quinta-feira, 25 de julho de 2013

A revelação básica nas Escrituras sagradas - Witness Lee - Capítulo 9

Capítulo Nove

A NOVA JERUSALÉM —
A CONSUMAÇÃO FINAL E MÁXIMA
(2)

Leitura da Bíblia: Ap 1:1; 21:1-3,10-21

A CHAVE PARA ENTENDER OS ESCRITOS DE JOÃO
O livro de Apocalipse é difícil de ser entendido. É por isso que Deus em Sua sabedoria usa sinais para fazê-lo co­nhecido a nós. Apocalipse 1:1 diz que Deus deu a revelação de Jesus Cristo para Ele mostrar a Seus escravos: "notificou por meio de sinais" (lit.). Sinais são figuras. Ao ensinar crianças pequenas nós fazemos as coisas conhecidas a elas por meio de figuras. Algumas vezes quando falo, torno as coisas conhecidas por meio de diagramas. João recebeu uma revelação a respeito de coisas tão divinas, tão misteriosas, tão profundas, que nenhuma palavra poderia expressá-la ade­quadamente. Assim, a revelação foi tornada conhecida por meio de sinais.
Não somente o livro de Apocalipse, mas o Evangelho de João também é um livro de sinais. Em nosso Estudo-Vida da­quele Evangelho salientei que a palavra milagre não é usada. A mudança da água em vinho pelo Senhor foi um milagre, mas João chama isso de sinal (2:11), indicando que isso tem um significado. A mudança da água em vinho pelo Senhor significa Seu mudar a morte em vida. A ressurreição de Lázaro foi um milagre, mas João chama isso de sinal (11:47).
João 1:14 fala da Palavra tornando-se carne e tabernaculando (lit.) entre nós. "Tabernaculou" é um verbo. Esse sinal nos dá a chave para entender como o Senhor Jesus viveu nesta terra. Ele viveu aqui como o tabernaculo de Deus. Para entender plenamente o tabernaculo, temos de voltar para Êxodo, onde muitos capítulos descrevem o tabernáculo. O tabernáculo de Deus entre o Seu povo não era somente onde Ele habitava mas também onde os que O serviam entravam para habitar com Ele. Esse é Jesus! En­quanto Jesus estava na terra, Ele estava "tabernaculando". Deus habitava Nele e todos os servidores de Deus, os que amavam Jesus, podiam entrar Nele para ficar com Deus. Essa única palavra como um sinal descreve o que nenhuma pala­vra comum poderia expressar.
Também em João o Senhor Jesus diz: "Eu sou a porta" (10:7). Vocês crêem que o Senhor é uma porta com uma ver­ga e um umbral? Uma porta é um sinal, significando que Ele é a própria abertura para as pessoas entrarem e para saírem.
Temos de enfatizar o primeiro versículo de Apocalipse, que diz que a revelação divina é dada a Jesus Cristo, e que Ele a tornará conhecida por meio de sinais. Essa é a chave para abrir todo o livro. Sem essa chave, o livro de Apocalipse está fechado para nós. Para entendermos o significado real desse livro, temos de entender esses sinais.


OS SINAIS PRINCIPAIS EM APOCALIPSE

Os Candelabros
O primeiro sinal em Apocalipse que o apóstolo João viu são os candelabros. No capítulo um nos é dito que João, no dia do Senhor, na ilha de Patmos, viu sete candelabros de ouro. Ele viu os candelabros. Os sete candelabros são as sete igrejas (1:20). Descrever o que a igreja é no seu significado espiritual usaria mil livros. Mas somente um sinal, uma figura, é melhor do que mil palavras.
Que é a igreja? Que deveria ser a igreja? Olhem para o candelabro. A igreja tem de ser de ouro. Ouro significa a essência de Deus, a natureza de Deus. Isso quer dizer que a igreja tem de ter a essência de Deus como a sua substância. Este ouro tem de estar na forma de um candelabro, um can­delabro brilhando com uma intensidade sétupla. Algumas lâmpadas têm um interruptor triplo; mas vocês já viram uma lâmpada sétupla? O candelabro tem um brilho sétuplo. A natureza de ouro significa a essência de Deus, a forma repre­senta Cristo como a corporificação do Deus Triúno, e as sete lâmpadas são os sete Espíritos (4:5 - VRC).
A Trindade está aqui: o Espírito está brilhando, Cristo é a corporificação e Deus é a própria essência. Que é a igreja? A igreja é uma composição, uma constituição do Deus Triúno, brilhando as virtudes e os atributos de Deus na noite escura para que todos vejam a luz. Precisamos de mensagem após mensagem para descrevermos o que a igreja é, mas a sabedoria de Deus é mostrar-nos um candelabro. Santos, isso é a igreja. Olhem para a igreja. O candelabro é a igreja! A igreja não é de barro, mas de ouro. Ela é da natureza divina de Deus. Ela não é sem forma, mas tem forma. Ela não é trevas, mas resplandecente. Isso é a igreja!

As Sete Estrelas
O segundo sinal são as sete estrelas, que acompanham os candelabros. As sete estrelas são os mensageiros ou os anjos das igrejas (1:20). Em cada igreja existem alguns irmãos que são estrelas em espiritualidade. Eles são estrelas brilhan­tes. Em Daniel 12:3 é dito que aqueles que converterem muitos à justiça brilharão como estrelas. Em Mateus 13:43 o Senhor diz que o justo brilhará no reino vindouro como o sol. Mas os mensageiros da igreja não precisam esperar até a era vindoura para brilhar. Eles estão brilhando agora mesmo. Espero que todos os presbíteros nas igrejas sejam estrelas brilhantes. Quando as pessoas vão a eles, elas devem vir para a luz. Um estrela brilha, ilumina, em tempo de trevas. Ao olhar para as estrelas podemos aprender que tipo de pessoas devem ser os líderes na igreja.

Jaspe — a Aparência de Deus
Depois que João viu os candelabros e as estrelas bri­lhantes, ele viu um trono no céu e Alguém sentado no trono. Aquele, em aparência, era como pedra de jaspe (4:2, 3). João viu a Deus com aparência de jaspe. Jaspe é uma bonita cor esverdeada, significando plenitude de vida. A plenitude de vida é a aparência de Deus. Jaspe é também a aparência da Nova Jerusalém (21:11), e toda a sua muralha é construída de jaspe (21:18). Isso indica que a cidade inteira possui a aparência de Deus, porque ela é constituída daqueles que foram transformados em Sua imagem.
Devemos ler Apocalipse 21:11 com 2 Coríntios 3:18: "E todos nós com o rosto desvendado, contemplando e refletin­do como um espelho a glória do Senhor, estamos sendo transformados à Sua própria imagem de glória em glória" (lit.). Apocalipse 21:11 descreve a Nova Jerusalém como tendo a glória de Deus. O seu fulgor era semelhante a uma pedra preciosíssima, como pedra de jaspe cristalina. A cidade toda possui a glória de Deus e brilha como jaspe; isto é por­que toda a composição da Nova Jerusalém foi transformada na imagem de Deus. Aquele sentado no trono, que é Deus, assemelha-se ao jaspe, e a cidade inteira assemelha-se ao jaspe. Isso quer dizer que Gênesis 1:26 foi cumprido: "Façamos o homem à nossa imagem." O homem era para ser a expressão de Deus, e isso é cumprido na Nova Jerusalém. Toda a Nova Jerusalém é uma imagem, uma expressão, de Deus. A aparência de Deus pode ser descrita por um sinal, o sinal do jaspe.

O Leão da Tribo de Judá
Em Apocalipse 5:5 Jesus Cristo é chamado de o Leão da tribo de Judá. Esse título significa Cristo como o Rei triunfante. Todas as criaturas vivas estão debaixo Dele. Ninguém O pode subjugar; antes, Ele subjuga todas as coisas. A primeira vez que vi um leão no zoológico fiquei temeroso de que a grade não fosse bastante forte para restringir aquela criatura ousada e triunfante. Nada e ninguém pode subjugar o nosso Cristo.

O Cordeiro
Cristo não somente é um Leão, mas também um Cor­deiro (5:6). Para Satanás e todos os inimigos Cristo é um
Leão, mas para nós, os redimidos, Ele é um Cordeiro. Vocês têm medo de um cordeiro? Vocês podem ter medo de leão, mas sentem amor por um cordeiro. Para nós o Senhor Jesus é um Cordeiro, um Cordeiro redentor. Pensar que na eter­nidade, no trono de Deus haverá literalmente um cordeiro com quatro patas e uma cauda não é a maneira apropriada de entender a Bíblia. Lembro-os novamente, Apocalipse é um livro de sinais.

A Mulher Universal e o Filho Varão
A mulher universal em Apocalipse 12 está vestida com o sol. Em sua cabeça há uma coroa de doze estrelas e sob os seus pés está a lua (v. 1). Quem é essa mulher? A maioria dos expositores fundamentalistas seguem o ensino dos Irmãos Unidos, de que essa mulher representa Israel e o filho varão representa Cristo. Entretanto, depois de muito estudo da Palavra, percebemos no capítulo doze que essa mulher é composta de dois povos: aqueles que guardam os mandamen­tos de Deus e aqueles que carregam o testemunho de Jesus (v. 17). O povo que guarda a lei são os judeus, Israel. O povo que carrega o testemunho de Jesus são os crentes do Novo Testamento. Portanto, dizer que essa mulher representa Is­rael é somente verdade parcialmente, deixando de lado os crentes do Novo Testamento.
Dizer que o filho varão nascido dessa mulher é Jesus Cristo é errôneo. Depois que esse filho varão é arrebatado para o trono de Deus, três anos e meio se seguem. Os mil duzentos e sessenta dias em 12:6 são três anos e meio, os quais todos concordam ser o período da grande tribulação. A grande tribulação veio logo após a ascensão do Senhor? Ela ainda não veio! Isso indica fortemente que o filho varão aqui não é o Senhor Jesus.
A mulher veste uma coroa de doze estrelas na cabeça. Ela está vestida com o sol e a lua está sob os seus pés. Isso in­dica três categorias entre o povo redimido de Deus: os Patriarcas, Israel e os crentes do Novo Testamento. Os Patriarcas são representados pelas estrelas, Israel pela lua e os crentes do Novo Testamento pelo sol. Essa mulher é, por­tanto, uma composição com todo o povo redimido de Deus, incluindo os Patriarcas, os outros crentes do Velho Testamen­to e todos os santos do Novo Testamento.
O filho varão é os vencedores de todas as gerações. Através dos séculos, entre o povo de Deus um pequeno número tem sido martirizado. Esses foram os fiéis. Imediata­mente antes da grande tribulação, esses santos martirizados serão ressuscitados e arrebatados para o trono de Deus.

O Grande Dragão Vermelho e a Besta
O grande dragão vermelho significa o diabo, Satanás (12:3, 4). No começo do capítulo seguinte existe uma besta emergindo do grande mar, o Mediterrâneo (13:1, 2). Esse é o Anticristo. Na realidade ele é o César vindouro, o último César do Império Romano renascido.

A Colheita e as Primícias
Nesta terra, Deus tem uma colheita. Essa colheita re­presenta todos os santos do Novo Testamento vivendo na terra próximo ao tempo da volta do Senhor (14:15). Dentre esses crentes vivos sairão as primícias. Esses serão alguns vencedores vivendo entre os crentes que amadurecem mais cedo e tornam-se as primícias.

A Grande Babilônia
A grande Babilônia representa a Igreja Romana. Ela é chamada de a grande prostituta (17:1, 5) por causa das suas relações pecaminosas com os governadores da terra para o benefício dela.

A Esposa do Cordeiro
A esposa do Cordeiro, a noiva em Apocalipse 19:7, será todos os vencedores ao longo das gerações, incluindo os do
Velho Testamento, isto é, os vencedores mortos e ressurretos mais os vencedores vivos (as primícias). Eles serão a Sua noiva nos mil anos (20:4-6). Aquele dia será o dia do casamento. Mil anos para o Senhor são um dia (2 Pe 3:8). Todo o milênio será um dia de casamento. No dia do casamento a esposa é uma noiva, mas depois daquele dia ela torna-se uma esposa. Depois do milênio, na eternidade, a noiva é a esposa. Todos os vencedores entre o povo redimido de Deus serão Sua noiva.

A Nova Jerusalém
Agora chegamos ao último sinal, a Nova Jerusalém. A Nova Jerusalém é o conjunto de todos os candelabros. No começo desse livro existem sete candelabros, candelabros locais nesta era. No final desse livro existe um conjunto, um candelabro composto, não candelabros locais, mas o eterno, o universal. Apocalipse inicia com os candelabros e termina com o candelabro. Os candelabros são sinais das igrejas; a Nova Jerusalém é também um candelabro, o sinal do lugar de habitação de Deus.


UMA REVISÃO DOS SINAIS
Todos esses sinais são as cenas principais nesta tela da televisão divina de Apocalipse. O programa começa com sete candelabros, significando as igrejas; então seguem-se sete estrelas brilhantes, representando os mensageiros de todas as igrejas. Depois há uma pedra de jaspe, significando a aparência de Deus, e um leão e um cordeiro, ambos repre­sentando Cristo. Então aparece uma mulher universal com doze estrelas na cabeça, o sol vestindo-a, e a lua sob os seus pés, e um dragão vermelho pronto para engolir o seu filho; daí o filho varão gerado por ela é arrebatado ao trono de Deus. Depois há uma besta emergindo do Mar Mediterrâneo, há uma colheita nesta terra, e desta colheita há as primícias. Vemos, então, uma grande prostituta, a grande  Babilônia,   terrível,   feia,   abominável;   mas  então, aleluia, uma linda esposa, a noiva; então finalmente, algo mais brilhante, maior, a Nova Jerusalém, a qual é o tabernáculo de Deus assim como Jesus era o tabernáculo de Deus quando Ele estava na terra.
Essa Nova Jerusalém não é somente um tabernáculo para Deus, mas também uma esposa para o Filho de Deus, Jesus Cristo. Deus terá um tabernáculo e Cristo terá uma esposa. Tanto o tabernáculo como a esposa são o mesmo: a Nova Jerusalém.


ENTENDENDO APOCALIPSE
Esse é o livro de Apocalipse, contendo todos esses sinais cruciais. Se vocês os entendem, entendem todo o livro de Apocalipse. Com tal visão clara e exata, vocês crêem que a Nova Jerusalém será uma cidade física edificada por Deus ao longo de todos os séculos? Apocalipse é um livro de sinais. Cada item principal é um sinal. Sinais não devem ser inter­pretados literalmente. Vocês acham que a igreja é um suporte de verdade com sete lâmpadas brilhando? Isso é um entendimento errado. Vocês crêem que Jesus Cristo é um cordeiro de verdade? Isso é ridículo! Crêem que o César vin­douro do Império Romano será uma besta de verdade que emerge do Mar Mediterrâneo e pula para a margem? Crêem que a esposa do Cordeiro em Apocalipse 19 será uma mulher adornada com um longo vestido de casamento? Novamente, não faz nenhum sentido entender esses fatos dessa maneira.


INTERPRETANDO A NOVA JERUSALÉM
E quanto a Nova Jerusalém? No mesmo princípio, não faz nenhum sentido pensar na Nova Jerusalém como uma cidade física. Não é porque esse livro usa o leão como um sinal de Cristo como o rei triunfante, que devemos pensar que Cristo é como um leão no zoológico. O leão não é um leão de verdade, mas ele é um sinal de Cristo como o rei triunfante. O cordeiro não é um cordeiro de verdade, mas é um sinal de Cristo como o Redentor. Da mesma forma, a
Nova Jerusalém é um sinal; ela representa algo espiritual.
Um princípio de interpretação da Bíblia é ser consis­tente. Desde que não tomemos os outros sinais literalmente, podemos estar certos de que a Nova Jerusalém não é uma cidade física nela para vivermos. Tal interpretação é total­mente natural. Se não interpretam Cristo como um leão com quatro pernas e uma cauda, por que vocês pensariam que a Nova Jerusalém é uma cidade de verdade? O leão é um sinal, e a cidade é também um sinal.

A Chave para Apocalipse
Apocalipse 1:1 é o versículo chave para todo o livro. So­mente essa única chave pode abrir todas as portas. Temos a chave-mestra. Podemos ir a qualquer porta e abri-la. Devemos tomar 1:1 como a chave-mestra. O ponto chave é "por meio de sinais". Todas as figuras nesse livro são sinais.
Os mestres fundamentalistas concordariam certamente que Cristo como o cordeiro não tem quatro pernas e uma pe­quena cauda. Eles não fariam tal interpretação ridícula. Mas e quanto a Nova Jerusalém? Quando jovem, também cria que a Nova Jerusalém era uma mansão celestial. Eu ficava alegre com a crença de que um dia estaríamos em uma mansão. Como parte de nossa pregação do evangelho, tivemos uma música acerca de como entraríamos pelos portões de pérolas e andaríamos na rua de ouro. Gradualmente, entretanto, à medida em que estudava a Bíblia descobri que a Nova Jerusalém é uma esposa. Quem casaria com uma cidade literal? Mesmo se tivesse doze portões com pérolas e uma rua de ouro, alguém casaria com ela?
Ao estudar e entender a Palavra Sagrada, os cristãos freqüentemente trazem os seus pensamentos naturais. No novo céu e nova terra habitaremos na Nova Jerusalém. Mas não devemos pensar na Nova Jerusalém como uma cidade física. É Deus quem será a nossa morada. Quando jovem, ouvi alguns mestres da Bíblia discutindo o que comeríamos e onde seria o banheiro na "mansão celestial". Quão pobre é trazer o nosso pensamento natural!
Hoje perguntei a alguns santos se eles estão na igreja. Quando responderam sim, pedi-lhes que me mostrassem a igreja. O Novo Testamento nos diz que a igreja é a casa de Deus, e que Deus está habitando em Sua casa; mas onde está a igreja? A igreja, como a casa de Deus e como nosso lar, não é um edifício físico, mas uma composição de crentes vivos (1 Pe 2:5). Ela não é uma entidade física, sem vida, mas uma composição orgânica de pessoas vivas. Ela existe onde quer que os crentes se reúnam. A igreja como a casa de Deus hoje é uma composição de pessoas vivas; é uma pessoa coletiva. Isso é verdadeiro nesta era e o será na eternidade.

Consistente com Toda a Bíblia
A idéia da casa de Deus está também no Velho Tes­tamento. Moisés diz em Salmos 90:1: "Senhor, Tu tens sido nossa habitação de geração em geração" (lit.).
O Senhor Jesus disse que se alguém O ama, Seu Pai e Ele virão a ele e farão nele morada (Jo 14:23). Seremos a Sua morada, e Ele será a nossa morada. Em João 15 o Senhor diz: "Permanecei em mim e eu permanecerei em vós" (v. 4). Em 1 João 3:24 e 4:15 (lit.) diz que nós habitamos em Deus e Deus habita em nós.
Nesta era da igreja estamos habitando em Deus e Deus está habitando em nós. Vocês crêem que quando entrarmos no novo céu e nova terra Deus sairá de nós e nós sairemos de Deus? Se nesta era podemos habitar em Deus, tomando-O como nossa habitação, e podemos dar a Deus um lugar em nós, não é lógico pensar que na eternidade não mais O teremos como o nosso lugar de habitação, mas que viveremos em uma cidade de ouro como nosso lugar de habitação.
Temos de crer que o nosso habitar no Senhor e Seu habitar em nós será intensificado, ampliado e elevado ao máximo. É por isso que João diz que viu que a cidade não tinha templo nela, "porque o seu santuário é o Senhor, o Deus Todo-poderoso e o Cordeiro" (Ap 21:22). Essa é uma forte indicação de que a cidade não é um lugar físico. Nessa cidade o templo é uma Pessoa. Essa Pessoa é Deus e o Cordeiro. O próprio Deus Triúno será o templo. Se o santuário dentro da cidade é uma Pessoa, vocês crêem que a cidade poderia ser algo sem vida?
Desde que o santuário é uma Pessoa divina, o próprio Deus Triúno, a cidade tem de ser pessoas também. Na realidade, a cidade inteira é o Santo dos Santos com três dimensões iguais (1 Rs 6:20; Ap 21:16). Uma vez que o Deus Triúno será o templo e a cidade inteira será o Santo dos San­tos, a cidade não pode ser algo físico. Ela tem de ser uma composição orgânica.
Nos tempos do Novo Testamento a habitação de Deus nesta terra foi primeiramente uma única Pessoa, Jesus Cristo. Ele era o tabernáculo de Deus. Então, depois Dele, a igreja é o templo de Deus (Ef 2:21, 22; 1 Co 3:16). Jesus, uma única Pessoa, era o tabernáculo de Deus, Seu lugar de habitação. Então, a igreja, como uma pessoa coletiva tornou-se o templo de Deus, a habitação de Deus. Esse é o Novo Tes­tamento. Depois da era do Novo Testamento, quando entrarmos na eternidade, a habitação de Deus não mudará de pessoas vivas para uma cidade sem vida, física. Temos de crer que essas pessoas edificadas juntas como o lugar de habitação de Deus serão ampliadas e intensificadas. Na era vindoura haverá uma ampliação destas pessoas vivas como o lugar de habitação de Deus.

Não uma Cidade Literal
Se a Nova Jerusalém fosse uma cidade de verdade feita de ouro, pérolas e pedras preciosas, isso significaria que uma cidade física seria a conclusão de toda a revelação. Isso não é lógico. Deus tem trabalhado ao longo das eras. Primeiro Ele criou o universo. Então Ele criou o homem. Posteriormente se encarnou para redimir o homem. Ele viveu nesta terra, foi crucificado, e então ressuscitou, ascendeu, e se derramou como o Espírito sobre Seus discípulos. Os discípulos então saíram para pregar o evangelho. Muitos têm sido salvos e acrescentados à igreja; eles estão sendo edificados como o Corpo para expressar Cristo. Vocês crêem que o resultado final será Deus ganhando meramente uma cidade física? Pensa que essa é a intenção de Deus?
Se esse fosse o caso, Deus seria um pobre arquiteto. Mediante a Sua criação, encarnação, crucificação, ressurreição, e ascensão, mediante a Sua edificação das igrejas e aperfeiçoamento dos santos geração após geração, Deus está preparando algo muito maior do que uma grande cidade literal. Deus já criou algo mais esplêndido do que uma cidade — o universo. O sistema solar é lindo, mas Deus não está satisfeito com aquilo. Como Ele poderia ficar satisfeito com uma cidade, mesmo uma cidade que é em tamanho a metade dos Estados Unidos? Interpretar tal visão, tal sinal, de maneira natural é errado.
A igreja hoje é o nosso lar. Quando viemos à igreja, viemos ao lar. A igreja está em Deus. A vida da igreja com Deus está em todo lugar. Há igreja em Dallas, Houston, Hong Kong, e em toda a terra. Aleluia! Aonde quer que vamos, nosso lar está lá. Nosso lar é a igreja. Por que nos preocupar se teremos uma casa na Nova Jerusalém? Não precisamos nos preocupar a esse respeito. Deus não está in­teressado nessas coisas físicas. Esse pensamento físico tem de ir embora.

O Lugar de Habitação de Deus pela Eternidade
Deus se importa é com uma composição viva de Seu povo escolhido, redimido, regenerado, transformado e glorificado. Tudo isso será edificado junto para expressar Deus pela eternidade. Isso satisfará a Deus para sempre. Satanás estará no lago de fogo. Deus estará em Sua habitação viva. Todos aqueles que Ele criou, escolheu, redimiu, regenerou e transformou serão glorificados à Sua imagem. Ele estará vivendo neles e eles estarão vivendo Nele. Ninguém pode explicar adequadamente tal conceito profundo. Maravilhoso! Isso será a habitação de Deus e a esposa de Seu querido Filho, Cristo. Nenhum edifício físico pode ser uma esposa. Uma esposa é algo orgânico, uma pes­soa viva.
A Nova Jerusalém significa a habitação de Deus no novo céu e nova terra. No Novo Testamento, o lugar de habitação de Deus na terra foi primeiramente um único Homem, Jesus Cristo, representado pelo tabernáculo (Jo 1:14), e, então, um homem coletivo, a igreja, representada pelo templo (1 Co 3:16). No novo céu e nova terra, a habitação de Deus, como a esposa do Cordeiro (Ap 21:9,10), é também uma composição viva de Seu povo redimido, com­posto tanto dos santos do Velho Testamento, representados pelas doze tribos, como pelos santos do Novo Testamento, representados pelos doze apóstolos (Ap 21:12,14).
Essas pessoas edificadas juntas para ser a habitação de Deus, primeiramente experimentaram a regeneração por meio da morte e ressurreição de Cristo. Isso é representado pelas portas de pérolas, a entrada das pessoas para a cidade. Uma pérola é produzida por uma ostra, uma criatura viva nas águas da morte. Quando um grão de areia fere a ostra, ela secreta uma substância ao redor da areia, a qual faz com a areia se torne uma pérola. A ferida da ostra significa morte, e a secreção do suco de vida em volta do grão de areia significa a vida de ressurreição. A morte e ressurreição de Jesus nos fazem pérolas por meio da regeneração. Ninguém pode entrar no reino de Deus a não ser pela regeneração (Jo 3:5).
Na cidade santa a natureza de Deus ou essência de Deus torna-se nosso elemento básico, representado pelo ouro (Ap 21:18b, 21b); a própria cidade é de ouro e a rua é de ouro. A essência de todos os crentes é simplesmente o próprio Deus.
Pela obra do Espírito seremos transformados à imagem de Deus, representado pelo jaspe. A natureza do Pai (ouro), a redenção do Filho e a nossa regeneração (pérola), e a obra transformadora do Espírito (pedras preciosas) produzem todos os componentes dessa habitação eterna de Deus. A habitação de Deus é também a nossa habitação. Nós também seremos edificados juntos para sermos o Lugar Santíssimo de Deus, expressando-O em glória.

O Ultimo e Maior Sinal
Espero que todos sejamos impressionados com a interpretação e o entendimento apropriados desse último e maior sinal em toda a Bíblia. De todos os sessenta e seis li­vros da Bíblia, a Nova Jerusalém é o último e o maior sinal. A última palavra é a palavra decisiva. Deus, mediante a criação, encarnação, redenção, ressurreição, ascensão e toda a Sua obra de transformação e edificação ao longo de todos estes séculos cristãos, obterá uma composição viva de Seu povo redimido para ser a Sua habitação e Sua companheira para satisfazê-Lo plenamente. Unir-nos-emos a Ele porque seremos a Sua companheira.
O Senhor Jesus disse aos saduceus em Mateus 22:30 que na ressurreição não haverá casamento, mas que todos seremos como os anjos. A Bíblia não nos fala de questões ou relações físicas na eternidade. O que ela revela é elevado e profundo. Temos de ser libertos de nossa mentalidade humana e natural ao considerar a Nova Jerusalém como uma habitação física. Temos de perceber o que está no coração de Deus. Ele precisa de uma habitação eterna, composta de bilhões de pessoas vivas transformadas e glorificadas, para serem o Seu lugar de habitação e a Sua querida esposa, Sua companheira. Essa consumação final e máxima faz com que valha a pena para Ele trazer a criação à existência, encarnar-se, morrer na cruz, ser ressuscitado, e gastar tantos séculos para edificar as igrejas.
Se a Nova Jerusalém fosse uma cidade literal, ela seria somente a metade, em tamanho, dos Estados Unidos (cf. Ap 21:16). Os Estados Unidos hoje têm uma população de quase um quarto de bilhão de pessoas. Através das gerações, porém, Deus terá salvo bilhões de pessoas. Como poderiam bilhões viver em uma cidade que é em tamanho a metade dos Estados Unidos? Não devemos seguir os ensinamentos naturais, mas, antes, exercitar a nossa mente sóbria para ver o que Deus deseja.

A Palavra é a verdade. Agradecemos a Deus por Ele nos haver dado esse livro. Temos algo sólido na linguagem humana que podemos estudar muitas vezes. O Senhor Jesus disse a Pedro que Ele edificaria a Sua igreja sobre essa rocha (Mt 16:18). Pedro nos diz que todos nós, como pedras vivas, estamos sendo edificados uma casa espiritual (1 Pe 2:5). Paulo diz que ele lançou o fundamento, mas todos nós temos de ser cuidadosos em como edificamos: temos de edificar com ouro, prata e pedras preciosas (1 Co 3:10-12). O pen­samento da edificação de Deus está ao longo de todo o Novo Testamento até o fim. É por isso que dizemos que a Nova Jerusalém é a consumação final e máxima da obra de edificação de Deus ao longo de todas as gerações.