segunda-feira, 29 de julho de 2013

A revelação básica nas Escrituras sagradas - Witness Lee - Capítulo 11_fim

Capítulo Onze

A NOVA JERUSALÉM —
A CONSUMAÇÃO FINAL E MÁXIMA
(4)

Leitura da Bíblia: Ap 21:3,4,6,7,24,26; 22:2-5,14,17
A Nova Jerusalém é a consumação de toda a revelação divina. Os sessenta e seis livros da Bíblia têm uma conclusão, e essa conclusão é a Nova Jerusalém. A Bíblia começa com a criação de Deus e finaliza com o Seu edifício. A criação não é o objetivo de Deus. Ela é para o Seu objetivo, que é a edificação. Essa idéia da edificação divina percorre toda a Bíblia.

O VELHO TESTAMENTO
A visão do edifício de Deus veio primeiro para Jacó. En­quanto estava fugindo de seu irmão Esaú, ele teve um sonho. Sonhou com a casa de Deus, Betel (Gn 28:11-19). Mais tarde, Deus trouxe os descendentes de Jacó para fora do Egito e para o monte Sinai, onde ficaram por um longo tempo. Enquanto estavam ali, Deus mostrou-lhes o projeto celestial de um edifício, o tabernáculo, que seria a habitação de Deus entre Seu povo na terra.
Depois que eles entraram na boa terra, Deus quis que edificassem o templo. O Velho Testamento é uma história principalmente do tabernáculo e do templo. Esses dois são um — o lugar de habitação de Deus nesta terra entre Seu povo. A história dos descendentes de Jacó é uma história do tabernáculo e do templo no Velho Testamento. Esses dois foram o centro, o foco da história do povo de Deus no Velho Testamento nesta terra.

O NOVO TESTAMENTO
No Novo Testamento vemos Deus encarnado. Deus tor­nou-se carne. João 1:14 nos diz que Este que se encarnou "tabernaculou entre nós" (lit.). João usou particularmente esta palavra "tabernaculou." Isso indica que quando o Se­nhor Jesus estava na terra, em carne, Ele era o tabernáculo de Deus. Em prefiguração o tabernáculo edificado em Êxodo era um tipo completo da encarnação do Senhor; o Senhor encarnou-se para ser a própria corporificação de Deus nesta terra. Essa corporificação era a habitação de Deus. Colossen-ses 2:9 nos diz que a plenitude da Deidade habita em Cristo corporeamente, em Cristo com um corpo humano, físico. O próprio Cristo era a corporificação de Deus, e essa corporificação era o tabernáculo de Deus.
Em João 2:19 o Senhor disse aos judeus: "Destruí este santuário, e em três dias o reconstruirei." O corpo do Senhor Jesus era o templo de Deus (v. 21). Em João 1 está o tabernáculo e em João 2 está o templo. A palavra do Senhor Jesus "em três dias" significa a Sua ressurreição. Paulo nos diz em Efésios 2:6 que quando Cristo foi ressuscitado, nós fomos ressuscitados juntamente com Ele. Pedro diz mais adiante que por meio daquela ressurreição todo-inclusiva todos fomos regenerados (1 Pe 1:3). Nascemos de Deus e somos os Seus filhos. Isso implica que o próprio templo que o Senhor Jesus edificou em três dias, isto é em Sua ressurreição, não é algo individual, mas algo coletivo. Portan­to, nas Epístolas nos é dito que a igreja como o Corpo de Cristo é o templo de Deus. Em 1 Coríntios 3:16 diz que os santos são templo de Deus.
O Novo Testamento termina com a Nova Jerusalém, e a Nova Jerusalém como a conclusão da Bíblia é chamada de tabernáculo (Ap 21:3). João disse que ele não viu nenhum templo na cidade santa, "porque o seu santuário é o Senhor, o Deus Todo-poderoso e o Cordeiro" (21:22).
Como temos enfatizado, a medida da Nova Jerusalém é a mesma em comprimento, largura e altura. Nas três dimensões  a cidade mede doze mil estádios  (21:16).  O princípio revelado na Bíblia é que um edifício com três dimensões iguais indica o Santo dos Santos. O Santo dos San­tos no tabernáculo era de dez côvados nas três dimensões. O Santo dos Santos no templo de acordo com 1 Reis 6:20, era também de três dimensões iguais, de vinte côvados cada. De acordo com a medida da Nova Jerusalém, então, esta cidade santa deve ser o Santo dos Santos. Se lermos Apocalipse 21 cuidadosamente, podemos ver que a cidade santa é tanto o tabernáculo como o templo.
Tanto o Velho Testamento como o Novo Testamento estão focalizados no tabernáculo e no templo como a habitação de Deus. Então a conclusão de toda a Bíblia, tanto o Velho Testamento como o Novo, é também o tabernáculo e o templo. No Velho Testamento o tabernáculo prefigurava Cristo individualmente como o tabernáculo de Deus, e o templo tipificava Cristo coletivamente como o templo de Deus. O que temos aqui é Cristo e a igreja. Cristo é o cumprimento do tipo do tabernáculo, e Cristo como a Cabeça com a igreja como Seu corpo, juntos, cumprem a figura do templo. Isso terá uma consumação, e essa consumação final e máxima será a Nova Jerusalém, a qual é tanto o tabernáculo como o templo. Aqui está a consumação final e máxima da habitação de Deus, a qual Ele tem edificado por séculos. Esta Nova Jerusalém é, além disso, uma composição viva de todos os santos do Velho Testamen­to, assim representados pelos nomes das doze tribos, e de todos os santos do Novo Testamento, assim representados pelos nomes dos doze apóstolos. Ela é a composição viva do povo redimido de Deus para ser o lugar eterno de Sua habitação.

QUATRO DISPENSAÇÕES PARA A EDIFICAÇÃO DE DEUS
Na velha criação, antes da vinda do novo céu e nova terra, há quatro dispensações. A dispensação dos Patriarcas, de Adão a Moisés, foi a dispensação antes da lei. Vocês podem chamá-la de dispensação pré-lei ou dispensação dos Patriarcas. A segunda é a dispensação da lei, de Moisés à primeira vinda de Cristo. A terceira é a dispensação da graça, durando da primeira vinda de Cristo até a Sua segunda vinda. Então, com a Sua segunda vinda, a quarta dispensação começará, isto é, o reino de mil anos de Cristo. Depois desta quarta dispensação, a velha criação certamente estará inteira­mente renovada porque por meio das dispensações Deus terá cumprido o que pretendeu cumprir.
A obra criadora de Deus foi completada nos dois pri­meiros capítulos da Bíblia. Então a partir da segunda metade de Gênesis 2, Deus começou a Sua obra de edificação. Essa obra continua por todas as quatro dispensações: a dispensa­ção dos Patriarcas, a dispensação da lei, a dispensação da graça e finalmente a dispensação do reino milenar. Por meio dessas quatro dispensações Deus realiza a Sua edificação.

A OBRA DE DEUS  - UMA OBRA DE EDIFICAÇÃO
A obra de Deus por meio de todas as quatro dispensações é uma obra de edificação. No Velho Testamento vemos a edificação do tabernáculo e do templo, a qual era o foco da história do Velho Testamento. Quando o Senhor Jesus veio, Ele era o tabernáculo. Depois de ajudar os discípulos a perceberem que Ele era o Cristo, o Filho do Deus vivo, Ele imediatamente revelou que Ele edificaria a Sua igreja (Mt 16:18). A palavra do Senhor indicava que Ele estava fazendo uma obra de edificação.
Essa idéia de edificação é muito forte na Bíblia. Mesmo em Atos 4 Pedro disse aos líderes judeus que eles eram os edificadores que rejeitaram a Cristo, a pedra viva, contudo Deus O ressuscitou e O fez a pedra angular de Seu edifício (At 4:10, 11). Pedro nos diz em seu escrito que o Senhor é a pedra viva, e nós todos como pedras vivas vimos ao Senhor e estamos sendo edificados uma casa espiritual (1 Pe 2:4, 5).
Paulo também fala da edificação. Ele nos diz que ele lançou o único fundamento, e que ninguém pode lançar outro. O problema, entretanto é como nós edifícamos sobre ele. Podemos edificar com ouro, prata e pedras preciosas ou com madeira, feno e palha (1 Co 3:10-12).
Nos escritos de João a idéia de edificação é mais forte. Quando Simão veio ao Senhor Jesus em João 1:41, 42, o Se­nhor mudou o seu nome para Cefas, uma pedra. Mais tarde no mesmo capítulo o Senhor disse a Natanael que ele veria "o céu aberto e os anjos de Deus subindo e descendo sobre o Filho do homem" (v. 51). Na verdade, o Senhor estava referindo a Natanael o sonho de seu antepassado Jacó (Gn 28:12, 17, 19), indicando que uma obra de edificação de Betel, a casa de Deus, estava se iniciando. Então no capítulo dois o Senhor indicou que Ele edificaria o Seu corpo em ressurreição como o templo coletivo de Deus (2:19, 21, 22).
João escreve mais adiante em Apocalipse que os ven­cedores serão edificados no templo de Deus como coluna (Ap 3:12). Finalmente, em Apocalipse 21, ele nos mostra que a consumação final e máxima dessa obra de edificação será a Nova Jerusalém, o tabernáculo e templo de Deus, edificada com ouro, pérolas e pedras preciosas, e tendo os apóstolos como as doze pedras fundamentais.
Notem, então, que em toda a Bíblia somente um capítulo e meio estão na criação de Deus. O resto da Bíblia, da segunda metade de Gênesis 2 ao final de Apocalipse, está na edificação de Deus. Essa edificação é denominada o tabernáculo e o templo muitas vezes no Velho Testamento, no Novo Testamento, e na conclusão da Bíblia. No Velho Tes­tamento estão o tabernáculo e o templo. No Novo Testamento está a realidade do tabernáculo e do templo. Na conclusão desses dois testamentos está a consumação final e máxima do tabernáculo e do templo.

O AGREGADO DA FILIAÇÃO DIVINA
Essa consumação, a Nova Jerusalém, é o agregado da filiação divina para ar opressão coletiva do Deus Triúno (Rm 8:23). O Filho é a expressão do Pai. Ninguém jamais viu o Pai, mas o Filho unigênito O revelou (Jo 1:18). Um pai e seus filhos possuem uma imagem. A face dos filhos é como a face do pai. Jesus Cristo como o Filho de Deus é a própria expressão de Deus, o Pai. Deus, entretanto, gostaria de ter mais do que um filho. Cristo é referido como sendo o unigênito em João 1:18 e em 3:16, onde se diz que Deus deu o Seu Filho unigênito. Em Romanos 8:29 conhecemos que em ressurreição esse único Filho de Deus tornou-se o primogênito entre muitos irmãos. O Senhor Jesus em Sua ressurreição incumbiu uma das irmãs para ir "ter com meus irmãos" (Jo 20:17), e Hebreus 2:11 diz que Ele "não se en­vergonha de lhes chamar irmãos" porque eles todos nasceram do mesmo Pai. A única diferença é que Ele é o primeiro Filho, e nós somos os muitos filhos.

Conduzindo Muitos Filhos à Glória
O Deus Triúno está ainda trabalhando hoje para con­duzir Seus muitos filhos à glória (Hb 2:10). Somos filhos de Deus, mas não estamos na glória ainda. Assim como uma lagarta é transformada em uma borboleta, assim nós estamos sendo conduzidos para a glória. Aleluia! estamos a caminho! Um dia todos estaremos lá em glória como os muitos filhos de Deus. Romanos 8:18-22 nos diz que toda criação caída, agora sob a escravidão da corrupção, espera ansiosamente para ver-nos em glória. Aquela glória será a liberdade da glória dos filhos de Deus, que é a nossa plena redenção (v. 23). O nosso corpo ainda não foi redimido, mas uma dia ele será transfigurado em um corpo glorioso (Fp 3:21). Essa plena redenção de nosso corpo é a filiação plena. O nosso espírito já nasceu de Deus, mas nosso corpo ainda não foi trazido à filiação. O universo inteiro está esperando ansiosa­mente pela parte final de nossa redenção. A criação quer ver todos os filhos de Deus conduzidos à glória para desfrutar a plena filiação deles.

Filhos, Irmãos e Membros
Antes da Sua ressurreição, Cristo era o Filho unigênito de Deus, mas por meio da morte e ressurreição Ele tornou-se o primogênito, seguido por muitos filhos que foram produzidos por meio de Sua morte e ressurreição. Agora, para Deus somos os muitos filhos, para Cristo, somos os muitos irmãos, e para o Seu Corpo, somos membros. É por isso que nos chamamos de irmãos. Somos irmãos uns dos ou­tros porque somos os irmãos de Cristo e os filhos de Deus. Isso é filiação. Isso é uma entidade coletiva.

Filiação Total
A Nova Jerusalém é o agregado da filiação divina. Há somente uma única filiação divina; todos estamos nessa única filiação. Na ressurreição todos seremos homens, incluindo as irmãs. Nesse corpo da velha criação ainda temos a diferença entre irmãos e irmãs, mas em ressurreição todos seremos homens, irmãos. A filiação total será completada por meio do arrebatamento e ressurreição vindouros. Quando estivermos lá na Nova Jerusalém, aquilo será um agregado da filiação divina. Essa filiação é para a expressão coletiva do grande Deus que é triúno — o Pai, o Filho e o Espírito.

PREDESTINADOS PARA A FILIAÇÃO
Essa filiação cumpre o desejo da predestinação de Deus. Efésios 1:4, 5 nos diz que antes da fundação do mundo Deus nos predestinou para a filiação. Quando jovem, eu amava esses versículos, mas pensava que Deus me havia predes­tinado para os céus. Então pensei que fui predestinado para a salvação. Muitos de nós podem ter pensado a mesma coisa. Muitas vezes quando lemos a Bíblia lemos nela algo de nossa mente. A Bíblia não diz que Deus nos tem predestinado para os céus ou para a salvação. Ela diz que fomos predestinados para a filiação.
Deus tomou uma firme decisão antes da fundação do mundo para fazer de você um filho. Todo escolhido é um pecador, até mesmo um inimigo de Deus, mas Deus tem a habilidade redentora para fazer de você, que é um pecador e um inimigo Dele, um de Seus filhos. Essa é a maravilha das maravilhas. Deus fez de nós, que éramos Seus inimigos, Seus filhos.
João diz que a todos que O recebem, isto é, que creêm em Seu nome, será dada a autoridade de serem filhos de Deus (Jo 1:12). Esses são nascidos de Deus. Ele veio para ser o tabernáculo (1:14), desejando que O recebêssemos e assim nascêssemos como filhos. A intenção do Senhor Jesus, o tabernáculo, era que nascêssemos como filhos para sermos os componentes do templo vindouro (Jo 2:19, 21, 22)


FILIAÇÃO EM ROMANOS 8
Em Romanos 8 Paulo é forte nessa questão de filiação. Romanos 8 diz: "Pois todos os que são guiados pelo Espírito de Deus são filhos de Deus" (v. 14). Deus não nos tem dado um espírito de escravidão mas um espírito de filiação (v. 15). O Seu Espírito testifica com o nosso espírito que somos fi­lhos de Deus (v. 16). Toda a criação está aguardando ansiosamente por essa nossa filiação (v. 19). Deus está agora nos conformando à própria imagem do Primogênito, Cristo (v. 29). Somos os Seus irmãos hoje, mas não plenamente. Nós estamos no processo. Quando estivermos conformados à ima­gem do Primogênito, seremos a Sua própria expressão de uma maneira coletiva.


UMA EXPRESSÃO COLETIVA DE DEUS
Em Apocalipse, Deus sentado no trono se assemelha a jaspe (4:3). Então em 21:18 João nos diz que a muralha da cidade era feita de jaspe. Esses dois versículos nos dizem que a Nova Jerusalém se parecerá com Deus. A cidade será uma expressão coletiva de Deus.
Que Deus terá uma expressão coletiva está também in­dicado em Sua criação do homem. Antes das eras, Deus nos predestinou para a filiação. Então Ele criou o homem à Sua própria imagem, de acordo com a Sua predestinação, com a intenção de que um dia este homem criado fosse a Sua expressão coletiva. Aquele dia ainda não chegou. Quando as quatro dispensações terminarem — as dispensações dos Patriarcas, da lei, da graça e do reino —, a obra de Deus em conformar-nos à imagem do Primogênito será completada. Então seremos uma entidade viva coletiva, possuindo a ima­gem de Deus.
A Nova Jerusalém é o agregado de todos os filhos como a expressão coletiva. Ela é uma composição de todos os queridos santos redimidos por Deus em todas as dispensações, tanto as do Velho como do Novo Testamento. Eles juntos serão os componentes dessa cidade santa, o agregado da filiação divina, expressando Deus coletivamente para cumprir o desejo de Seu coração, como indicado na Sua criação do homem à Sua própria imagem. Apocalipse 21 e 22 são o cumprimento de Gênesis 1:26 — Deus tendo um homem à Sua imagem.


DUAS CATEGORIAS
No novo céu e nova terra existem duas categorias de pessoas. Uma são os muitos filhos e a outra são os povos. Quando estivermos na Nova Jerusalém, seremos os filhos de Deus, não os povos de Deus.
Na Inglaterra há uma família real. Eles não são "o povo", mas os que reinam. Santos, vocês já consideraram que não estão entre o povo comum? Vocês são da família real. João nos diz em Apocalipse 1:6 que Cristo tem-nos feito "um reino, sacerdotes para seu Deus e Pai." Somos os filhos do Deus Todo-poderoso, que é o Rei dos reis. Isso nos faz membros, familiares da família real. Não somos somente fi­lhos de Deus mas também membros da família real.
Em Apocalipse 21:3 se diz: "Eles serão povos de Deus." Então em 21:7 se diz: "O vencedor... me será filho." Em 21:24 estão "as nações". As nações andarão mediante a luz da cidade santa. Nós, os filhos, a família real, somos a cidade santa. Para Deus, então, Seus Filhos são uma categoria e Seu povo é outra.
Em Londres, fui levado para ver a troca da guarda em frente do portão do Palácio de Buckingham. Mesmo na grande cidade de Londres, há uma "pequena cidade" chamada Palácio de,Buckingham, onde a família real vive. A
Nova Jerusalém será o Palácio de Buckingham celestial, espiritual, divino e eterno. Em volta da cidade real estão as nações.
No novo céu e nova terra não seremos os povos, as nações, mas os filhos. Os filhos de Deus em Apocalipse 21:6, 7 são aqueles que nasceram de Deus por meio da regeneração (Jo 1:12, 13; 1 Pe 1:3, 4, 23; Tg 1:18). Eles estão edificados juntos por meio da transformação (1 Co 3:9-12a; Ef 2:20-22; 1 Pe 2:4-6; 2 Co 3:18; Rm 12:2; Ef 4:23, 24). Eles serão glorificados em plena conformação para serem uma expressão coletiva do Deus Triúno (Rm 8:29, 30; Hb 2:10; Ap 21:11). As nações do lado de fora da Nova Jerusalém não são de nascidos de novo, transformados ou glorificados. Somos diferentes das nações.

Os Filhos de Deus
As pessoas que são renascidas, transformadas, glorificadas e conformadas serão os componentes da Nova Jerusalém. Hoje os crentes como os membros do Corpo de Cristo são os componentes da igreja, que é tanto a casa de Deus como a esposa de Cristo. A igreja não é um edifício. Ela é uma composição viva de todos os membros vivos de Cristo. Essa composição viva é um organismo. Não é uma organização. Onde essas pessoas estão, ali está o organismo. Estamos aqui como esse organismo, a igreja. Se mudarmos para Brasília, esse organismo estará ali em Brasília.
Esses componentes — os filhos de Deus regenerados, transformados, glorificados e conformados para ser tanto a casa de Deus como a esposa de Cristo (Ap 21:3, 9) — na eternidade comerão da árvore da vida e beberão a água da vida. Esses serão os dois desfrutes principais, substanciais e básicos dos filhos de Deus. Apocalipse 22:14 promete que teremos o direito de comer da árvore da vida. Em Apocalipse 22:17 existe um chamado para beber água. Esses serão nossos desfrutes básicos na Nova Jerusalém pela eternidade.
Então serviremos a Deus e ao Cordeiro como Seus escravos (Ap 22:3) pela eternidade. Também seremos reis sobre as nações — os povos — pela eternidade. Apocalipse 22:5 diz que reinaremos "pelos séculos dos séculos." Os cren­tes como filhos de Deus serão todos reis. Os anjos serão os que servem (Hb 1:13,14), servindo-nos. Eles são os servos da família real, e nós somos reis sobre as nações. Este é o reino de Deus na eternidade.

Os Povos de Deus
Os povos de Deus em Apocalipse 21 são o remanes­cente das ovelhas descritas em Mateus 25:31-46. Quando o Senhor Jesus voltar, Ele sentará em Seu trono de glória em Jerusalém e reunirá todos os diversos povos vivos das nações para Ele. Eles serão classificados era ovelhas e cabritos e Ele os julgará. Os cabritos, que estão à Sua esquerda, irão direta­mente para o lago de fogo. As ovelhas, à Sua direita, herdarão o reino milenar, que Deus preparou para eles desde a fundação do mundo. Fomos predestinados para a filiação antes da fundação do mundo, mas o milênio foi preparado por Deus para essas ovelhas desde a fundação. Há uma diferença. Esse julgamento não será no grande trono branco (Ap 20:11), que segue o milênio. Ele será no trono da glória de Cristo antes dos mil anos. O julgamento não será de acor­do com a lei de Moisés nem de acordo com o evangelho da graça, mas de acordo com o evangelho eterno (Ap 14:6, 7). Muitos cristãos nunca ouviram a respeito do evangelho eter­no. Ele não inclui redenção nem perdão de pecados. Ele compreende duas coisas: temer a Deus e adorá-Lo. Esse evangelho será pregado por um anjo no tempo da grande tribulação, que durará três anos e meio. Esse é o tempo no qual o Anticristo fará tudo o que puder para perseguir os judeus e os cristãos. Em Mateus 25, de acordo com o veredito do julgamento de Cristo, os judeus e os cristãos serão tratados muito bem pelas ovelhas (vs. 34-36). Mas muitos seguirão o Anticristo na perseguição aos judeus e aos cristãos. Cristo fará o Seu julgamento adequadamente, e aquele julgamento se.a de acordo com o evangelho eter­no.
As ovelhas serão transferidas para o reino milenar para serem os povos, e os santos vencedores serão os reis sobre eles (Ap 20:4, 6). As ovelhas serão restauradas ao estado original do homem quando criado por Deus e serão os cidadãos do reino milenar, desfrutando a bênção da restauração (At 3:21). Restauração não é regeneração. Ser regenerado é ser nascido de novo com uma outra vida, a vida de Deus, mas ser restaurado é ser trazido de volta ao estado original da criação de Deus.
No final do reino milenar, Satanás, depois de ser liber­tado, instigará a última rebelião contra Deus (Ap 20:7-9). Muitas das ovelhas se unirão à rebelião de Satanás e serão queimadas com o fogo do céu. O remanescente das ovelhas será transferido para a nova terra para ser as nações (Ap 21:24). Deus "tabernaculará" com eles, os povos (Ap 21:3). Eles serão governados pelos filhos de Deus como reis (22:5). Para eles não haverá mais morte, mágoas, choro, dor ou maldição (21:4; 22:3a). Eles serão sustentados eternamente pelas folhas da árvore da vida (22:2). Nós comeremos do fruto, mas as nações desfrutarão das folhas. Eles andarão através da luz da cidade santa (21:24a). Com os seus reis trarão a glória e honra deles para a cidade. Eles respeitarão a cidade e a considerarão como superior.


UMA VISÃO FINAL
Os santos de todas as dispensações que foram redimidos serão os renascidos, os filhos de Deus, pertencendo à família real. Eles serão reis na eternidade. O remanescente res­taurado dos incrédulos será os povos, as nações, andando na luz da cidade e governados pelos santos. Outra categoria de pessoas são os que pereceram. Os incrédulos que pereceram estarão no lago de fogo (21:8). Isso nos dá uma visão geral do novo céu e nova terra.









quinta-feira, 25 de julho de 2013

A revelação básica nas Escrituras sagradas - Witness Lee - Capítulo 10

Capítulo Dez

A NOVA JERUSALÉM —
A CONSUMAÇÃO FINAL E MÁXIMA
(3)

Leitura da Bíblia: Ap 21:2,3,10-23; 22:1,2a, 14,17,19

DUAS ESCOLAS PRINCIPAIS DE INTERPRETAÇÃO
A Nova Jerusalém tem sido um quebra-cabeça para os leitores e mestres da Bíblia ao longo dos vinte séculos da era cristã. Há duas escolas principais de interpretação. Uma es­cola diz que a Nova Jerusalém é uma cidade física. Ela será parte do novo céu e nova terra, e estará na terra como uma cidade literal. A segunda escola, que é muito superfical, diz que a Nova Jerusalém é uma mansão celestial.
Entretanto, não deveríamos pensar nesta cidade como sendo meramente física, nem como uma mansão celestial. Vamos deixar de lado essas diferentes escolas, que são provenientes do entendimento humano.
É muito significativo que a Nova Jerusalém se posicione no final de toda a revelação de Deus e ocupe os dois últimos capítulos. Precisamos de toda a Bíblia para entender, inter­pretar e indicar qual é o seu significado. A conclusão de um livro deve ser a palavra final a respeito de seu conteúdo. Isso é um princípio. Qualquer livro que seja significativo certa­mente tem algum conteúdo apropriado e definido e também uma conclusão apropriada e definida. Acheguemo-nos à Bíblia de Gênesis a Apocalipse. Temos de considerar seu conteúdo e, então, olhar a conclusão.

A REVELAÇÃO DO LUGAR DE HABITAÇÃO DE DEUS
A Bíblia  é  uma  revelação  completa  do  lugar  de habitação de Deus. Esse lugar de habitação é para Ele des­cansar, ficar satisfeito e ser expressado.
Gênesis 1:1 diz que no princípio Deus criou os céus e a terra. Então, depois que todas as coisas no universo foram criadas, Deus fez Adão no sexto dia. Deus queria ter o homem. Ele preparou os céu, a terra e tudo o mais para este homem a quem Ele fez à Sua própria imagem e conforme a Sua semelhança.
Essa é uma forte indicação de que Deus queria uma ex­pressão. Ele queria algo vivo e orgânico para carregar a Sua imagem e ter a Sua semelhança. Imagem refere-se a algo in­terior, enquanto que semelhança refere-se a algo exterior. Interiormente todos temos o intelecto, a vontade e a emoção. Exteriormente temos a semelhança, a forma corpórea.
Em Gênesis 1 nos é dito que Deus criou os animais segundo a sua espécie e as plantas segundo a sua espécie. O cavalo, por exemplo, é segundo a espécie eqüina, enquanto que o pessegueiro e a macieira são segundo as suas espécies. Espécie quer dizer uma família, um gênero biológico. O homem, entretanto, não foi feito segundo a espécie humana. O homem foi feito segundo a espécie de Deus. Nós homens somos da espécie de Deus. Somos uma família com Deus porque carregamos a Sua imagem e temos a Sua semelhança. Mesmo que o homem nessa época não tivesse a vida de Deus ou Sua natureza, ele tinha a Sua imagem e semelhança.
Isso indica que Deus queria uma expressão. Gênesis 1:26, 27 mostra que o homem não era apenas uma única pes­soa. O versículo 27 diz: "Criou Deus, pois, o homem à sua imagem... homem e mulher os criou." Isso indica que o homem aqui é algo coletivo. J. N. Darby diz que o homem em Gênesis 1:27 quer dizer gênero humano, o homem como uma raça. Na criação de Deus Ele fez algo de acordo com o Seu plano para ter uma expressão. O gênero humano era para ex­pressar Deus. Esse é o início da Bíblia.
Então a Bíblia continua falando a respeito de oito gran­des homens: Adão, Abel, Enos, Enoque, Noé, Abraão, Isaque e Jacó. Incluindo Adão, estes são os oito gigantes no primeiro livro da Bíblia.

Betel — a Casa de Deus
Quando chegamos a Jacó, sem a luz divina podemos ver somente um menino travesso. Mas este jovem travesso, en­quanto escapava de seu irmão Esaú, dormiu ao relento e teve um sonho (Gn 28:11-19).
Jacó sonhou com uma escada ligando a terra ao céu, com anjos subindo e descendo por ela. Os anjos não estavam descendo e subindo, mas subindo e descendo. Isso indica que a escada era da terra ao céu. Freqüentemente dizemos que os nossos sonhos provêm do que pensamos. Se temos algo na mente, isso virá para nós como um sonho enquanto estamos dormindo. No caso de Jacó entretanto, não creio que ele so­nhou o que estava em seus pensamentos durante o dia. Naqueles dias ele deveria estar pensando em como ele estava fugindo de Esaú. Em seu sonho, porém, não havia nenhum Esaú e nenhum Labão. Ele viu uma escada na terra alcançando os céus. Quando ele acordou, teve uma inspiração de Deus e disse: "É a casa de Deus, a porta dos céus" (Gn 28:17). Erigiu a pedra que ele tinha usado como travesseiro e derramou óleo sobre ela, chamando aquele lugar de Betel, que significa a casa de Deus.
Noé foi comissionado por Deus para edificar uma arca, e Abraão recebeu uma promessa de Deus de que toda a terra, toda humanidade, seria abençoada em sua semente. Mas esse menino travesso, o neto de Abraão, teve um sonho. Acordando daquele sonho, ele disse algo maravilhoso, algo que compõe e direciona toda a Bíblia — a casa de Deus. Esse é um ponto direcional, passando ao longo da Bíblia. Desse menino travesso que teve tal sonho veio um povo, o povo de Israel.

O Tabernáculo — a Casa de Deus
No segundo livro da Bíblia, Êxodo, todos os filhos de Is­rael foram ganhos por Deus. Ele não somente os resgatou, mas os reuniu no monte Sinai. Ali Deus deu-lhes uma visão (Êx 19), e não simplesmente um sonho. Há uma conexão entre a visão que Moisés recebeu de Deus no monte Sinai e o sonho de Jacó. Jacó em seu sonho viu algo relacionado à casa de Deus, e agora os seus descendentes, um povo que veio de Jacó, estava ali no monte Sinai com os céus abertos para eles. Um dos representantes deles, Moisés, subiu ao monte para estar com Deus, e Deus lhe mostrou o modelo de Sua casa, um modelo de como edificar o tabernáculo.
O tabernáculo é a casa de Deus. Em 1 Samuel 3:3 o tabernáculo é chamado de o templo do Senhor; isso quer dizer, que ele era a casa de Deus. O tabernáculo como lugar de habitação de Deus é também chamado de templo, a casa de Deus.
No monte Sinai Moisés viu todos os projetos, e os filhos de Israel edifícaram um tabernáculo de acordo com esse modelo. No último capítulo de Êxodo, o tabernáculo foi erigido, e imediatamente a glória de Deus desceu dos céus e encheu o tabernáculo (Ex 40:34). Isso é maravilhoso! Isso foi até mesmo maior do que os atos criadores de Deus. Criar o universo é algo geral, mas para Deus ter um lugar definido nesta terra para que Ele pudesse descer e entrar, o caminho da glória foi verdadeiramente maravilhoso. O tabernáculo físico era um tipo de todos os filhos de Israel como o lugar de habitação de Deus.

O Tabernáculo  — Jesus Cristo, o Homem-Deus
Finalmente aquele tipo foi cumprido no Senhor Jesus. Quando o Senhor Jesus veio, Deus veio. "No princípio era a Palavra e a Palavra estava com Deus, e a Palavra era Deus" (lit.), e essa Palavra tornou-se carne (Jo 1:1, 14). Sabemos que este é Jesus na encarnação. Quando Ele veio na encarnação, Ele "tabernaculou" (v. 14 - lit.). Isso indica que Ele mesmo como o tabernáculo vivo foi o cumprimento do taber­náculo em Êxodo 40. Jesus, como o tabernáculo, não é um edifício mas uma pessoa viva, orgânica. Esse que é o taberná­culo é uma Pessoa divina, uma Pessoa maravilhosa, um homem-Deus. A primeira impressão que a Bíblia dá a respei­to do tabernáculo é que ele é uma coisa orgânica, uma pessoa orgânica. Ainda mais, ele é um humano orgânico mesclado com Deus. O tabernáculo é o homem-Deus Jesus Cristo.
No final da Bíblia está a Nova Jerusalém, a consumação final e máxima do tabernáculo (Ap 21:3). O tabernáculo nos dois Testamentos, tanto o Velho como o Novo, é, na verdade, uma pessoa viva de duas naturezas — a natureza humana e a divina. O Senhor Jesus era um homem composto de divin­dade e humanidade. O Espírito Santo é o elemento divino, a divindade, e a virtude humana é o elemento humano, a humanidade. Portanto, a concepção de Jesus é do elemento divino no elemento humano. Essa concepção gerou uma criança de duas naturezas — divina e humana. Essa criança não era somente humana, mas também divina. Ela era um homem-Deus, e este homem-Deus era o tabernáculo.
Deixem-me enfatizar fortemente que esse é um taber­náculo no sentido bíblico. Na Bíblia o tabernáculo é uma pessoa viva como uma composição da natureza divina e da humana. Por causa disso, a Nova Jerusalém não pode ser uma cidade literal, nem pode ser uma mansão celestial. De acordo com o sentido bíblico, tabernáculo quer dizer uma pessoa viva como uma composição de divindade com humanidade.

O Tabernáculo e o Templo
Israel primeiramente edificou o tabernáculo. Então, quando entraram na boa terra, Deus revelou-lhes por meio de Davi (2 Sm 7:2, 5-13) que Ele queria ter algo fixo e não transportável. O tabernáculo era uma casa de Deus "transportável." Ele podia satisfazer a Deus temporaria­mente, mas não permanentemente. Ele queria algo fixo edificado sobre um fundamento sólido. O templo não era móvel ou transportáve, mas algo estabelecido. Davi conhecia o coração de Deus e preparou todos os materiais para a edificação do templo (1 Cr 22). Deus tinha-lhe dado um filho, Salomão, que edificaria o templo. Esse templo era a ampliação do tabernáculo. Quando ele foi finalizado, as coisas do tabernáculo foram trazidas para dentro do templo (2 Cr 5:1, 5), indicando que os dois eram, na verdade, um.
No Novo Testamento, o Senhor Jesus em João 1:14 é re­velado como o tabernáculo, mas em João 2:19-21 Ele indica que Ele é o templo. "Destruí este santuário, e em três dias eu o reconstruirei" (v. 19). A palavra de Jesus aqui indica que Seu corpo era o verdadeiro templo. Quando Ele disse que le­vantaria o templo em três dias, sabemos que Ele ergueu uma casa de Deus em ressurreição. A casa de Deus que Jesus edificou em ressurreição não é somente Ele próprio, mas inclui Seus crentes também (Ef 2:6). Assim, esse templo edificado na e pela ressurreição de Jesus é um templo coletivo. Esse templo é a igreja. A igreja é o templo (1 Co 3:16).

A Igreja — Composta dos Membros Vivos de Cristo
Muitos cristãos consideram a igreja um edifício físico. Eles se referem ao edifício como a igreja ou como o santuário. Muitos pensam numa igreja como um edifício com um teto inclinado, vitrais e um campanário.
A Bíblia, entretanto, revela que a igreja é uma composição viva dos membros vivos de Cristo (1 Pe 2:5). Ela é uma composição orgânica de todos os verdadeiros crentes. Nós somos a igreja. Ela não é um edifício sem vida. A igreja é orgânica. A igreja somos nós, você e eu, as pessoas regeneradas pelo Espírito com a vida divina. Ela é todos os queridos santos. A igreja é um organismo. Ela é viva e ativa. Ela não é sem vida, pois os componentes da igreja são pes­soas vivas. Nós, os crentes, somos os componentes. A igreja é composta de todos os santos, assim ela é algo vivo.

A Igreja — Humanidade e Divindade
A igreja é também uma pessoa coletiva composta de dois elementos, de humanidade e divindade. Nós, os crentes, como os componentes da igreja temos duas naturezas — uma natureza humana e uma natureza divina. Recebemos nossa natureza humana por meio do nascimento natural. Então em nosso segundo nascimento, um nascimento espiritual, recebe­mos outra natureza, a natureza divina. Em nossa regeneração recebemos a vida divina (1 Jo 5:11). Se temos vida, certa­mente com esta vida vem a natureza. Somos participantes da natureza divina (2 Pe 1:4); portanto temos duas naturezas.
Há uma tendência hoje, entre estudantes de seminário, em crer que os cristãos têm somente uma natureza, a qual será gradualmente melhorada. Isso não somente é um en­sinamento errado; é heresia. Tal ensinamento anula o fato da regeneração.
A igreja, entretanto, é uma composição viva e coletiva de pessoas com duas naturezas — humana e divina. Com Cristo existiu primeiro a divindade, e, depois, a humanidade. Conosco existe primeiro a humanidade, então a divindade. Cristo como o tabernáculo foi uma pessoa com divindade mais humanidade, e nós, como a ampliação de Cristo, o lugar de habitação de Deus, o próprio templo, somos uma composição, primeiro da humanidade e, então, da divindade. Cristo tem divindade mais humanidade. Nós temos humanidade mais divindade. Em natureza Ele e nós somos o mesmo. A única diferença é que Ele tem a deidade, e nós não; contudo, temos a vida e a natureza divina como Ele tem. Não temos a Sua autoridade, Sua deidade.

A Consumação do Templo
A Nova Jerusalém é a consumação de tal templo. Baseado neste princípio, não podemos dizer que ela é uma cidade física ou uma mansão celestial. Uma vez que a Nova Jerusalém é a consumação final e máxima de toda a edificação da habitação de Deus ao longo das gerações como a conclusão de toda revelação de Deus de Sua economia, ela é totalmente orgânica. Ela é seres humanos mesclados com Deus. Essa composição será uma habitação mútua, para Deus habitar nos santos e para os santos habitarem em Deus.
A Nova Jerusalém é uma composição do povo redimido e regenerado de Deus, que são os Seus Filhos. Essa cidade é também o agregado da filiação divina. Efésios 1 diz que fomos escolhidos e predestinados para a filiação (vs. 4, 5). O agregado  da   filiação  será   a  Nova  Jerusalém.   Ela é a composição de todos os filhos de Deus (Ap 21:7). Tal edi­ficação, a cidade santa, é uma pessoa coletiva viva porque ela é chamada de a esposa do Cordeiro (Ap 21:9). Uma cidade física não pode ser uma esposa. Uma esposa é uma pessoa; portanto, essa cidade deve ser uma pessoa coletiva viva.


OS ELEMENTOS INTRÍNSECOS DA EDIFICAÇÃO DE DEUS
O conteúdo da edificação de Deus tem alguns elemen­tos, os quais são intrínsecos e ocultos. O elemento intrínseco da Nova Jerusalém como o lugar eterno de habitação de Deus é o próprio Deus Triúno.

A Trindade Divina — A Estrutura Básica
A Trindade divina é a estrutura básica da Nova Jerusalém. Ela é estruturada com a natureza do Pai, con­forme representada pelo ouro. A própria cidade é uma montanha de ouro, e sua rua é também de ouro (Ap 21:18b, 21b). Isso indica que a cidade é uma coisa divina. Divindade é o elemento básico do conteúdo do edifício.
A redenção do Filho por meio da morte e ressurreição é representada pela pérola. Pérolas provêm de ostras. Elas são produzidas após as ostras serem feridas por um grão de areia. A ostra secreta seu sumo de vida em volta da areia e faz dela uma pérola. Isso significa a encarnação de Cristo e a Sua ida para dentro das águas da morte como uma ostra. O ser ferido pelas nossas transgressões e o liberar de Sua vida de ressurreição produz uma pérola.
A transformação do Espírito é representado pelas pe­dras preciosas. No ouro está a natureza do Pai, na pérola está a redenção do Filho por meio da morte e ressurreição, e nas pedras preciosas está o Espírito em Sua obra transformadora. Isso quer dizer que o próprio Deus Triúno é a estrutura básica da Nova Jerusalém. A Trindade é também a estrutura da vida da igreja, que é uma miniatura da Nova Jerusalém. O tamanho é muito menor, mas os elementos são os mesmos.

A Vida Divina — O Suprimento e a Nutrição Interior
Para a nossa vida física, nós, diariamente, precisamos de suprimento nutrição. É por isso que temos de comer ao menos três vezes ao dia. A vida divina é o suprimento e a nutrição interior de todas as partes da Nova Jerusalém. Isso é indicado pela água da vida fluindo do trono divino para saturar toda a cidade (Ap 22:1, 17). Na água cresce a árvore da vida, que produz doze frutos, um a cada mês, doze meses anualmente, para alimentar toda a cidade (Ap 22:2a, 14, 19). A água da vida e a árvore da vida com o fruto da vida realizam o suprir e o nutrir. Toda a cidade vive desses dois itens.

A Luz Divina — A Luz Interior e a Glória Exterior
A Trindade divina é a estrutura básica, a vida divina é o suprimento e a nutrição interior, e a luz divina é a luz interior e a glória exterior para a expressão. Deus no Cordeiro é a lâmpada como a luz interior (Ap 21:23). Na Nova Jerusalém não precisaremos do sol, da lua, de velas, de querosene ou de eletricidade. Não precisaremos da luz criada por Deus ou da luz feita pelo homem, pois teremos o próprio Deus, que é a luz interior. Ao mesmo tempo, essa luz brilha na e através da pedra preciosa, como uma pedra de jaspe, significando os crentes transformados (Ap 21:11). A pedra de jaspe é "transparente como cristal." Deus, como a luz dentro do Cor­deiro como a lâmpada, está brilhando pela cidade. Na cidade está a luz que brilha. Fora, a luz está expressando a glória de Deus, de modo q~c a cidade inteira possui a glória de Deus. A glória de Deus é o próprio Deus, brilhando da cidade através da muralha transparente de jaspe (21:18). Isso é o que a igreja deve ser hoje — uma composição viva de Deus, com Cristo como nossa luz interior resplandecente e como a nossa expressão em glória.

Um Mesclar do Deus Triúno com o Homem Tripartido
Fomos redimidos, regenerados, e agora estamos sendo transformados. Também estamos a caminho para sermos glorificados. O nosso espírito foi regenerado, nossa alma problemática está sendo transformada, e nosso pobre corpo está esperando transfiguração.
Na Nova Jerusalém o Deus Triúno está plenamente mesclado com o homem tripartido redimido, regenerado, transformado e glorificado. Esse mesclar é a habitação eterna de Deus, representado pelo número doze. Doze é três multi­plicado por quatro. Sabemos disso porque a cidade é quadrada com quatro lados. Em cada lado há três portas (21:13). Pela eternidade a Nova Jerusalém será um mesclar absoluto, não somente uma adição. Ela é a multiplicação — o Deus Triúno (três) multiplicado pelo homem (quatro).
Na Nova Jerusalém o número doze é usado catorze vezes. Doze fundamentos de doze pedras preciosas possuem os nomes dos doze apóstolos (21:14, 19, 20). As doze portas de doze pérolas com doze anjos possuem os nomes das doze tribos (21:12, 21a). A medida da cidade é doze mil estádios em três dimensões (21:16). A altura da muralha é de cento e quarenta e quatro côvados (21:17a), que é doze multiplicado por doze côvados. A árvore da vida produz doze frutos em cada um dos doze meses (22:2). O número doze, ocorrendo tantas vezes, quer dizer que a cidade santa é um mesclar do Deus Triúno com o homem tripartido.

Um Edifício em Ressurreição
Apocalipse 21:17b diz que a medida da muralha é "medida de homem, isto é, de anjo." Esse é um sinal de que naquele tempo o homem será como os anjos. Em Mateus 22:30 o Senhor Jesus indicou que em ressurreição o homem será "como anjos de Deus nos céus." Assim, o homem sendo como um anjo indica o princípio da ressurreição. A cidade in­teira, portanto, estará em ressurreição. Cristo, o Cabeça, e nós, Seus membros, estaremos todos em ressurreição.

Uma Expressão Plena do Deus Triúno
A muralha é feita de jaspe, e a luz da cidade é como jaspe (21:18, 11). Em 4:3 nos é dito claramente que Deus sentado no trono se assemelha a jaspe. Jaspe, então, significa a aparência de Deus. Na eternidade, a Nova Jerusalém possuirá a aparência de Deus. Deus se assemelha a jaspe, e a cidade toda possuirá a aparência de jaspe. Isso indica que ela será uma expressão eterna e coletiva de Deus.
Isso cumpre Gênesis 1:26. A Bíblia começa da forma como termina. Ela começa com a imagem de Deus para a Sua expressão, e ela termina com uma expressão coletiva, vasta, imensa e esplêndida. Essa é a consumação final e máxima do registro do tabernáculo e do templo. A Bíblia é um registro dessas duas coisas: o tabernáculo e o templo. A conclusão da Bíblia é a consumação do tabernáculo e do templo.

O que a Nova Jerusalém é deve ser verdadeiro na igreja agora mesmo. Nós, como a igreja na restauração do Senhor, temos de ter o Deus Triúno como a nossa estrutura, com a vida divina como o nosso suprimento e nutrição interior, e com a luz divina como o nosso brilho interior e expressão ex­terior. Esse é o testemunho de Jesus. No começo do livro de Apocalipse estão os candelabros como o testemunho de Jesus (1:2,12). Então, no fim do mesmo livro está o agregado de todos os candelabros, a Nova Jerusalém, como o testemu­nho eterno de Jesus. Hoje devemos ser tal testemunho vivo de Jesus. Não somos uma outra obra cristã, nem somos sim­plesmente um grupo cristão. Somos o testemunho de Jesus como o candelabro hoje, que será consumado na Nova Je­rusalém. O que seremos lá devemos primeiramente ser aqui.

A revelação básica nas Escrituras sagradas - Witness Lee - Capítulo 9

Capítulo Nove

A NOVA JERUSALÉM —
A CONSUMAÇÃO FINAL E MÁXIMA
(2)

Leitura da Bíblia: Ap 1:1; 21:1-3,10-21

A CHAVE PARA ENTENDER OS ESCRITOS DE JOÃO
O livro de Apocalipse é difícil de ser entendido. É por isso que Deus em Sua sabedoria usa sinais para fazê-lo co­nhecido a nós. Apocalipse 1:1 diz que Deus deu a revelação de Jesus Cristo para Ele mostrar a Seus escravos: "notificou por meio de sinais" (lit.). Sinais são figuras. Ao ensinar crianças pequenas nós fazemos as coisas conhecidas a elas por meio de figuras. Algumas vezes quando falo, torno as coisas conhecidas por meio de diagramas. João recebeu uma revelação a respeito de coisas tão divinas, tão misteriosas, tão profundas, que nenhuma palavra poderia expressá-la ade­quadamente. Assim, a revelação foi tornada conhecida por meio de sinais.
Não somente o livro de Apocalipse, mas o Evangelho de João também é um livro de sinais. Em nosso Estudo-Vida da­quele Evangelho salientei que a palavra milagre não é usada. A mudança da água em vinho pelo Senhor foi um milagre, mas João chama isso de sinal (2:11), indicando que isso tem um significado. A mudança da água em vinho pelo Senhor significa Seu mudar a morte em vida. A ressurreição de Lázaro foi um milagre, mas João chama isso de sinal (11:47).
João 1:14 fala da Palavra tornando-se carne e tabernaculando (lit.) entre nós. "Tabernaculou" é um verbo. Esse sinal nos dá a chave para entender como o Senhor Jesus viveu nesta terra. Ele viveu aqui como o tabernaculo de Deus. Para entender plenamente o tabernaculo, temos de voltar para Êxodo, onde muitos capítulos descrevem o tabernáculo. O tabernáculo de Deus entre o Seu povo não era somente onde Ele habitava mas também onde os que O serviam entravam para habitar com Ele. Esse é Jesus! En­quanto Jesus estava na terra, Ele estava "tabernaculando". Deus habitava Nele e todos os servidores de Deus, os que amavam Jesus, podiam entrar Nele para ficar com Deus. Essa única palavra como um sinal descreve o que nenhuma pala­vra comum poderia expressar.
Também em João o Senhor Jesus diz: "Eu sou a porta" (10:7). Vocês crêem que o Senhor é uma porta com uma ver­ga e um umbral? Uma porta é um sinal, significando que Ele é a própria abertura para as pessoas entrarem e para saírem.
Temos de enfatizar o primeiro versículo de Apocalipse, que diz que a revelação divina é dada a Jesus Cristo, e que Ele a tornará conhecida por meio de sinais. Essa é a chave para abrir todo o livro. Sem essa chave, o livro de Apocalipse está fechado para nós. Para entendermos o significado real desse livro, temos de entender esses sinais.


OS SINAIS PRINCIPAIS EM APOCALIPSE

Os Candelabros
O primeiro sinal em Apocalipse que o apóstolo João viu são os candelabros. No capítulo um nos é dito que João, no dia do Senhor, na ilha de Patmos, viu sete candelabros de ouro. Ele viu os candelabros. Os sete candelabros são as sete igrejas (1:20). Descrever o que a igreja é no seu significado espiritual usaria mil livros. Mas somente um sinal, uma figura, é melhor do que mil palavras.
Que é a igreja? Que deveria ser a igreja? Olhem para o candelabro. A igreja tem de ser de ouro. Ouro significa a essência de Deus, a natureza de Deus. Isso quer dizer que a igreja tem de ter a essência de Deus como a sua substância. Este ouro tem de estar na forma de um candelabro, um can­delabro brilhando com uma intensidade sétupla. Algumas lâmpadas têm um interruptor triplo; mas vocês já viram uma lâmpada sétupla? O candelabro tem um brilho sétuplo. A natureza de ouro significa a essência de Deus, a forma repre­senta Cristo como a corporificação do Deus Triúno, e as sete lâmpadas são os sete Espíritos (4:5 - VRC).
A Trindade está aqui: o Espírito está brilhando, Cristo é a corporificação e Deus é a própria essência. Que é a igreja? A igreja é uma composição, uma constituição do Deus Triúno, brilhando as virtudes e os atributos de Deus na noite escura para que todos vejam a luz. Precisamos de mensagem após mensagem para descrevermos o que a igreja é, mas a sabedoria de Deus é mostrar-nos um candelabro. Santos, isso é a igreja. Olhem para a igreja. O candelabro é a igreja! A igreja não é de barro, mas de ouro. Ela é da natureza divina de Deus. Ela não é sem forma, mas tem forma. Ela não é trevas, mas resplandecente. Isso é a igreja!

As Sete Estrelas
O segundo sinal são as sete estrelas, que acompanham os candelabros. As sete estrelas são os mensageiros ou os anjos das igrejas (1:20). Em cada igreja existem alguns irmãos que são estrelas em espiritualidade. Eles são estrelas brilhan­tes. Em Daniel 12:3 é dito que aqueles que converterem muitos à justiça brilharão como estrelas. Em Mateus 13:43 o Senhor diz que o justo brilhará no reino vindouro como o sol. Mas os mensageiros da igreja não precisam esperar até a era vindoura para brilhar. Eles estão brilhando agora mesmo. Espero que todos os presbíteros nas igrejas sejam estrelas brilhantes. Quando as pessoas vão a eles, elas devem vir para a luz. Um estrela brilha, ilumina, em tempo de trevas. Ao olhar para as estrelas podemos aprender que tipo de pessoas devem ser os líderes na igreja.

Jaspe — a Aparência de Deus
Depois que João viu os candelabros e as estrelas bri­lhantes, ele viu um trono no céu e Alguém sentado no trono. Aquele, em aparência, era como pedra de jaspe (4:2, 3). João viu a Deus com aparência de jaspe. Jaspe é uma bonita cor esverdeada, significando plenitude de vida. A plenitude de vida é a aparência de Deus. Jaspe é também a aparência da Nova Jerusalém (21:11), e toda a sua muralha é construída de jaspe (21:18). Isso indica que a cidade inteira possui a aparência de Deus, porque ela é constituída daqueles que foram transformados em Sua imagem.
Devemos ler Apocalipse 21:11 com 2 Coríntios 3:18: "E todos nós com o rosto desvendado, contemplando e refletin­do como um espelho a glória do Senhor, estamos sendo transformados à Sua própria imagem de glória em glória" (lit.). Apocalipse 21:11 descreve a Nova Jerusalém como tendo a glória de Deus. O seu fulgor era semelhante a uma pedra preciosíssima, como pedra de jaspe cristalina. A cidade toda possui a glória de Deus e brilha como jaspe; isto é por­que toda a composição da Nova Jerusalém foi transformada na imagem de Deus. Aquele sentado no trono, que é Deus, assemelha-se ao jaspe, e a cidade inteira assemelha-se ao jaspe. Isso quer dizer que Gênesis 1:26 foi cumprido: "Façamos o homem à nossa imagem." O homem era para ser a expressão de Deus, e isso é cumprido na Nova Jerusalém. Toda a Nova Jerusalém é uma imagem, uma expressão, de Deus. A aparência de Deus pode ser descrita por um sinal, o sinal do jaspe.

O Leão da Tribo de Judá
Em Apocalipse 5:5 Jesus Cristo é chamado de o Leão da tribo de Judá. Esse título significa Cristo como o Rei triunfante. Todas as criaturas vivas estão debaixo Dele. Ninguém O pode subjugar; antes, Ele subjuga todas as coisas. A primeira vez que vi um leão no zoológico fiquei temeroso de que a grade não fosse bastante forte para restringir aquela criatura ousada e triunfante. Nada e ninguém pode subjugar o nosso Cristo.

O Cordeiro
Cristo não somente é um Leão, mas também um Cor­deiro (5:6). Para Satanás e todos os inimigos Cristo é um
Leão, mas para nós, os redimidos, Ele é um Cordeiro. Vocês têm medo de um cordeiro? Vocês podem ter medo de leão, mas sentem amor por um cordeiro. Para nós o Senhor Jesus é um Cordeiro, um Cordeiro redentor. Pensar que na eter­nidade, no trono de Deus haverá literalmente um cordeiro com quatro patas e uma cauda não é a maneira apropriada de entender a Bíblia. Lembro-os novamente, Apocalipse é um livro de sinais.

A Mulher Universal e o Filho Varão
A mulher universal em Apocalipse 12 está vestida com o sol. Em sua cabeça há uma coroa de doze estrelas e sob os seus pés está a lua (v. 1). Quem é essa mulher? A maioria dos expositores fundamentalistas seguem o ensino dos Irmãos Unidos, de que essa mulher representa Israel e o filho varão representa Cristo. Entretanto, depois de muito estudo da Palavra, percebemos no capítulo doze que essa mulher é composta de dois povos: aqueles que guardam os mandamen­tos de Deus e aqueles que carregam o testemunho de Jesus (v. 17). O povo que guarda a lei são os judeus, Israel. O povo que carrega o testemunho de Jesus são os crentes do Novo Testamento. Portanto, dizer que essa mulher representa Is­rael é somente verdade parcialmente, deixando de lado os crentes do Novo Testamento.
Dizer que o filho varão nascido dessa mulher é Jesus Cristo é errôneo. Depois que esse filho varão é arrebatado para o trono de Deus, três anos e meio se seguem. Os mil duzentos e sessenta dias em 12:6 são três anos e meio, os quais todos concordam ser o período da grande tribulação. A grande tribulação veio logo após a ascensão do Senhor? Ela ainda não veio! Isso indica fortemente que o filho varão aqui não é o Senhor Jesus.
A mulher veste uma coroa de doze estrelas na cabeça. Ela está vestida com o sol e a lua está sob os seus pés. Isso in­dica três categorias entre o povo redimido de Deus: os Patriarcas, Israel e os crentes do Novo Testamento. Os Patriarcas são representados pelas estrelas, Israel pela lua e os crentes do Novo Testamento pelo sol. Essa mulher é, por­tanto, uma composição com todo o povo redimido de Deus, incluindo os Patriarcas, os outros crentes do Velho Testamen­to e todos os santos do Novo Testamento.
O filho varão é os vencedores de todas as gerações. Através dos séculos, entre o povo de Deus um pequeno número tem sido martirizado. Esses foram os fiéis. Imediata­mente antes da grande tribulação, esses santos martirizados serão ressuscitados e arrebatados para o trono de Deus.

O Grande Dragão Vermelho e a Besta
O grande dragão vermelho significa o diabo, Satanás (12:3, 4). No começo do capítulo seguinte existe uma besta emergindo do grande mar, o Mediterrâneo (13:1, 2). Esse é o Anticristo. Na realidade ele é o César vindouro, o último César do Império Romano renascido.

A Colheita e as Primícias
Nesta terra, Deus tem uma colheita. Essa colheita re­presenta todos os santos do Novo Testamento vivendo na terra próximo ao tempo da volta do Senhor (14:15). Dentre esses crentes vivos sairão as primícias. Esses serão alguns vencedores vivendo entre os crentes que amadurecem mais cedo e tornam-se as primícias.

A Grande Babilônia
A grande Babilônia representa a Igreja Romana. Ela é chamada de a grande prostituta (17:1, 5) por causa das suas relações pecaminosas com os governadores da terra para o benefício dela.

A Esposa do Cordeiro
A esposa do Cordeiro, a noiva em Apocalipse 19:7, será todos os vencedores ao longo das gerações, incluindo os do
Velho Testamento, isto é, os vencedores mortos e ressurretos mais os vencedores vivos (as primícias). Eles serão a Sua noiva nos mil anos (20:4-6). Aquele dia será o dia do casamento. Mil anos para o Senhor são um dia (2 Pe 3:8). Todo o milênio será um dia de casamento. No dia do casamento a esposa é uma noiva, mas depois daquele dia ela torna-se uma esposa. Depois do milênio, na eternidade, a noiva é a esposa. Todos os vencedores entre o povo redimido de Deus serão Sua noiva.

A Nova Jerusalém
Agora chegamos ao último sinal, a Nova Jerusalém. A Nova Jerusalém é o conjunto de todos os candelabros. No começo desse livro existem sete candelabros, candelabros locais nesta era. No final desse livro existe um conjunto, um candelabro composto, não candelabros locais, mas o eterno, o universal. Apocalipse inicia com os candelabros e termina com o candelabro. Os candelabros são sinais das igrejas; a Nova Jerusalém é também um candelabro, o sinal do lugar de habitação de Deus.


UMA REVISÃO DOS SINAIS
Todos esses sinais são as cenas principais nesta tela da televisão divina de Apocalipse. O programa começa com sete candelabros, significando as igrejas; então seguem-se sete estrelas brilhantes, representando os mensageiros de todas as igrejas. Depois há uma pedra de jaspe, significando a aparência de Deus, e um leão e um cordeiro, ambos repre­sentando Cristo. Então aparece uma mulher universal com doze estrelas na cabeça, o sol vestindo-a, e a lua sob os seus pés, e um dragão vermelho pronto para engolir o seu filho; daí o filho varão gerado por ela é arrebatado ao trono de Deus. Depois há uma besta emergindo do Mar Mediterrâneo, há uma colheita nesta terra, e desta colheita há as primícias. Vemos, então, uma grande prostituta, a grande  Babilônia,   terrível,   feia,   abominável;   mas  então, aleluia, uma linda esposa, a noiva; então finalmente, algo mais brilhante, maior, a Nova Jerusalém, a qual é o tabernáculo de Deus assim como Jesus era o tabernáculo de Deus quando Ele estava na terra.
Essa Nova Jerusalém não é somente um tabernáculo para Deus, mas também uma esposa para o Filho de Deus, Jesus Cristo. Deus terá um tabernáculo e Cristo terá uma esposa. Tanto o tabernáculo como a esposa são o mesmo: a Nova Jerusalém.


ENTENDENDO APOCALIPSE
Esse é o livro de Apocalipse, contendo todos esses sinais cruciais. Se vocês os entendem, entendem todo o livro de Apocalipse. Com tal visão clara e exata, vocês crêem que a Nova Jerusalém será uma cidade física edificada por Deus ao longo de todos os séculos? Apocalipse é um livro de sinais. Cada item principal é um sinal. Sinais não devem ser inter­pretados literalmente. Vocês acham que a igreja é um suporte de verdade com sete lâmpadas brilhando? Isso é um entendimento errado. Vocês crêem que Jesus Cristo é um cordeiro de verdade? Isso é ridículo! Crêem que o César vin­douro do Império Romano será uma besta de verdade que emerge do Mar Mediterrâneo e pula para a margem? Crêem que a esposa do Cordeiro em Apocalipse 19 será uma mulher adornada com um longo vestido de casamento? Novamente, não faz nenhum sentido entender esses fatos dessa maneira.


INTERPRETANDO A NOVA JERUSALÉM
E quanto a Nova Jerusalém? No mesmo princípio, não faz nenhum sentido pensar na Nova Jerusalém como uma cidade física. Não é porque esse livro usa o leão como um sinal de Cristo como o rei triunfante, que devemos pensar que Cristo é como um leão no zoológico. O leão não é um leão de verdade, mas ele é um sinal de Cristo como o rei triunfante. O cordeiro não é um cordeiro de verdade, mas é um sinal de Cristo como o Redentor. Da mesma forma, a
Nova Jerusalém é um sinal; ela representa algo espiritual.
Um princípio de interpretação da Bíblia é ser consis­tente. Desde que não tomemos os outros sinais literalmente, podemos estar certos de que a Nova Jerusalém não é uma cidade física nela para vivermos. Tal interpretação é total­mente natural. Se não interpretam Cristo como um leão com quatro pernas e uma cauda, por que vocês pensariam que a Nova Jerusalém é uma cidade de verdade? O leão é um sinal, e a cidade é também um sinal.

A Chave para Apocalipse
Apocalipse 1:1 é o versículo chave para todo o livro. So­mente essa única chave pode abrir todas as portas. Temos a chave-mestra. Podemos ir a qualquer porta e abri-la. Devemos tomar 1:1 como a chave-mestra. O ponto chave é "por meio de sinais". Todas as figuras nesse livro são sinais.
Os mestres fundamentalistas concordariam certamente que Cristo como o cordeiro não tem quatro pernas e uma pe­quena cauda. Eles não fariam tal interpretação ridícula. Mas e quanto a Nova Jerusalém? Quando jovem, também cria que a Nova Jerusalém era uma mansão celestial. Eu ficava alegre com a crença de que um dia estaríamos em uma mansão. Como parte de nossa pregação do evangelho, tivemos uma música acerca de como entraríamos pelos portões de pérolas e andaríamos na rua de ouro. Gradualmente, entretanto, à medida em que estudava a Bíblia descobri que a Nova Jerusalém é uma esposa. Quem casaria com uma cidade literal? Mesmo se tivesse doze portões com pérolas e uma rua de ouro, alguém casaria com ela?
Ao estudar e entender a Palavra Sagrada, os cristãos freqüentemente trazem os seus pensamentos naturais. No novo céu e nova terra habitaremos na Nova Jerusalém. Mas não devemos pensar na Nova Jerusalém como uma cidade física. É Deus quem será a nossa morada. Quando jovem, ouvi alguns mestres da Bíblia discutindo o que comeríamos e onde seria o banheiro na "mansão celestial". Quão pobre é trazer o nosso pensamento natural!
Hoje perguntei a alguns santos se eles estão na igreja. Quando responderam sim, pedi-lhes que me mostrassem a igreja. O Novo Testamento nos diz que a igreja é a casa de Deus, e que Deus está habitando em Sua casa; mas onde está a igreja? A igreja, como a casa de Deus e como nosso lar, não é um edifício físico, mas uma composição de crentes vivos (1 Pe 2:5). Ela não é uma entidade física, sem vida, mas uma composição orgânica de pessoas vivas. Ela existe onde quer que os crentes se reúnam. A igreja como a casa de Deus hoje é uma composição de pessoas vivas; é uma pessoa coletiva. Isso é verdadeiro nesta era e o será na eternidade.

Consistente com Toda a Bíblia
A idéia da casa de Deus está também no Velho Tes­tamento. Moisés diz em Salmos 90:1: "Senhor, Tu tens sido nossa habitação de geração em geração" (lit.).
O Senhor Jesus disse que se alguém O ama, Seu Pai e Ele virão a ele e farão nele morada (Jo 14:23). Seremos a Sua morada, e Ele será a nossa morada. Em João 15 o Senhor diz: "Permanecei em mim e eu permanecerei em vós" (v. 4). Em 1 João 3:24 e 4:15 (lit.) diz que nós habitamos em Deus e Deus habita em nós.
Nesta era da igreja estamos habitando em Deus e Deus está habitando em nós. Vocês crêem que quando entrarmos no novo céu e nova terra Deus sairá de nós e nós sairemos de Deus? Se nesta era podemos habitar em Deus, tomando-O como nossa habitação, e podemos dar a Deus um lugar em nós, não é lógico pensar que na eternidade não mais O teremos como o nosso lugar de habitação, mas que viveremos em uma cidade de ouro como nosso lugar de habitação.
Temos de crer que o nosso habitar no Senhor e Seu habitar em nós será intensificado, ampliado e elevado ao máximo. É por isso que João diz que viu que a cidade não tinha templo nela, "porque o seu santuário é o Senhor, o Deus Todo-poderoso e o Cordeiro" (Ap 21:22). Essa é uma forte indicação de que a cidade não é um lugar físico. Nessa cidade o templo é uma Pessoa. Essa Pessoa é Deus e o Cordeiro. O próprio Deus Triúno será o templo. Se o santuário dentro da cidade é uma Pessoa, vocês crêem que a cidade poderia ser algo sem vida?
Desde que o santuário é uma Pessoa divina, o próprio Deus Triúno, a cidade tem de ser pessoas também. Na realidade, a cidade inteira é o Santo dos Santos com três dimensões iguais (1 Rs 6:20; Ap 21:16). Uma vez que o Deus Triúno será o templo e a cidade inteira será o Santo dos San­tos, a cidade não pode ser algo físico. Ela tem de ser uma composição orgânica.
Nos tempos do Novo Testamento a habitação de Deus nesta terra foi primeiramente uma única Pessoa, Jesus Cristo. Ele era o tabernáculo de Deus. Então, depois Dele, a igreja é o templo de Deus (Ef 2:21, 22; 1 Co 3:16). Jesus, uma única Pessoa, era o tabernáculo de Deus, Seu lugar de habitação. Então, a igreja, como uma pessoa coletiva tornou-se o templo de Deus, a habitação de Deus. Esse é o Novo Tes­tamento. Depois da era do Novo Testamento, quando entrarmos na eternidade, a habitação de Deus não mudará de pessoas vivas para uma cidade sem vida, física. Temos de crer que essas pessoas edificadas juntas como o lugar de habitação de Deus serão ampliadas e intensificadas. Na era vindoura haverá uma ampliação destas pessoas vivas como o lugar de habitação de Deus.

Não uma Cidade Literal
Se a Nova Jerusalém fosse uma cidade de verdade feita de ouro, pérolas e pedras preciosas, isso significaria que uma cidade física seria a conclusão de toda a revelação. Isso não é lógico. Deus tem trabalhado ao longo das eras. Primeiro Ele criou o universo. Então Ele criou o homem. Posteriormente se encarnou para redimir o homem. Ele viveu nesta terra, foi crucificado, e então ressuscitou, ascendeu, e se derramou como o Espírito sobre Seus discípulos. Os discípulos então saíram para pregar o evangelho. Muitos têm sido salvos e acrescentados à igreja; eles estão sendo edificados como o Corpo para expressar Cristo. Vocês crêem que o resultado final será Deus ganhando meramente uma cidade física? Pensa que essa é a intenção de Deus?
Se esse fosse o caso, Deus seria um pobre arquiteto. Mediante a Sua criação, encarnação, crucificação, ressurreição, e ascensão, mediante a Sua edificação das igrejas e aperfeiçoamento dos santos geração após geração, Deus está preparando algo muito maior do que uma grande cidade literal. Deus já criou algo mais esplêndido do que uma cidade — o universo. O sistema solar é lindo, mas Deus não está satisfeito com aquilo. Como Ele poderia ficar satisfeito com uma cidade, mesmo uma cidade que é em tamanho a metade dos Estados Unidos? Interpretar tal visão, tal sinal, de maneira natural é errado.
A igreja hoje é o nosso lar. Quando viemos à igreja, viemos ao lar. A igreja está em Deus. A vida da igreja com Deus está em todo lugar. Há igreja em Dallas, Houston, Hong Kong, e em toda a terra. Aleluia! Aonde quer que vamos, nosso lar está lá. Nosso lar é a igreja. Por que nos preocupar se teremos uma casa na Nova Jerusalém? Não precisamos nos preocupar a esse respeito. Deus não está in­teressado nessas coisas físicas. Esse pensamento físico tem de ir embora.

O Lugar de Habitação de Deus pela Eternidade
Deus se importa é com uma composição viva de Seu povo escolhido, redimido, regenerado, transformado e glorificado. Tudo isso será edificado junto para expressar Deus pela eternidade. Isso satisfará a Deus para sempre. Satanás estará no lago de fogo. Deus estará em Sua habitação viva. Todos aqueles que Ele criou, escolheu, redimiu, regenerou e transformou serão glorificados à Sua imagem. Ele estará vivendo neles e eles estarão vivendo Nele. Ninguém pode explicar adequadamente tal conceito profundo. Maravilhoso! Isso será a habitação de Deus e a esposa de Seu querido Filho, Cristo. Nenhum edifício físico pode ser uma esposa. Uma esposa é algo orgânico, uma pes­soa viva.
A Nova Jerusalém significa a habitação de Deus no novo céu e nova terra. No Novo Testamento, o lugar de habitação de Deus na terra foi primeiramente um único Homem, Jesus Cristo, representado pelo tabernáculo (Jo 1:14), e, então, um homem coletivo, a igreja, representada pelo templo (1 Co 3:16). No novo céu e nova terra, a habitação de Deus, como a esposa do Cordeiro (Ap 21:9,10), é também uma composição viva de Seu povo redimido, com­posto tanto dos santos do Velho Testamento, representados pelas doze tribos, como pelos santos do Novo Testamento, representados pelos doze apóstolos (Ap 21:12,14).
Essas pessoas edificadas juntas para ser a habitação de Deus, primeiramente experimentaram a regeneração por meio da morte e ressurreição de Cristo. Isso é representado pelas portas de pérolas, a entrada das pessoas para a cidade. Uma pérola é produzida por uma ostra, uma criatura viva nas águas da morte. Quando um grão de areia fere a ostra, ela secreta uma substância ao redor da areia, a qual faz com a areia se torne uma pérola. A ferida da ostra significa morte, e a secreção do suco de vida em volta do grão de areia significa a vida de ressurreição. A morte e ressurreição de Jesus nos fazem pérolas por meio da regeneração. Ninguém pode entrar no reino de Deus a não ser pela regeneração (Jo 3:5).
Na cidade santa a natureza de Deus ou essência de Deus torna-se nosso elemento básico, representado pelo ouro (Ap 21:18b, 21b); a própria cidade é de ouro e a rua é de ouro. A essência de todos os crentes é simplesmente o próprio Deus.
Pela obra do Espírito seremos transformados à imagem de Deus, representado pelo jaspe. A natureza do Pai (ouro), a redenção do Filho e a nossa regeneração (pérola), e a obra transformadora do Espírito (pedras preciosas) produzem todos os componentes dessa habitação eterna de Deus. A habitação de Deus é também a nossa habitação. Nós também seremos edificados juntos para sermos o Lugar Santíssimo de Deus, expressando-O em glória.

O Ultimo e Maior Sinal
Espero que todos sejamos impressionados com a interpretação e o entendimento apropriados desse último e maior sinal em toda a Bíblia. De todos os sessenta e seis li­vros da Bíblia, a Nova Jerusalém é o último e o maior sinal. A última palavra é a palavra decisiva. Deus, mediante a criação, encarnação, redenção, ressurreição, ascensão e toda a Sua obra de transformação e edificação ao longo de todos estes séculos cristãos, obterá uma composição viva de Seu povo redimido para ser a Sua habitação e Sua companheira para satisfazê-Lo plenamente. Unir-nos-emos a Ele porque seremos a Sua companheira.
O Senhor Jesus disse aos saduceus em Mateus 22:30 que na ressurreição não haverá casamento, mas que todos seremos como os anjos. A Bíblia não nos fala de questões ou relações físicas na eternidade. O que ela revela é elevado e profundo. Temos de ser libertos de nossa mentalidade humana e natural ao considerar a Nova Jerusalém como uma habitação física. Temos de perceber o que está no coração de Deus. Ele precisa de uma habitação eterna, composta de bilhões de pessoas vivas transformadas e glorificadas, para serem o Seu lugar de habitação e a Sua querida esposa, Sua companheira. Essa consumação final e máxima faz com que valha a pena para Ele trazer a criação à existência, encarnar-se, morrer na cruz, ser ressuscitado, e gastar tantos séculos para edificar as igrejas.
Se a Nova Jerusalém fosse uma cidade literal, ela seria somente a metade, em tamanho, dos Estados Unidos (cf. Ap 21:16). Os Estados Unidos hoje têm uma população de quase um quarto de bilhão de pessoas. Através das gerações, porém, Deus terá salvo bilhões de pessoas. Como poderiam bilhões viver em uma cidade que é em tamanho a metade dos Estados Unidos? Não devemos seguir os ensinamentos naturais, mas, antes, exercitar a nossa mente sóbria para ver o que Deus deseja.

A Palavra é a verdade. Agradecemos a Deus por Ele nos haver dado esse livro. Temos algo sólido na linguagem humana que podemos estudar muitas vezes. O Senhor Jesus disse a Pedro que Ele edificaria a Sua igreja sobre essa rocha (Mt 16:18). Pedro nos diz que todos nós, como pedras vivas, estamos sendo edificados uma casa espiritual (1 Pe 2:5). Paulo diz que ele lançou o fundamento, mas todos nós temos de ser cuidadosos em como edificamos: temos de edificar com ouro, prata e pedras preciosas (1 Co 3:10-12). O pen­samento da edificação de Deus está ao longo de todo o Novo Testamento até o fim. É por isso que dizemos que a Nova Jerusalém é a consumação final e máxima da obra de edificação de Deus ao longo de todas as gerações.