regenerados e recebemos a vida eterna. Quando vivemos por esta vida que recebemos, ela torna-se a nossa herança para o nosso desfrute. Recebemos a vida eterna hoje, mas herdá-la, entrar nela, é uma questão da era vindoura. Herdar ou não a vida eterna como a nossa bênção dependerá de se você é um vencedor ou um derrotado. Entrar na vida eterna, herdar a vida eterna, quer dizer entrar no reino, herdar o reino.


UMA ENTRADA PARA O REINO
Todas as coisas que se relacionam com a vida divina foram concedidas a nós para suprir-nos uma entrada no reino (2 Pe 1:3, 11). Em 2 Pedro 1:3 diz-se que "pelo seu divino poder nos têm sido doadas todas as cousas que conduzem à vida e à piedade". Os versículos 5-11 nos mostram o desen­volvimento da vida eterna resultando em uma rica entrada no reino eterno. Por meio da vida eterna com o seu desenvol­vimento nós podemos entrar no reino.


RELACIONADO À VIDA INTERIOR E À VIDA DA IGREJA
O reino está relacionado à vida interior e à vida da igreja. João 3:3, 5 nos diz que temos de ser nascidos de novo para ver o reino e para entrar no reino. Entrar no reino de Deus é uma questão da vida interior. Precisamos nascer de novo para que tenhamos a vida divina. Quando temos essa vida, entramos no reino. Receber a vida divina é entrar no reino de Deus.
Em Mateus 16:18, 19 o Senhor diz que Ele edificará a Sua igreja, e então Ele dará a Pedro as chaves do reino dos céus. Esses versículos mostram que o reino dos céus é para a igreja. Romanos 14:17 diz: "Pois o reino de Deus não é co­mida nem bebida, mas justiça e paz e alegria no Espírito Santo." Romanos 14 é um capítulo sobre como receber os fracos na vida da igreja. Quando Paulo menciona o reino de Deus nesse capítulo, ele está se referindo à vida da igreja. A vida da igreja é o reino de Deus hoje. A vida da igreja, o reino de Deus, não é uma questão de comida nem bebida, mas de justiça, paz e alegria no Espírito Santo.


A SEMENTE SEMEADA NOS EVANGELHOS
O Cristo todo-inclusivo tem sido semeado para dentro daqueles que Nele crêem como a semente do reino (Mt 13:3; Mc 4:26). O próprio Senhor está dentro dos crentes como o Rei, a semente. Jesus é o Rei; nós somos o "no"! O reino é a expressão ou a extensão do Rei. O Rei é a semente, e a igreja é a extensão, o "no". A expansão do Rei dentro dos crentes como a semente é o reino (Mc 4:26-29). O reino foi semeado nos Evangelhos pelo Senhor Jesus no meio dos judeus e dentro dos Seus discípulos (Lc 17:20, 21). O reino é algo in­terior. Não podemos observá-lo exteriormente. O Senhor Jesus disse que o reino não era visível.
Esse reino foi manifestado a Pedro, Tiago e João (Mt 16:28—17:2). Quando o Senhor semeou a semente do reino entre os judeus, dentro de Seus crentes, os judeus não con­seguiam discernir isso. Um dia, entretanto, três discípulos foram ao monte com o Senhor Jesus. No monte, Jesus foi transfigurado. Sua transfiguração foi a manifestação do reino. O reino é o próprio Jesus Cristo semeado para dentro de nós e crescendo em nós, até que um dia haja a manifestação do reino.


O REINO EM ATOS
Em Atos, o reino foi ensinado pelo Senhor depois de Sua ressurreição. Atos 1:3 nos diz que Ele esteve com os discípulos por quarenta dias "falando das cousas concernen­tes ao reino de Deus."
O reino foi também pregado pelos apóstolos. Em Atos 8:12 Filipe "evangelizava a respeito do reino de Deus." Paulo também pregou o reino de Deus (At 19:8; 20:25; 28:23, 31). Os últimos dois versículos de Atos nos dizem que "por dois anos permaneceu Paulo na sua própria casa, que alugara, onde recebia a todos que o procuravam, pregando o reino de Deus."
Alguns mestres da Bíblia acreditam que o reino foi suspenso devido à rejeição dos judeus. Eles crêem que esta não é a era do reino, mas a era da igreja, e que o reino virá mais tarde. Esse ensinamento é incorreto. Como vimos, a igreja na realidade é o reino. Mesmo nesta era, a era da igreja, a era da graça, o reino está aqui. Isso é claro em muitas referências ao reino no livro de Atos.


O REINO NAS EPÍSTOLAS
Também podemos ver o reino nas Epístolas. As Epístolas nos dizem que os crentes foram transferidos para o reino (Cl 1:13; Hb 12:28). Também nas Epístolas o reino é a vida da igreja (Rm 14:17).
Em 1 Coríntios 4:17, 20 também nos mostra que o reino é a vida da igreja. O versículo 17 diz: "Vos mandei Timóteo... o qual vos lembrará os meus caminhos em Cristo Jesus, como por toda parte ensino em cada igreja." Os versículos 18-20 dizem: "Alguns se ensoberbeceram, como se eu não tivesse de ir ter convosco; mas em breve irei visitar-vos, se o Senhor quiser, e então conhecerei não a palavra, mas o poder dos en-soberbecidos. Porque o reino de Deus consiste, não em palavra, mas em poder." Estes versículos mostram que o reino de Deus é a igreja em todos os lugares, e a igreja em todos os lugares é o reino. O reino está aqui porque a igreja está aqui.
Também nas Epístolas alguns dos crentes eram os cooperadores do apóstolo para o reino de Deus (Cl 4:11). Paulo e seus cooperadores estavam trabalhando pelo reino. Isso quer dizer que eles estavam trabalhando pela igreja. Trabalhar pela igreja é trabalhar pelo reino; assim a igreja é o reino. As pessoas da igreja também herdarão o reino (1 Co 6:9, 10; 15:50; Gl 5:21; Ef 5:5; Tg 2:5; 1 Ts 2:12; 2 Pe 1:11).


O REINO EM APOCALIPSE
O reino é também visto no livro de Apocalipse. João disse que ele era um companheiro com os crentes "no reino e na perseverança, em Jesus" (1:9). Se o reino é algo para o futuro, então a perseverança também deve ser algo para o futuro. Se a perseverança está aqui hoje, então o reino deve também estar presente hoje. A menção da perseverança em Apocalipse 1:9 indica que o reino no qual João estava não é algo ainda por vir. Ele está aqui agora; nós somos cooperadores com João no reino presente.
Esse reino presente virá em sua plena manifestação depois da grande tribulação (Ap 12:10). Então, finalmente, o reino do mundo se tornará o reino de nosso Senhor e de Seu Cristo no milênio (Ap 11:15). Esse é um esboço breve do en­sinamento no Novo Testamento com respeito ao reino, dos quatro Evangelhos até o final de Apocalipse.