quinta-feira, 25 de julho de 2013

A revelação básica nas Escrituras sagradas - Witness Lee - Capítulo 8

Capítulo Oito

A NOVA JERUSALÉM —
A CONSUMAÇÃO FINAL E MÁXIMA
(1)

Leitura da Bíblia: Ap 21:1-3,9-14,16-23; 22:1,2,5,14,17

CRIAÇÃO E EDIFICAÇÃO
Requer-se toda a Bíblia para nos dar a revelação com­pleta de Deus. Gênesis fala-nos acerca da criação de Deus. Então, no fim da Bíblia vemos uma cidade santa. No começo há a criação e, no fim, uma cidade. Na criação Deus chamou "à existência as coisas que não existem" (Rm 4:17), mas uma cidade significa algo mais porque uma cidade é uma edificação. Na economia de Deus, então, Ele primeiro criou. Após a criação, Ele começou a edificar.
A idéia de edificação percorre todo o Novo Testamento. Depois que Pedro reconheceu que Jesus era o Filho de Deus e o próprio Cristo, o Senhor disse a ele: "Sobre esta pedra edificarei a minha igreja" (Mt 16:18). Aqui está a idéia de edificação em Mateus 16.
A idéia de edificação na realidade veio muito mais cedo. Para Deus o que estava acontecendo, mesmo nos tempos do Velho Testamento, era uma edificação. Em Mateus 21 o Se­nhor usou a parábola de uma vinha para representar a nação judaica. No final da parábola o Senhor disse aos líderes judeus que, por causa de esterilidade deles, o senhor da vinha voltar-se-ia da vinha para uma outra nação (isto é, para a igreja) (vs. 33-43). O Senhor disse a eles: "A pedra que os construtores rejeitaram, essa veio a ser a principal pedra, an­gular" (v. 42). O Senhor estava lhes dizendo que eles eram os construtores e que Ele era a pedra angular, a qual eles, como líderes judeus, estavam rejeitando. Essa pedra rejeitada tor­nou-se, na soberania de Deus, a pedra angular da edificação.
Cristo, como a pedra angular, é a base do evangelho. Muitos pregadores citam Atos 4:12, que diz: "Não existe ne­nhum outro nome... pelo qual importa que sejamos salvos." Temos de perceber, porém, que Atos 4:12 está baseado no versículo 11. O versículo 11 nos diz que Cristo, a pedra rejei­tada, tornou-se a pedra angular. Esta pedra angular é o próprio Salvador no versículo 12. Cristo ser Salvador é ba­seado no fato de ser Ele a pedra angular, a qual foi rejeitada pelos construtores na economia do Velho Testamento. Os líderes judeus até aquele tempo eram os construtores aos olhos de Deus; a pedra rejeitada tornando-se a pedra angular é uma profecia no Salmo 118:22. Aos olhos de Deus, então, tanto a época do Velho Testamento como a do Novo Tes­tamento tem sido o seu período de edificação.
Logo depois de Sua criação Ele começou a edificar. A Sua criação foi para produzir os materiais de construção para Sua edificação. Deus criou o universo e o homem com o propósito de edificar uma cidade. Criação significa chamar coisas que não existem à existência. Uma cidade, entretanto, é uma edificação a partir de coisas criadas. Deus tem duas obras. A primeira é a obra de criação, e a segunda é a obra de edificação. A Nova Jerusalém, uma cidade como o edifício de Deus, é a conclusão de toda a revelação de Deus.

O HOMEM REGENERADO, MATERIAL DE EDIFICAÇÃO DE DEUS
Para que Deus tenha uma edificação, o centro de Sua criação, o homem, necessita ser regenerado. O homem regenerado torna-se o material de edificação de Deus. Deus não se infundiu para dentro de nenhum dos itens de Sua criação. Em Sua velha criação, Ele soprou o sopro de vida para dentro do homem (Gn 2:7), mas aquele sopro não era algo de Sua essência ou natureza. Era somente Seu sopro. Aquele sopro de vida, neshamah (hebr.), tornou-se o espírito do homem; como Provérbios 20:27 diz: "O espírito (neshamah) do homem é a lâmpada do Senhor." Nada da essência de Deus foi infundido para dentro do homem até a época do Novo Testamento e o completar da plena redenção do Senhor Jesus Cristo. Então Deus veio para dispensar, não somente algo Dele mesmo, mas também Ele mesmo para dentro do homem para que o homem pudesse ser regenerado por Ele (Jo 3:5), nascido Dele (Jo 1:12,13).
Quando nascemos de nosso pai terreno, a essência e natureza de nosso pai foram dispensadas a nós. Nós agora somos pessoas regeneradas, a descendência de Deus. Somos filhos nascidos de Deus, não filhos adotados por um pai adotivo. Fomos gerados de um pai que gera. Tudo o que o Pai é foi dispensado para dentro de nós, Seus filhos.
A única coisa Dele que não temos é Sua deidade. Ele é o próprio Deus. Mesmo que tenhamos nascido Dele, nós não participamos de Sua deidade. Dizer que somos deificados no sentido de ter Sua deidade é blasfêmia. Nós O adoramos. Mas nós mesmos não somos objeto de adoração de nenhum homem e nunca poderemos ser. Isso seria blasfemo.
Entretanto, devemos ter ousadia em dizer: "Aleluia! Eu tenho a vida de Deus (Cl 3:4; 1 Jo 5:12) e a natureza de Deus (2 Pe 1:4). Em vida e natureza eu sou igual ao meu Deus, porque nasci Dele." A Sua vida é nossa vida e Sua natureza é nossa natureza. Aleluia! Somos os excelentes filhos de Deus (Rm 8:16; 1 Jo 3:1). A última estrofe do hino 59 fala sobre nós e Deus: "Nada difere; em vida somos um."
O material natural proveniente da criação de Deus não está qualificado para ser usado como material de Sua edificação porque ele não tem nada da essência de Deus. O que Deus usa para a Sua edificação tem de ter a Sua essência.

UMA MONTANHA DE OURO
Em nossa vida diária somos incomodados pela poeira. Gosto do Texas mas não gosto do fato de ali ventar muito. Muito vento traz poeira. Quando estivermos na Nova Jerusalém, porém, não haverá poeira. A Nova Jerusalém, a cidade santa é uma montanha de ouro (Ap 21:18). Essa mon­tanha tem cerca de 2200 quilômetros de altura, a distância aproximada de Porto Alegre a Brasília. A Nova Jerusalém tem doze mil estádios de altura (Ap 21:16); um estádio é igual a 182 metros. Vocês já viram uma montanha tão alta? Levariam cinqüenta dias para subir a pé, se andassem 43 quilômetros por dia.

OURO, PEDRAS PRECIOSAS E PÉROLAS
A muralha da cidade é feita de jaspe sobre uma fundação de doze pedras preciosas diferentes (Ap 21:18-20). As pedras preciosas foram primeiramente criadas, e então transformadas por pressão e calor. Elas não são meramente naturais, mas foram criadas e, então, transformadas. No Novo Testamento existe um forte conceito de transformação (2 Co 3:18). As doze portas são doze pérolas (Ap 21:21). As pérolas também passaram por um processo. As pérolas são produzidas por ostras nas águas da morte. Quando a ostra é ferida por uma partícula de areia, ela expele sua secreção de vida em volta da areia e faz disso uma pérola preciosa. Nesse processo podemos ver a morte, o matar, e a secreção do suco de vida para produzir a pérola.
A cidade inteira é edificada com ouro, pedras preciosas e pérolas. Não haverá necessidade de varrer o chão. Não há poeira! Todas as coisas criadas foram transformadas.

A EDIFICAÇÃO DIVINA COM A HUMANIDADE TRANSFORMADA
Paulo, em 1 Coríntios 3, diz que o único fundamento foi lançado, mas temos de ser cuidadosos em como edificamos sobre ele. Podemos edificar com duas categorias de materiais: ouro, prata e pedras preciosas ou madeira, feno e palha (3:10-12). Madeira, feno e palha tornam-se pó depois que são queimados, mas ouro, prata e pedras preciosas, não.
No conceito de Paulo, o homem natural criado é madeira, feno e palha; os homens regenerados e transfor­mados são ouro, prata e pedras preciosas. Quando Pedro veio ao Senhor Jesus, ele era homem que tinha a natureza do pó, um homem feito de pó (Gn 3:19), porque ele nasceu da raça adâmica. Adão foi feito do pó, e Pedro nasceu um homem que tem a natureza do pó. No entanto, o Senhor Jesus o chamou Cefas (grego), que significa uma pedra (Jo 1:42). A mudança do nome de Simão pelo Senhor Jesus para Pedro indicava que Pedro seria transformado.
Essa foi a razão porque Pedro foi muito forte quanto a essa questão já na primeira epístola que escreveu. Ele disse que o Senhor Jesus é a pedra viva (1 Pe 2:4), e que, quando viemos a esta pedra viva, todos nos tornamos pedras vivas para sermos edificados uma casa espiritual (2:5). A casa espiritual não é edificada com madeira, feno e palha. Ela é edificada com materiais transformados. Porque a nossa mente é plenamente ocupada pelos pensamentos naturais de ética, filosofia e moral, nós negligenciamos essa questão no Novo Testamento. Todo o Novo Testamento, entretanto, está saturado com esse conceito da edificação divina da humanidade transformada. A conclusão da Bíblia é uma cidade santa composta de ouro, pérolas e pedras preciosas.


OS DOIS EXTREMOS DA BÍBLIA REFLETINDO UM AO OUTRO
Todos os materiais que compõem essa cidade santa são encontradas nos dois primeiros capítulos de Gênesis. Em Gênesis 2 existe a árvore da vida. Ao lado da árvore há um rio. Onde o rio flui há ouro, "e o ouro dessa terra é bom". Há o bdélio, uma pérola produzida pela vida vegetal, e a pedra de ônix (Gn 2:9-12). Em seguida, no final do capítulo, existe uma noiva para Adão (2:21-23).
Em Apocalipse 21 e 22 há uma noiva, uma cidade edificada com ouro, pérolas e pedras preciosas. Na cidade há um rio e no rio está a árvore da vida. Esses seis itens — a noiva, o ouro, as pérolas, as pedras preciosas, a árvore da vida e o rio — todos são encontrados nos primeiros dois capítulos de Gênesis. A diferença é que em Gênesis, a cidade não tinha ainda sido edificada. Os três materiais estavam ali mas não edificados em uma cidade. Seis mil anos mais tarde, por meio do trabalho edificador de Deus, todos os materiais foram edificados em uma cidade. Vocês vêem como esses dois extremos na Bíblia refletem um ao outro?
Em 1963 fui a Tyler, Texas, e fiquei na casa de um irmão. Depois de uma das reuniões um amigo dele, que era um mi­nistro itinerante, telefonou para seu amigo James Barber, em Plainview, Texas. Ele disse para James vir e ouvir-me a qualquer custo. Na noite seguinte, James Barber estava na reunião. Naquela noite dei uma mensagem sobre como os dois extremos da Bíblia refletem um ao outro. Esse homem, James Barber, foi capturado. Depois da conferência ele disse que tinha segurança em tomar esse caminho. Esse foi o início da vida da igreja no Texas. Espero que nós também possamos ter tal impressão gloriosa do início e do final da Bíblia refletindo um ao outro. Essa é a economia de Deus — edificar Sua habitação eterna com as coisas criadas e transformadas para serem Seus materiais.

A EDIFICAÇÃO DE DEUS EM ÊXODO
Quando os filhos de Israel foram trazidos ao monte Sinai, Deus revelou-lhes a planta do Seu tabernáculo e eles o edificaram. Aquilo era um tipo. No Santo dos Santos, dentro do tabernáculo, não havia nada para ser visto a não ser ouro. O ouro revestia as tábuas, e no teto podiam ser vistos fios de ouro. Sobre o sumo sacerdote estava o peitoral de ouro com­plementado por doze pedras preciosas. As doze pedras no peitoral tinham os nomes das doze tribos de Israel (Êx 28:15-21). Esse era o "alfabeto" especial de Deus para revelar Seu pensamento a Seus filhos por meio do Urim e Tumim (Êx 28:30). Podemos ver, então, que o pensamento da edificação de Deus, usando pedras preciosas, está também em Êxodo.


A EDIFICAÇÃO DE DEUS NO NOVO TESTAMENTO
No Novo Testamento somos incumbidos a sermos cuida­dosos em como edificamos (1 Co 3:10-12). Não use madeira, feno e palha, isto é, não use o seu homem natural. A igreja não é edificada com o homem natural. Ela é edificada com o homem regenerado e transformado. Quando você traz a sua vida natural para dentro da igreja, você faz da igreja não mais a igreja. Isso é o que está acontecendo hoje. Muitos cristãos, mesmo obreiros cristãos, estão fazendo da igreja não a igreja ao usar a maneira natural, a maneira carnal, a maneira do homem, não a maneira transformada e regenerada.
Pedro nos diz que como bebês recém-nascidos precisamos beber o leite da Palavra para que possamos ser transformados em pedras preciosas para sermos edifícados uma casa espiritual (1 Pe 2:2-5). Os escritos de João en­fatizam especialmente essa questão de transformação. No primeiro capítulo de seu Evangelho existe o Cristo encar­nado como o tabernáculo de Deus (1:14). Então, nos dois últimos capítulos de Apocalipse de João existe o tabernáculo ampliado, incluindo não somente Cristo, mas também todos os Seus crentes, porque naquele tempo eles foram regenerados, plenamente transformados e edifícados juntos para dentro de uma entidade. Isso é a Nova Jerusalém. Essa é a verdadeira revelação de Deus.
A Bíblia começa com a criação de Deus e conclui com a Sua edificação. Essa edificação é uma entidade regenerada e transformada. As pérolas indicam regeneração. É por isso que todas as portas de entrada são pérolas. Sem regeneração ninguém pode entrar no reino de Deus (Jo 3:5). Regeneração é a entrada para o reino de Deus, conforme plenamente representado pelas portas de pérola. As pedras preciosas significam transformação. Depois de entrar nesse reino pela porta de pérola, somos gradualmente transfor­mados para a edificação.


O TABERNÁCULO DE DEUS
A Nova Jerusalém será o tabernáculo de Deus com os homens na eternidade. O tabernáculo em Apocalipse não é um termo novo. Ele é plenamente revelado e retratado em Êxodo 25 a 40. Então, João 1:14 diz que a Palavra tornou-se carne e tabernaculou entre nós. Quando Jesus estava nesta terra, Ele era um tabernáculo.  Então, nos últimos dois capítulos da Bíblia está o tabernáculo eterno. Portanto, para entender os dois últimos capítulos de Apocalipse, temos de voltar e estudar Êxodo 25 a 40 e João 1:14.


O AGREGADO DE TODOS OS CANDELABROS
A cidade santa na montanha de ouro é o agregado de todos os candelabros. A cidade inteira tem uma rua (Ap 21:21; 22:2 - lit.), contudo essa única rua alcança todas as doze portas. Como uma rua em uma cidade poderia servir as doze portas? Também, a muralha tem cento e quarenta e quatro côvados de altura (21:17), e a própria cidade tem doze mil estádios de altura (21:16). Esses fatos indicam que a cidade propriamente dita deve ser uma montanha. No topo da montanha há um trono, do qual a rua desce em espiral até a parte mais baixa para alcançar as doze portas. Ela deve ser uma rua espiral, espiralando-se ao longo da montanha até circular por todas as doze portas. Uma rua, descendo do topo até a parte mais baixa, alcança e serve todas as doze portas. No topo dessa montanha de ouro está o trono como o centro. No trono está Cristo como o Cordeiro com Deus Nele (22:1). Esse Cordeiro é a lâmpada com Deus Nele como a luz (21:23; 22:5). Isso indica que Deus está no Cordeiro assim como a luz está na lâmpada.
Essa alta montanha de ouro é um suporte. Sobre esse suporte está uma lâmpada; portanto, isso é um candelabro de ouro. Isso é um candelabro de ouro com Cristo como a lâmpada e Deus dentro Dele como a luz, brilhando pela eter­nidade. Assim, a cidade santa na montanha de ouro é o agregado de todos os candelabros, a totalidade de todos os candelabros de hoje, brilhando para a glória de Deus na eter­nidade no novo céu e nova terra.

A Cidade e Sua Rua
A cidade e sua rua são de ouro puro como vidro transparente (21:18b, 21b - lit.). Ouro transparente repre­senta a natureza de Deus. Os mestres da Bíblia em geral concordam que, em prefiguração, ouro significa a natureza divina, a essência divina.

Os Doze Fundamentos e as Doze Portas
Os doze fundamentos de doze pedras preciosas diferen­tes, levando o nome dos doze apóstolos, representam todos os santos do Novo Testamento, representado por estes doze apóstolos (21:14, 19, 20). A Nova Jerusalém é uma composição de todos os santos redimidos, tanto do Velho como do Novo Testamento. Os doze apóstolos representam os santos do Novo Testamento, enquanto os nomes das doze tribos nas doze portas representam os santos do Velho Tes­tamento (21:12, 13, 21a).
As pérolas representam os santos produzidos por meio do Cristo encarnado, crucificado e ressuscitado. Em Sua encarnação Ele era como uma ostra viva nas águas da morte. Então, Ele foi ferido por nós, as pequenas partículas de areia. Essas feridas levaram-No a liberar o Seu suco de vida em volta de nós, assim tornando-nos pérolas. Aqui está a encarnação, crucificação e ressurreição. Por meio desse processo nós, os grãos de areia, tornamo-nos pérolas preciosas.

Pedras Preciosas
O fundamento e a muralha edificadas com pedras preciosas representam os santos transformados pelo Espírito Santificador (21:19, 20, 18a, 11b). Fomos feitos do pó, mas fomos regenerados em pedra e transformados em pedras preciosas. O pó, regenerado em pedra e transformado em pedra preciosa, está qualificado para ser usado como material para a edificação de Deus.

O Comprimento, Largura e Altura da Cidade
O comprimento, a largura e a altura da cidade são iguais, assim como o Santo dos Santos no Velho Testamento tinha três dimensões iguais (1 Rs 6:20). A medida lá é vinte côvados de comprimento, vinte côvados de largura e vinte côvados de altura. Esse é o Santo dos Santos na prefiguração do templo. O Santo dos Santos no tabernáculo tem dez côvados por dez côvados por dez côvados (Ex 26:2-8). Em ambos os casos, as três dimensões são iguais. O princípio é que tal edificação de três dimensões iguais representam o Santo dos Santos, que é o próprio lugar onde Deus habita (Ap 21:16). A cidade inteira, então, é o próprio lugar de habitação de Deus.

Sem Templo
João diz que ele não viu nenhum "santuário, porque o seu santuário é o Senhor, o Deus Todo-poderoso e o Cor­deiro" (21:22). Isso indica que a cidade inteira é o templo. Primeiramente há o tabernáculo em Êxodo. Então, depois de entrar na boa terra, os filhos de Israel edifícaram um templo, que substituiu o tabernáculo. Mesmo antes de o templo ser edificado, em 1 Samuel 3:3 o tabernáculo era chamado o templo. Isso quer dizer que o tabernáculo e o templo, na realidade, referem-se a uma coisa só. Um podia ser desmon­tado e movido de um lugar para outro no deserto; o outro tinha uma localização estabelecida na boa terra como uma edificação mais permanente.
A cidade santa é chamada o tabernáculo. No Velho Tes­tamento o templo estava na cidade de Jerusalém, mas em Apocalipse 21 e 22 a cidade inteira é o tabernáculo e o templo. Esse templo não é somente a habitação de Deus, mas também o lugar de habitação de todos os que O servem. Naquele tempo todos os santos serão sacerdotes com um sacerdócio eterno. Todos nós O serviremos (22:3). O nosso lugar de habitação, então, será o templo. A Nova Jerusalém é um grande templo, onde tanto Deus como os Seus redimidos habitam juntos.

A Glória de Deus como a Luz e o Cordeiro como a Lâmpada
"A glória de Deus a iluminou, e o Cordeiro é a sua lâmpada" (Ap 21:23). "Nem precisam eles de luz de candeia, nem da luz do sol, porque o Senhor Deus brilhará sobre eles" (22:5). A glória de Deus como a luz e o Cordeiro como a lâmpada, significam que Deus em Cristo é a luz da Nova Jerusalém na eternidade. Na cidade nova não há necessidade de sol, da luz natural, nem de nenhuma lâmpada feita por homens porque o próprio Deus será a luz e Cristo será a lâmpada, brilhando Deus para iluminar a cidade inteira.Isso quer dizer que Deus em Cristo é tudo na Nova Jerusalém.

O Trono de Deus e do Cordeiro
O trono de Deus e do Cordeiro é o centro ad­ministrativo da cidade. Dele procede o rio da água da vida no meio da rua, com a árvore da vida, como uma videira, cres­cendo ao longo das duas margens (22:1, 2). A rua é uma espiral, e o rio está na rua. Desde que a árvore da vida cresce ao longo de ambas as margens do rio, ela deve ser uma videira. Uma árvore ereta não poderia crescer nas duas mar­gens. Ela deve ser, portanto, uma videira, crescendo espiralmente ao longo da rua. João 15 fala de uma videira (v. 1). Jesus é a videira, que é a árvore da vida.
Em um programa de rádio um mestre da Bíblia foi per­guntado acerca da árvore da vida. Ele disse que a árvore da vida já não existe. Isso é incorreto. A árvore da vida per­manece hoje, e ela permanecerá para sempre. Em Apocalipse 2:7 o Senhor Jesus disse que àquele que vencer Ele "dará de comer da árvore da vida". Ainda hoje essa promessa está sendo cumprida. A árvore da vida, da qual es­tamos comendo, é Jesus (Jo 6:57). O Senhor Jesus nos disse, por um lado, que Ele é o pão da vida (6:48), tipificado pelo maná. Então, por outro lado, Ele nos disse em João 15 que é a videira, e em 14:6 que Ele é a vida. Como a videira e a vida Ele é a árvore da vida. A árvore da vida em Gênesis 2:9 re­presenta Cristo. Ele veio a nós como a realidade em João 14 e 15. Ainda hoje Ele é a árvore da vida da qual podemos comer.
A árvore da vida, como a videira crescendo ao longo das duas margens do rio, significa que Deus no Cordeiro é o centro da Nova Jerusalém e a supre com a Sua vida divina para nutri-la e satisfazê-la. A rua, na qual o rio da água da vida flui, desce do topo da montanha espiralmente para alcançar todas as doze portas nos quatro lados da cidade para sua comunhão (22:1, 2). A rua é para comunicação; comunicação é comunhão. Em 1 João 1:1 e 3 vemos que dessa vida divina sai a comunhão divina. A rua, o rio e a árvore da vida são para comunhão. Hoje, na restauração do Senhor, estamos nessa comunhão, que está ao longo da rua com o rio fluindo e a árvore crescendo.


A NOIVA, A ESPOSA DO CORDEIRO
A consumação final e máxima é a noiva, a esposa do Cordeiro (21:2, 9). A cidade santa inteira é uma noiva. No Evangelho de João, quando os discípulos de João estavam com ciúmes de Jesus, João disse: "O que tem a noiva é o noivo" (Jo 3:26-29). Como o amigo do Noivo, João estava alegre por seus seguidores o deixarem e irem a Jesus, porque Ele era o noivo. A regeneração em João 3 é para a produção da noiva.
Consumadamente, seremos uma mulher coletiva pela eternidade (Ap 21:2). O único homem pela eternidade é nosso Deus, nosso Redentor, nosso Senhor. Seremos uma mulher coletiva para combinar com Ele. Finalmente, então, o que provém da dupla obra de Deus — criação e edificação — é um casal. Deus está casado com o homem e o homem está casado com Deus. Na conclusão dos sessenta e seis livros da Bíblia está Apocalipse 22:17 que diz: "O Espírito e a noiva dizem..." A conclusão da Bíblia é aquilo que o casal diz.
Essa noiva que combina com o Espírito é a consumação final e máxima de todos os homens tripartidos, redimidos, regenerados, transformados e glorificados. O Espírito é o Espírito todo-inclusivo como a consumação final e máxima do Deus Triúno. O Espírito é o Deus Triúno alcançando-nos, pois O que alcança é a consumação. Ele passou pelos processos de encarnação, viver humano, crucifícação, ressurreição e ascensão.
Hoje o nosso Deus é um Deus processado. No princípio era a Palavra, e a Palavra era Deus, e essa Palavra tornou-se carne. A encarnação é um processo. Esse que se encarnou, viveu na terra na casa de um pobre carpinteiro. Depois de trinta e três anos e meio Ele foi levado como um cordeiro para o matadouro, e foi imolado na cruz. Isso também foi um processo. Ele foi ao Hades (At 2:27; Ef 4:9), e Ele entrou na ressurreição. Esses também são processos. Certamente todos esses passos são processos pelos quais Ele passou. Hoje nos­so Deus não pode ser igual ao que era antes da encarnação.
Vocês crêem que Deus é igual ao que era antes da encarnação? Hebreus 13:8 diz: "Jesus Cristo ontem e hoje é o mesmo, e o será para sempre." Se disserem que desde a Sua ressurreição Ele é o mesmo ontem, e hoje e para sempre, concordo com vocês; mas se disserem que esse versículo é verdadeiro para Jesus antes da encarnação, eu não concordo. Ele não tinha carne antes de Sua encarnação. Por todos esses processos Deus tornou-se nosso Redentor, nosso Salvador e nossa vida. Ele até mesmo tornou-se o Espírito que dá vida, rico, abundante, dentro de nós hoje.
Assim, na conclusão da Bíblia está a consumação do Deus Triúno processado, enquanto a esposa é o agregado e a consumação de todos os homens tripartidos, redimidos, regenerados, transformados e glorificados. Aleluia! O Deus Triúno casa com o homem tripartido. Eis aqui um casal eter­no expressando o Deus Triúno pela eternidade. O homem tripartido na eternidasde estará desfrutando desse rico Deus Triúno.
Fomos escolhidos e predestinados, e fomos chamados, salvos e regenerados. Agora estamos sendo transformados para sermos materiais preciosos para que possamos ser edificados a fim de sermos uma casa espiritual, para servir a Deus e para ser o Corpo de Cristo e expressá-Lo. Esse é o nosso objetivo. Somos os filhos de Deus, sendo transfor­mados para que possamos ser edificados como uma casa para servir a Deus e como o Corpo para expressar Cristo.