quarta-feira, 17 de julho de 2013

A revelação básica nas Escrituras Sagradas, de Witness Lee - Capítulo 5

Capítulo Cinco

A IGREJA

Leitura da Bíblia: Mt 16:18; 18:17; 1 Tm 3:15; Ef 2:19; 1 Pe 2:5; Ef 1:22, 23; 3:19b; 2:15; 4:24; Cl 3:10, 11; Ef 5:25, 29, 32; Jo 3:29; Ap 19:7; 21:2,9; 22:17; Ef 6:11,12; 1 Co 12:12,13; At 8:1; 13:1; Ap 1:11-13, 20; 1 Co 3:10,11; Ef 2:20
A igreja é o objetivo final e máximo de Deus. O objetivo de Deus não é somente ter muitos cristãos individuais. Seu objetivo é ter uma igreja coletiva que possa ser Sua casa e o Corpo de Seu Filho. Esta igreja é a expressão de Deus. A igreja é tanto a família de Deus expressando Deus, o Pai, como o Corpo de Cristo expressando Cristo como Aquele que é a corporificação do Deus Triúno (Cl 2:9). O que iremos tratar neste capítulo é um extrato da revelação divina com respeito à igreja no Novo Testamento.


A EKKLESIA
A igreja é primeiramente uma ekklesia. Essa palavra grega denota uma congregação chamada para fora. Nos tem­pos antigos quando uma cidade chamava seus cidadãos para uma reunião, aquela congregação era uma ekklesia. O Novo Testamento, começando com o Senhor Jesus em Mateus 16, usa essa palavra para indicar a igreja (v. 18). A igreja é uma congregação chamada por Deus para Ele. Os Irmãos Unidos preferem usar a palavra assembléia. Creio que esta é uma melhor palavra para se usar, porque a palavra igreja em português tem sido muito danificada.
Na minha infância na China, entendíamos a palavra igreja significando um prédio com uma torre de sino. Para muitos de nós a igreja era um prédio. Hoje, muitas pessoas pensam o mesmo. Elas dizem que estão indo à igreja, referindo-se a um edifício. Esse conceito é absolutamente errado. Devemos abandonar esse pensamento. A igreja não é um edifício sem vida, mas algo orgânico, cheio de vida.
A igreja é uma assembléia de pessoas vivas, não um edifício físico sem vida. Entretanto, considerar a igreja mera­mente como uma congregação chamada para fora, uma assembléia, é ainda superficial. Pode haver uma congregação, uma assembléia, porém sem vida. Hoje existem muitas gran­des congregações em nossa sociedade, as quais estão sem a vida divina.


A CASA DE DEUS
A igreja é também a casa de Deus (1 Pe 2:5). Com isso não queremos apenas dizer que a igreja é a habitação de Deus. Esta palavra grega oikos não somente significa a casa, a habitação, mas também o lar. Oikos quer dizer tanto casa como os familiares, a família, que compõe o lar; assim, ela também pode ser traduzida por família (Ef 2:19).
O lugar de habitação de Deus hoje na terra é a igreja, e Deus, como um grande Pai, tem uma família, a qual é a igreja. Para nossa vida familiar temos uma casa e dentro da casa temos a família. Para nós a casa é uma coisa, e família é outra; a casa é o prédio e a família são as pessoas que vivem ali. A casa de Deus é a família de Deus, entretanto, são o mesmo. A casa é a família e a família é a casa.
Nós, como a igreja, somos a casa de Deus, o lugar de habitação de Deus. Ao mesmo tempo, somos a família de Deus. Tanto a casa de Deus como a família de Deus são uma única entidade, isto é, um grupo de regenerados, os chamados, habitados pelo próprio Deus. Estes chamados, que foram regenerados por Deus com Sua vida e que estão sendo habitados por este Deus vivo com tudo o que Ele é, são tanto o lugar de habitação de Deus como a Sua família. Isso é mais do que uma assembléia. Isso é diferente de um grupo de pessoas ou organização de pessoas. Isso é algo orgânico —orgânico na vida divina, orgânico na natureza divina e orgânico no Deus Triúno.
Alguns enfatizaram muito a ekklesia, mas não prestaram muita atenção ao aspecto orgânico da igreja. Eles não dis­seram muito acerca da igreja como a família de Deus. Devemos perceber, porém, que a igreja é orgânica; ela é a casa viva de Deus. Paulo diz que a igreja é a casa do Deus vivo (1 Tm 3:15) e que esta casa cresce (Ef 2:21). A sua casa cresce? As nossas casas não crescem. Elas desvalorizam-se. Mas a casa de Deus cresce! Para que algo cresça ele precisa ser vivo. Qualquer coisa sem vida não pode crescer. Tudo o que cresce é orgânico, com vida. Aleluia! nós estamos cres­cendo!
Em 1964 fui a Plainview, Texas, visitar um pequeno grupo de santos. E, em 1965 fui a Waco, Texas, visitar outro pequeno grupo. Sem fé, eu teria ficado completamente desapontado. Quando as notícias chegaram em Nova Iorque, um amado irmão com quem eu tinha servido por vários anos disse a outro irmão que ele não cria que estes pequenos grupos no Texas durariam. Em 1968 fui para Lubbock. Não vi uma igreja grande; antes, vi algo que precisava de muita fé. Pela Sua misericórdia tive aquela fé. Então os santos no Texas mudaram-se para Houston em 1969, e fui visitá-los. A situação ali era um tanto encorajadora, mas não tanto assim. Minhas visitas a Irving, entretanto, em 1982 e 1983 deixaram-me animado. Houve muito crescimento entre as igrejas no Texas porque a igreja é algo vivo. Ela é a casa viva do Deus vivo. Não é algo de organização, mas de vida; assim, seu cres­cimento é pela vida.


O CORPO DE CRISTO
A casa de Deus, a família de Deus, é orgânica, mas, num certo sentido, ela não é tão orgânica como o Corpo. A igreja é o Corpo de Cristo. Um grupo de cristãos pode ser uma assembléia, mas pode não ser na realidade a casa de Deus porque eles não vivem no espírito. Eles podem dizer que são o Corpo de Cristo, mas na realidade podem não ser, porque ainda estão vivendo na vida natural. Se vivemos em nossa vida natural, não somos o Corpo de Cristo.
Quando jovem, ouvi sobre dois ou três presbíteros que se reuniram para conversar acerca de alguns assuntos em sua assim chamada igreja. No final, um jogou sua Bíblia e outro levantou-se e saiu. Aquilo era o Corpo? Aquilo não era o Corpo, mas a carne caída.
Que é o Corpo? Olhe para si mesmo. Seu corpo é a maior parte de seu ser. Nada pode ser seu corpo, a não ser você mesmo. Uma prótese dentária não é parte do seu corpo; ela é algo extra, sem nenhuma vida. Os nossos dentes ver­dadeiros estão unidos ao nosso corpo, não por meio de organização, mas por meio de vida. Eles crescem organicamente no corpo. Um membro de seu corpo é orgânico; ele cresce em uma união orgânica com o corpo. O que quer que não esteja em união orgânica com seu corpo é estranho a ele.
Da mesma forma, o Corpo de Cristo é um organismo, não uma organização. Uma plataforma, por exemplo, con­siste em pedaços de madeira organizados e ajustados. O corpo de um homem, por outro lado, não é organizado, mas orgânico, cheio de vida.
A igreja não somente é a família viva de Deus, o Pai, mas muito mais, é um organismo vivo de Cristo, a Cabeça. O cristianismo caiu num estado onde há organização em vez de vida. Há milhões de cristãos na terra. Eles foram perdoados por meio da redenção de Cristo, lavados pelo Seu precioso sangue e regenerados pelo Espírito Santo; eles são filhos de Deus e membros de Cristo. Todavia, na realidade, em sua vida e serviço o que se vê é uma organização, não um or­ganismo. Cristo é orgânico, mas "ismo" não é. Qualquer tipo de "ismo", incluindo cristianismo e até mesmo "igreja-localismo", é uma organização.
A igreja deve ser somente orgânica, um organismo cheio da vida de Cristo. O que quer que você faça tem de ser proveniente da vida interior. Você é vivo. Você tem Cristo como a corporificação do Deus Triúno vivendo em você. Não se mova por si mesmo. Mova-se por Ele. Não aja por você mesmo. Aja por Ele. Um dia, quando pretendi visitar um irmão, fui impedido porque percebi que Cristo não estava indo visitar aquele irmão. Era somente eu, o eu natural, o bom eu, o eu com boas intenções; era totalmente eu mesmo, não Cristo. Então orei, dando ao Senhor minha posição, minha base e tudo pertencente àquela visita. Daí o Senhor começou a ir comigo. Existem muitos que amam o Senhor e são devotados a Ele e, todavia, não percebem que sua vida natural deve ser colocada de lado.
No novo homem, a igreja, "não pode haver grego nem judeu,circuncisão nem incírcuncisão, bárbaro, cita, escravo, livre; porém, Cristo é tudo e em todos" (Cl 3:10, 11). "Tudo" aqui indica pessoas. Dizer que Cristo é tudo quer dizer que Ele é você, Ele é eu mesmo, e Ele é cada um na igreja. Dizer que Cristo está em todos quer dizer que Ele está em cada um na igreja. O novo homem, a igreja, não é chinês, japonês, francês, inglês, alemão ou americano. O novo homem é Cris­to. Portanto, quando agimos como os chineses, japoneses, filipinos, americanos, ingleses, alemães, franceses ou italianos, já não somos a igreja. No novo homem não há judeu nem grego. Na realidade, no novo homem não pode haver nenhum judeu ou grego. Não pode haver nenhum chinês ou japonês. No novo homem não pode haver nenhum branco ou negro. Se ainda quer ser negro ou branco, você está acabado para o Corpo de Cristo. A igreja é um organis­mo. Portanto, devemos agir em nosso espírito, repudiando totalmente nossa vida natural.


A PLENITUDE (EXPRESSÃO) DAQUELE QUE A TUDO ENCHE EM TODAS AS COISAS
Muitos cristãos não entendem o que a palavra plenitude quer dizer em Efésios 1:23 e 3:19. Eles pensam que a palavra plenitude quer dizer riquezas. Efésios 1:23 diz que a igreja "é o seu corpo, a plenitude daquele que a tudo enche em todas as cousas." Gramaticalmente "a plenitude" está em aposição a "seu corpo"; isto quer dizer que o Corpo é a plenitude e a plenitude é o Corpo. Plenitude não quer dizer as riquezas. Em Efésios, as riquezas insondáveis de Cristo são men­cionadas em 3:8. Temos de diferençar entre as riquezas e a plenitude. Os Estados Unidos têm supermercados cheios das riquezas da América. As riquezas da América são seus produtos, mas a plenitude da América é um americano robus­to. Essa plenitude é a expressão.
A plenitude provém das riquezas. Entretanto, se nós não comemos e digerimos as riquezas, podemos tê-las sem ter a plenitude. As riquezas resultam na plenitude pelo comer e digerir. Se não comemos e digerimos as riquezas, per­maneceremos magros e pequenos. Da mesma forma, a igreja não é somente o Corpo de Cristo, mas também a plenitude, a expressão, que resulta do desfrute das riquezas de Cristo.
Essa plenitude é a expressão do próprio Cristo univer­sal, que enche tudo em todas as coisas. Colossenses 3:11 diz que Cristo é tudo e em todos. "Tudo" e "todos" neste versí­culo, referem-se a pessoas. Em Efésios 1:23, entretanto, o "tudo em todas as coisas" que Cristo enche é algo universal. Cristo é ilimitado (Ef 1:23; 3:18). As dimensões do universo são na realidade as dimensões de Cristo. Quão longo é o comprimento? Quão alta é a altura? Quão profunda é a profundidade? Quão larga é a largura? Ninguém pode dizer. As dimensões de Cristo em Efésios 3:18 são insondáveis e ilimitadas. Essas dimensões são a descrição de Cristo.
Cristo enche tudo em todas as coisas, e nós, a igreja, pelo desfrutar de Suas riquezas, finalmente nos tornamos Sua plenitude. Se eu tivesse somente uma cabeça, sem um corpo, não teria plenitude. Esta plenitude é minha expressão. Temos de perceber que a igreja como o Corpo de Cristo é a plenitude de Cristo como Sua expressão.


A PLENITUDE (EXPRESSÃO) DE DEUS
Em Efésios 3:19, a Versão IBB Revisada de João Fer­reira de Almeida, diz: "Para que sejais cheios até a inteira plenitude de Deus". Somos enchidos até toda a plenitude de Deus. Somos enchidos, resultando em uma expressão de Deus. Plenitude aqui quer dizer expressão. Paulo disse que ele orou para que o Pai nos fortalecesse com poder mediante Seu Espírito no homem interior para que Cristo pudesse fazer Sua morada em nosso coração, e que pudéssemos conhecer as dimensões de Cristo — a largura, o comprimento, a altura e profundidade — para que pudéssemos ser enchidos até resultar na plenitude de Deus, a expressão de Deus (Ef 3:14-19).
Todo o livro de Efésios trata da igreja. Ela é a casa ou a família de Deus (2:19), ela é o Corpo de Cristo (1:23), e ela é a plenitude como a expressão de Cristo e de Deus (1:23; 3:19). De acordo com o capítulo três, a igreja pode ser tal expressão, não somente de Cristo, mas também de Deus, quando Cristo faz Sua morada em nosso coração para que possamos experimentar as Suas riquezas insondáveis. En­quanto estamos desfrutando Dele de tal forma, somos enchidos com todas as riquezas de Cristo, resultando numa expressão de Deus.
A igreja hoje deve ter tal expressão, resultante do rico desfrute das riquezas insondáveis de Cristo. Temos muito en­cargo pela situação entre os cristãos. Onde há uma expressão de Deus? Espero que entre nós haja tal expressão. Todos precisamos orar por nós mesmos assim como Paulo orou por nós em Efésios 3. Devemos dobrar os joelhos perante o Pai para que Ele nos fortaleça no nosso homem interior, para que Cristo faça Sua morada em nosso coração, estabelecendo-se plenamente em cada "avenida", em cada parte de nosso ser interior. Então podemos desfrutar do Seu amor, e podemos tocar e possuir as Suas dimensões. Seremos enchidos com Ele até a plenitude de Deus, a expressão de Deus. Isso não é somente uma assembléia ou uma congregação de cristãos chamados para fora. Isso é um grupo de pessoas plenamente possuídas por Cristo e desfrutando-O ao máximo, sendo saturadas por Ele e enchidas com Ele a tal ponto que elas tornam-se uma expressão de Deus.
O que quer que comamos, isso expressamos. Quando jovem, às vezes ia visitar meus avós que viviam à beira-mar. Freqüentemente comiam peixe, enquanto que a nossa família raramente comia peixe. Sempre que ia à casa de meus avós, eu não cheirava outra coisa a não ser peixe. Um dia pergun­tei a minha mãe por que todos ali cheiravam a peixe. Ela replicou: "Você não sabe que eles comem peixe todos os dias? É por isso que cheiram a peixe!" O que quer que coma­mos, tornamo-nos e expressamos isso.
Quando comemos Jesus, nós exalamos Seu perfume (2 Co 2:15), O expressamos, e nos tornamos Ele. Que é a igreja? A igreja é a expressão do próprio Cristo a quem comemos. Toda a plenitude da deidade está corporificada neste Cristo, e este mesmo Cristo é nosso pão da vida (Jo 6:48). Ele disse: "Quem de mim se alimenta, por mim viverá" (Jo 6:57). Quando comemos Cristo, vivemos por Ele. Este Cristo é a corporificação do Deus Triúno; quando comemos Cristo, comemos o Deus Triúno. O nosso Salvador, Jesus Cristo, a corporificação do Deus Triúno, é o nosso maná diário, o nosso alimento diário. Nós O comemos, então O ex­pressamos. Essa expressão é a plenitude Daquele que a tudo enche em todas as coisas. Por fim, essa é plenitude do Deus Triúno. Podemos ser tal expressão por comer Jesus. Deixe-O saturar todo o seu ser. Deixe-O estabelecer-se em cada sala, cada avenida, e cada canto de seu interior — em sua mente, sua emoção, sua vontade, sua consciência, sua alma e em seu espírito; em seu amar, suas decisões, sua intenção e sua motivação. O que quer que você faça, deve ser enchido com Cristo.
Comer Jesus é simplesmente tomá-Lo para dentro de nós e deixá-Lo ser assimilado para dentro de nosso ser. Comer significa receber alimento para dentro de nosso ser; comer Jesus significa recebê-Lo para dentro de nosso ser. O resultado do nosso comê-Lo é a plenitude Daquele que a tudo enche em todas as coisas e também do próprio Deus Triúno. Esta plenitude é a igreja. A igreja não é somente uma assembléia, nem é somente a casa de Deus, a família de Deus; ela é também o Corpo, um organismo dessa Pessoa viva, o qual finalmente torna-se Sua plenitude e a plenitude do Deus Triúno.


O NOVO HOMEM
Efésios 2:15 diz que Cristo por meio da cruz "aboliu na sua carne a lei dos mandamentos na forma de ordenanças, para que dos dois criasse em si mesmo um novo homem." Então em Efésios 4:22-24 é-nos dito para despojar-nos do velho homem e revestir-nos do novo homem. Este novo homem é o Corpo de Cristo. Revestir-se do novo homem quer dizer viver uma vida por meio do Corpo. Antes de nossa salvação estávamos vivendo no velho homem, na velha sociedade, mas agora somos membros de Cristo, vivendo em Seu Corpo. Devemos despojar-nos do velho homem com a velha vida social, e devemos revestir-nos do novo homem, a igreja. Neste novo homem não há nada natural, nada judeu, nada grego, nada de posição social; todos estão cheios de Cristo, assim Cristo é tudo e Cristo está em todos (Cl 3:10, 11). Não há nada além de Cristo no novo homem. A nossa vida é Cristo, nosso viver é Cristo, nossa intenção é Cristo, nossa ambição é Cristo, nossa vontade é Cristo, nosso amor é Cristo, e tudo o mais relacionado a nós é Cristo. Ele satura todo o nosso ser.
Esse novo homem, de acordo com Efésios 4:17-32, vive uma vida pela graça e verdade. Esses são os dois fatores prin­cipais no viver de tal novo homem para cumprir o propósito de Deus. Deus necessita de um novo homem nesta terra para cumprir o Seu propósito, para levar a cabo Sua intenção.


A NOIVA DE CRISTO
Em Efésios 5 temos a igreja como a noiva de Cristo (vs. 25, 29, 32; ver também Jo 3:29; Ap 19:7; 21:2, 9; 22:17). Cris­to deu-se na cruz não somente por você e por mim individualmente, mas para a igreja. Quando pensamos acerca da morte de Cristo, normalmente consideramos somente a nós mesmos individualmente. Sim, Cristo nos amou e morreu na cruz por cada um de nós, mas Sua morte foi principal­mente para a igreja.
Cristo também alimenta e cuida da igreja com carinho (v. 29). Alimentar é nutrir. Cuidar com carinho é envolver com cuidado amoroso, cheio de calor, como uma mãe segurando seu filho junto ao peito. Cristo trata Sua igreja dessa maneira supridora e carinhosa.
O grande mistério mencionado em 5:32 refere-se a Cris­to e à igreja. O capítulo 5 refere-se ao amor (vs. 2, 25) e à luz (vs. 8, 9, 13). Amor é a fonte da graça e luz é a fonte da ver­dade. Quando a luz brilha, ali está a verdade. Quando o amor é expresso, ali está a graça. No capítulo quatro, a igreja como o novo homem, experimenta graça e verdade, mas no capítulo 5 a noiva que satisfaz Cristo experimenta algo mais profundo e mais elevado, isto é, amor e luz. Como o novo homem, a igreja cumpre o propósito de Deus. Como a noiva, a igreja satisfaz o desejo de Cristo. Ele é o Esposo e a igreja é Sua esposa, satisfazendo o desejo de Seu Esposo.


A GUERREIRA
No capítulo quatro o novo homem cumpre o propósito de Deus. No capítulo cinco a noiva satisfaz o desejo do coração de Cristo. Agora, no capítulo seis, a igreja como a guerreira luta contra o inimigo de Deus (vs. 10-17).


SEU ASPECTO UNIVERSAL
O aspecto universal da igreja é mencionado em Mateus 16:18. Quando Pedro reconheceu que o Senhor Jesus era o Cristo e o Filho de Deus, o Senhor disse a ele que Ele edificaria Sua igreja sobre esta rocha. A igreja aqui é univer­sal, compreendendo todos os crentes de todos os tempos e em todos os lugares, incluindo Paulo, Pedro, e todos os san­tos ao longo destes vinte séculos (1 Co 12:13).


SEU ASPECTO LOCAL
O aspecto local da igreja é referido pelo Senhor Jesus em Mateus 18:17. O Senhor Jesus nos quatro Evangelhos menciona a igreja somente duas vezes: uma vez em Mateus 16:18, referindo-se a seu aspecto universal, e a segunda vez em Mateus 18:17, referindo-se a seu aspecto local.
Em Mateus 18 o Senhor Jesus disse que se temos algum problema que não podemos resolver, devemos dizer isso para a igreja. Isso refere-se à igreja em uma certa localidade. Seria difícil contar um problema para a igreja universal. Hoje, muitos cristãos que amam ao Senhor preocupam-se somente com a igreja universal. No conceito deles, contanto que sejam membros do Corpo de Cristo, isso é suficiente; mas perguntaríamos, praticamente falando, onde está a igreja deles? Se temos algum problema que para ser resolvido necessita da ajuda da igreja, aonde iremos? Temos de ter uma igreja local da qual sejamos parte, da qual podemos obter ajuda e à qual podemos ir com os nossos problemas.

As Igrejas Locais
Universalmente, a igreja é uma, mas localmente, as igrejas são muitas. Em Atos 8:1 há a igreja em Jerusalém. Em Atos 13:1 (VRC) há a igreja em Antioquia. Em seguida há igrejas mencionadas em Atos 14:23 e 15:41; aqui a palavra igrejas é usada porque havia várias cidades nestas regiões. Em Romanos 16:1 há a igreja em Cencréia. Há a igreja em Corinto (1 Co 1:2). Em Gaiatas 1:2 temos as igrejas na Galácia; havia muitas, porque a Galácia era uma província do antigo Império Romano com muitas cidades. Em Apocalipse 1:4 e 11 há as sete igrejas na Ásia. A Ásia também era uma província.
Apocalipse 1:11 diz: "O que vês, escreve em livro e manda às sete igrejas: Efeso, Esmirna, Pérgamo, Tiatira, Sar-des, Filadélfia e Laodicéia." Este versículo revela que uma igreja é equivalente a uma cidade. Escrever para a igreja em Efeso quer dizer escrever para a cidade de Efeso. Estas são igrejas locais. Igreja local não é um termo usado como um nome, mas ele descreve o fato de haver uma igreja em uma cidade. A igreja não tem um nome, assim como a lua não tem um nome. Não há tal coisa como lua americana ou lua chinesa. A lua na China é a mesma lua como em outros países. Quando ela está sobre a China, ela é a lua na China. Quando ela está sobre a Inglaterra, ela é a lua na Inglaterra. Ela é uma única lua. Da mesma forma, a igreja é uma; ela é única. A igreja é tanto local como universal.

Os Candelabros
Essas igrejas locais são candelabros. Um candelabro é a corporificação do Deus Triúno. Como sabemos disso? Primeiro, a substância do candelabro é ouro, significando Deus, o Pai, e a natureza divina. Então, o candelabro tem um formato; ele não é somente uma massa informe de ouro, mas tem uma forma definida. Isso significa Cristo como a própria corporificação de Deus. Terceiro, as sete lâmpadas são os sete olhos do Cordeiro e os sete Espíritos de Deus (Ap 5:6; 4:5 - IBB - Rev.). As sete lâmpadas como os sete Espíritos de Deus são a expressão do Deus Triúno. O Espírito é a expressão, o Filho é o formato, a forma, e o Pai é a substância da igreja como o maravilhoso candelabro.
Dizer que a igreja é a corporificação do Deus Triúno não é fazer a igreja uma parte da deidade, um objeto de adoração. Queremos dizer que a igreja é uma entidade nas­cida de Deus (Jo 1:12, 13), possuindo a vida de Deus (1 Jo 5:11, 12), e desfrutando a natureza de Deus (2 Pe 1:4). A igreja tem a substância divina, possui a semelhança de Cristo e expressa o próprio Deus. Desde que nascemos de Deus, nós certamente temos a vida de Deus e possuímos a Sua natureza, e desfrutamos esta vida e natureza todos os dias. Estamos aprendendo por Sua misericórdia e graça a não viver por nossa vida natural, mas por meio da vida e natureza divinas. Enquanto estamos sendo assim transformados, haverá a plenitude, a expressão, a forma, a aparência de Cris­to, e estaremos brilhando, não por nós mesmos, mas pelo Espírito sete vezes intensificado.
A igreja é a corporificação do Deus Triúno para expressá-Lo. Nós, como membros de Cristo, somos os filhos de Deus nascidos Dele, tendo Sua vida e possuindo Sua natureza. Estamos fazendo o melhor para viver por esta vida e natureza, para que possamos ser enchidos e saturados com este rico Cristo a fim de tornarmo-nos Sua expressão por meio do Espírito sete vezes intensificado.
Isso é uma igreja local. Ela não é somente uma assembléia exterior. Ela é algo interior, de vida, contudo, ex­pressando o próprio Deus. Queridos santos, este é o objetivo de Deus.

Seu Conteúdo — o Cristo Pneumático
O conteúdo da igreja é o Cristo pneumático. Grandes mestres na história da igreja primitiva usaram tal termo. Isso quer dizer que Cristo é idêntico ao pneuma, ao Espírito. Não conseguimos explicar isso, todavia isso é um fato. Hoje você e eu estamos vivendo Cristo. Cristo não é somente nossa vida interior, mas também nosso viver exterior. Paulo disse: "Para mim o viver é Cristo" (Fp 1:21a). Nós vivemos Cristo. Ele não é meramente o Cristo objetivo sentado no trono; esse Cristo que está no trono à destra de Deus está simultanea­mente dentro de nós.
Como Cristo pode estar no trono nos céus e também estar dentro de nós? Romanos 8:34 nos diz claramente que Cristo está à destra de Deus, mas o versículo 10 do mesmo capítulo diz: "Cristo está em vós". No mesmo capítulo, um versículo nos diz que Cristo está nos céus e outro versículo nos diz que Cristo está em nós.
A eletricidade nos proporciona uma boa ilustração de como isso pode ser. A luz em uma sala vem da eletricidade. Essa eletricidade está ao mesmo tempo na usina elétrica e na sala. Há uma corrente de eletricidade. Essa corrente conecta a usina elétrica ao prédio. Similarmente, Cristo é "elétrico", pneumático. Há uma corrente do trono de Deus para o nosso espírito. Aleluia! O nosso espírito está todo conectado ao trono celestial, assim como as luzes em uma sala estão todas conectadas à usina elétrica pela corrente interior de eletricidade. A corrente de eletricidade é simplesmente a própria eletricidade. A corrente é a eletricidade em movimento. A eletricidade que se move é a corrente. Cristo é o pneuma que se move. Essa corrente que se move é chamada por João, em sua primeira epístola, de comunhão (1 Jo 1:3). A comunhão é a corrente de Cristo. Cristo está circulando, movendo-se. Carecemos de expressão humana para descrever algo tão misterioso e profundo. A eletricidade, entretanto, pode ajudar-nos a ilustrar tal assunto misterioso, abstrato.
O nosso Cristo é a corrente de eletricidade. O nosso Cristo é a circulação sangüínea em Seu Corpo. Ele é a própria comunhão entre Deus e nós, e entre todos os filhos de Deus. A corrente é o Cristo pneumático e este Cristo pneumático é o próprio conteúdo da igreja. Cristo, que é o Espírito que dá vida (1 Co 15:45 - lit.), está sempre se moven­do para infundir a Si mesmo para dentro de nós. O propósito da corrente elétrica é infundir eletricidade para dentro das lâmpadas para que todas elas possam expressar a luz da eletricidade. Esse Cristo pneumático está movendo-se em nós com o propósito de infundir-se para dentro de nós para que possamos expressar a Sua vida. Todos fomos batizados Nele e agora estamos bebendo Dele (1 Co 12:13).


SEU FUNDAMENTO
O fundamento da igreja é Cristo, revelado e ministrado por intermédio dos apóstolos e profetas. Efésios 2:20 fala do fundamento dos apóstolos e profetas. Esse fundamento é o próprio Cristo que eles ministraram a outros. Paulo disse que Cristo era o único fundamento, o qual ele havia lançado. Ninguém pode lançar outro fundamento (1 Co 3:10, 11). O Cristo, que é o fundamento da igreja, é o Cristo único, revelado e ministrado pelos primeiros apóstolos, como registrado no Novo Testamento.
Devemos ficar com esse Cristo. Não devemos tomar "outro Cristo". Quão gratos somos ao Senhor por que Ele tem guardado Sua Santa Palavra nesta terra, e que sob Sua soberania ela tem sido traduzida para tantas línguas! Que misericórdia! Se não houvesse a Bíblia nesta terra, que era tenebrosa seria esta. Aleluia, temos a Bíblia! Isso é certa­mente a lâmpada brilhando em um lugar escuro (2 Pe 1:19). Ela tem-se tornado a luz do nosso caminho (SI 119:105) e nós estamos andando nesta luz — a luz da Bíblia.


SUA BASE
A Primeira Epístola aos Coríntios 3:11 diz que não há outro fundamento que possa ser lançado exceto o único fun­damento, Cristo. Antes que uma fundação seja lançada, entretanto, uma casa deve ter um terreno no qual ela possa ser construída. O lote é a base sobre a qual o fundamento é construído. Então a casa é construída em cima do fundamen­to. A estrutura é construída sobre o fundamento e o fundamento é lançado sobre a base.
A Igreja Católica alega que o seu fundamento é Cristo. As Igrejas Metodista e Prebisteriana também alegam que o fundamento delas é Cristo. Todas as denominações fazem esta mesma afirmação. O fundamento delas, entretanto, está edificado sobre diferentes bases. A Igreja Presbiteriana está edificada sobre Cristo na base Presbiteriana. A Igreja Batista está edificada sobre Cristo, mas na base da imersão na água deles. Os metodistas têm uma base metodista sobre a qual Cristo como o fundamento deles está edificado. As várias denominações seguem o mesmo caminho. Elas edifícam sua denominação em Cristo mas na base particular delas.
Nós não gostamos de criticar, mas temos de falar a ver­dade. Fico pesaroso porque a Igreja Batista Sulina somente reconhece aqueles que são imersos na água deles e pelos pas­tores deles. Se alguém foi imerso em outro lugar, eles não o deixarão juntar-se a eles a menos que ele aceite a imersão deles feita pelo pastor deles. Isso faz da imersão Batista a base e os torna uma facção, uma denominação. A Igreja de Cristo tem uma prática similar, exceto que eles crêem na regeneração batismal, que a água deles pode regenerar aqueles que são batizados nela.
Antes de vir a Dallas em 1966, fui convidado por um irmão em Los Angeles para jantar em sua casa. Enquanto estávamos comendo, um irmão perguntou-me se cria no batismo pela água. Eu disse: "Creio no batismo pela água e no batismo pelo Espírito também." Ele imediatamente começou a argumentar que não havia tal coisa de batismo pela água na Bíblia. Era cristão há quarenta anos e nunca tinha ouvido nenhum cristão dizer que no Novo Testamento não há batismo pela água. Quando citei a ele João 3:5 acerca de ser nascido da água e do Espírito, ele disse que a água ali era a água do ventre materno! Para ele, todos devem primeiramente nascer de sua mãe, o que é significado pela água, e então ele tem de nascer do Espírito. Eu nunca tinha ouvido tal explicação. O conceito era tão absurdo que senti que não havia necessidade de falar.
Na manhã seguinte voei para Dallas. A noite tive uma reunião ali. Enquanto eu estava falando, uma mulher ousada perguntou-me acerca do batismo pela água. Descobri que ela era da Igreja de Cristo e que era totalmente pelo batismo na água deles. Em Los Angeles alguém fora totalmente contra o batismo pela água, e no dia seguinte em Dallas havia alguém totalmente a favor do batismo pela água. Tal é a situação de hoje. Pessoas edifícam uma assim chamada igreja sobre a base deles.
Todas as diversas denominações vieram à existência nas suas diversas bases. Seus vários nomes — Presbiterianas, Batistas, Episcopais, Luteranas, Metodistas, Pentecostais e outras — são as bases sobre as quais edifícam suas igrejas. Em que base você está edifícado? Não diga em Cristo. Todo cristão diz isso. Qualquer que seja a denominação ou grupo a que você vai, eles dirão que o fundamento deles é Cristo. Mas, e quanto a base onde o fundamento é lançado?
Qual é a nossa base? A base do início da era cristã, desde o tempo dos apóstolos, é a única unidade do Corpo de Cristo, mantida e expressada em cada igreja na sua localidade (Ap 1:11). Isso quer dizer que nós, cristãos, em qualquer localidade que estejamos, nos reunimos para ser a igreja ali. Não temos outra base além daquela da única unidade do Corpo de Cristo. Uma igreja local é uma expressão da igreja universal. A igreja universalmente é uma, e este único Corpo de Cristo é expressado em muitas localidades. Em toda localidade onde há vários santos, esses santos devem reunir-se como a igreja ali, não para tomar a base do batismo por imersão, falar em línguas, o presbitério, um método, o sis­tema episcopal, ou alguma base exceto aquela de ser um com
todos os outros reunindo-se ali como a expressão local do Corpo de Cristo.
Essa unidade deve ser a base na qual somos edificados. Não devemos ser sectários; não devemos ser exclusivos. Temos de ser todo-inclusivos, abertos e amando todos os queridos santos. Contanto que sejam cristãos, eles são nossos irmãos. Os nossos irmãos foram dispersos para muitas denominações. Apesar disso, nós ainda os amamos. Não devemos ter uma atitude ou um espírito de luta, oposição ou debate. Isso é errado. Devemos sempre manter um espírito e uma atitude de amar todos os cristãos. Desde que carreguem o nome de cristão e creiam no Senhor Jesus, eles são nossos irmãos e irmãs. Nas igrejas locais não temos nenhuma parede. Não temos nenhuma cerca. Consideramos todos os queridos cristãos como nossos irmãos.


PREGAR O EVANGELHO, APRESENTAR
A VERDADE E MINISTRAR VIDA
COMO O TESTEMUNHO DE JESUS
Devemos aprender a verdade, crescer em vida, e sair para contatar as pessoas. O que dissermos dependerá do nosso discernimento. Se a pessoa não é salva, pregaremos o evangelho. Se descobrimos que ela é cristã, podemos apresentar a verdade que temos aprendido. Cristãos apreciam muito a verdade. Talvez possamos apresentar a ver­dade da transformação como em 2 Coríntios 3:18. Então, se possível, podemos ministrar vida a ela testemunhando, dizendo a ela como recebemos Cristo e como nós O ex­perimentamos como vida. Um testemunho ministrará vida às pessoas. Não espere trazer as pessoas para a reunião para que a igreja aumente. Deixe o assunto do aumento nas mãos do Senhor. O nosso testemunho não é um grande número. O nosso testemunho é um grupo de santos vivendo no espírito, andando de acordo com o espírito, e sendo a expressão viva de Jesus na família, na escola, no trabalho e na vida da igreja. O nosso encargo é apresentar o evangelho para os não-sal-vos, a verdade para os salvos, e vida aos que a buscam. Deixe
o assunto da igreja com o Senhor. Deixe cada pessoa esco­lher por si mesma de acordo com o seu discernimento. Ninguém pode controlar o cristianismo de hoje. Ele é grande demais. Temos de perceber a nossa pequenez. Nós devemos viver Cristo e andar no espírito, sendo o testemunho vivo Dele. Desse modo seremos um benefício para todos aqueles que contatamos. Não devemos esperar que eles venham à nossa reunião. Se eles quiserem vir, é claro que não os rejeitaremos. Espero que estejamos todos claros acerca de onde nos posicionamos e como praticamos a vida da igreja. Que o Senhor abençoe a todos nós.


SÉRIE HISTÓRIA DA TEOLOGIA: 17 de julho na história da Teologia

17 de julho é o 198.º dia do ano no calendário gregoriano (199.º em anos bissextos). Faltam 167 para acabar o ano.

Eventos históricos

  180 - Doze habitantes de Sílio, na Numídia (Norte da África), são executados por serem cristãos. É a primeira vez que há relatos sobre cristãos nessa região.

Nascimentos

1853 - Alexius Meinong, filósofo austríaco (m. 1920).
1894 - Georges Lemaitre, padre, astrônomo e físico belga (m. 1966).
1918 - Ivo Antônio Calliari, religioso brasileiro (m. 2005).

Falecimentos

855 - Papa Leão IV.
1566 - Bartolomé de las Casas, frade dominicano, cronista, teólogo e bispo de Chiapas (México) (n. 1474).
1794 - Teresa de Santo Agostinho, beata carmelita francesa, priora das Carmelitas de Compiègne (n. 1752)

2004 - Agenor Miranda, babalorixá escritor brasileiro.

terça-feira, 16 de julho de 2013

Um chamado para a Angustia

A Reforma violenta

Artigo do Padre José do Vale

Reformador Intolerante - João Calvino

21.11.2012 - “João Calvino governou Genebra tão brutalmente quanto Josef Stalin, na Rússia”  Robert Wrigh(1)  - Ensaísta e escritor americano
          João Calvino nasceu em Noyon, França, em 1509. Ele fundou um movimento religioso que desempenhou um papel importante na vida de muitas pessoas na Europa, nas Américas, na África do Sul e em outros lugares. Calvino é considerado um dos maiores reformadores na história ocidental.
         Em resultado de Reforma, as cidades e os Estados individualmente declararam sua sujeição ao catolicismo, ao luteranismo ou ao calvinismo, transformando a Europa num foco de desunião religiosa. Embora os Reformadores estivessem unidos em criticar a Igreja Católica, eles discordavam entre si. A Dra. Sabine Witt, curadora do Museu Histórico da Alemanha, em Berlim, diz: “Desacordos Teológicos se desenvolveram até mesmo entre os protestantes”.
         Os três principais reformadores são de nacionalidades diferentes, doutrinas, (ou heresias) diferentes, intolerâncias e brutalidades diferentes.
Martinho Lutero, alemão e conivente com a carnificina dos pobres camponeses em 1525, mais de 150 mil foram mortos. Huldreich Zwínglio, suíço, morreu numa batalha em Cappel em 1531, nessa sangrenta batalha, segundo alguns historiadores, Zwínglio tombou segurando a Bíblia em uma mão e na outra a espada.
         O protestantismo nasceu dentro de um contexto de conflitos sangrentos, falta de comunhão entre os próprios líderes, governos eclesiásticos incompatíveis entre si, o mais belo Sacramento: a Eucaristia não unem os protestantes, a Bíblia é interpretada escandalosamente, cismas e heresias continuam a envergonhar o cristianismo. Foi com muita razão que o intelectual inglês e ex-protestante John Henry Newman afirmou: “Aprofundar o conhecimento a cerca da história é abdicar do protestantismo”.
         Calvino atacou os ensinos católicos e manteve sua posição a respeito da base de sua crença – a soberania de Deus e predestinação. Além do impacto nos assuntos religiosos, o livro Instituição Cristã, de Calvino, é também conhecido por sua influencia na língua e no estilo literário francês. Calvino foi aclamado como um dos mais importantes reformadores da História. Por fim, ele se estabeleceu em Genebra, Suíça, e de 1541 em diante fez dessa cidade o centro de suas reformas ditatoriais.
As Reformas em Genebra
         Calvino exerceu uma poderosa influência em Genebra. Motivado por um forte senso de moralidade e justiça, ele transformou Genebra de “uma cidade com má reputação em uma cidade onde um estrito código de moral regulamentava a vida de todos” observa a The Encyclopedia of Religion (Enciclopédia da Religião). Também houve outras mudanças. A Dra. Sabine Witt diz: “Em resultado das guerras religiosas na França, a população de Genebra dobrou em poucos anos por causa de milhares de protestantes que se refugiaram ali”. Os huguenotes, que seguiam a mesma ética de trabalho de Calvino, impulsionaram a economia da cidade, fazendo de Genebra um centro de impressão e de fabricação de relógios. Daí o prelúdio do capitalismo.
         Refugiados de outros países também foram para Genebra, incluindo muitos da Inglaterra, onde os protestantes estavam sob ameaças da Rainha Maria I. Assim, formados em geral por uma minoria de exilados, os calvinistas desenvolveram o que a revista religiosa Christ in der Gegenwart chama de “teologia dos perseguidos”. Em 1560, os refugiados publicaram a Bíblia de Genebra, a primeira Bíblia em inglês que continua a divisão numérica dos versículos. Por ser pequena, essa Bíblia facilitava o estudo pessoal da Palavra de Deus. É provável que os puritanos tenham levado essa tradução da Bíblia para a América do Norte quando emigraram para lá em 1620.
         No entanto, Genebra não era um lugar seguro para todos. Miguel Servet, nascido em 1511 na Espanha, estudou grego, latim, hebraico, advocacia e medicina, e talvez tenha conhecido Calvino quando os dois estudavam em Paris. Servet percebeu pelo seu estudo da Bíblia que a doutrina da Trindade não era bíblica. Ele tentou se corresponder com Calvino sobre esse assunto, mas Calvino encarava Servet como um inimigo. Perseguido pelos católicos na França, Servet fugiu para Genebra, a cidade de Calvino. Em vez de ser bem acolhido, ele foi preso, julgado por heresia e queimado na estaca em 1553. “A execução de Servet continua a ser uma marca desonrosa na vida e no trabalho do grande Reformador João Calvino”, diz o historiador alemão Friedrich Oehninger.
         Calvino trabalhou muito ao passo que procurava alcançar seu objetivo de reformar a Igreja. Diz-se que ele escreveu mais de cem obras de referência e mil cartas, e proferiu uns 4 mil sermões em Genebra. Por meio de todo esse trabalho, Calvino não só apresentou seu ponto de vista sobre o cristianismo, mas também tentou obrigar as pessoas a seguir o cristianismo da forma que ele achava ser a melhor, especialmente em Genebra, o lugar que ele sonhava transformar numa cidade de Deus.
         O que Calvino conseguiu realizar em Genebra com seus esforços incansáveis? De acordo com a Agência Federal de Estatísticas da Suíça, no ano 2000, apenas 16% dos habitantes de Genebra pertenciam à Igreja Reformada (calvinista), é há mais católicos do que calvinistas naquela cidade.
              TERROR DE CALVINO EM GENEGRA
          “A ditadura do austero reformador João Calvino encontra poucos exemplos na história, pelo terror, desconfiança e atmosfera de opressão que soube criar na esplêndida cidade de Genebra”.
    A. Galli e D. Grandi (2) -  Historiadores eclesiásticos italiano.  -  Autores da obra História da Igreja
          Em 1542, Calvino publica em Genebra o seu livro de catecismo: "Catéchisme de l'Église de Genève, c'est-a-dire, le formulaire d'instruire les enfants en la chrétienté". A chave do projeto de Calvino passa pela pedagogia. O seu objetivo é a profunda transformação das mentalidades. Cada resquício de superstição, de práticas de magia, ou de catolicismo é perseguido como idolatria que pode chegar sentença de morte.
         O consistório, do qual Calvino fazia parte, ocupava-se desses e de outros casos. Refiram-se alguns:
 Em 1542, uma mulher chamada Jeanne Petreman é acusada de se recusar a participar da eucaristia, de dizer o pai-nosso em língua "romana" e de proclamar que a Virgem Maria era a sua defensora. Diz também que se nega a acreditar noutra fé que não a sua. É excomungada.
 Em 2 de Setembro de 1546, aparece em Genebra um franciscano que pedia na rua um jantar em nome de Deus e da Virgem Maria. Devemos pressupor que ele obteve o seu jantar, mas foi também levado ao consistório, que logo constatou que o "papista" mal conhecia a bíblia, além de ser inofensivo. Foi expulso da cidade, para o lado da fronteira, com os católicos.
 A 23 de Junho de 1547 comparecem perante o consistório várias mulheres que tinham sido apanhadas a dançar - uma delas era a esposa de um dos membros do consistório. O caso ganhou contornos de escândalo. As mulheres foram condenadas a alguns dias de prisão, apesar de vários apelos. Em reação à decisão, são colocados na cidade cartazes contra Calvino. O autor dos cartazes, Jacques Gruet, é torturado. Depois de confessar a sua autoria, é executado.
 Em 1548, Louis Le Barbier é interrogado sobre a sua fé. Declara que não tem fé. Entretanto, descobrem livros de bruxaria e de escárnio na sua posse. É admoestado perante o consistório, mas não será perseguido.
          Os nomes de baptismo são regulamentados. Devem ser nomes que figuram na Bíblia. Um decreto de 22 de Novembro de 1546 dispõe que certos nomes são proibidos, entre os quais:
 Suaire, Claude, Mama (lembram a idolatria)
 Baptistes, Juge, Evangéliste
 Dieu le Fils, Espoir, Emmanuel, Sauveur, Jésus (destinados apenas a nosso senhor)
 Sépulcre, Croix, Noël, Pâques, Chrétien (nomes estúpidos ou absurdos)
        O luxo e a pompa são desprezados. Em setembro de 1558, Nicolas des Gallars, um amigo de Calvino, inicia uma grande campanha na cidade em desprezo do supérfluo, as modas entre as mulheres e as más leituras. São queimados vários exemplares do livro "Amadis de Gaula", na posse de um comerciante. A radicalidade pelo “zelo religioso” tomava a forma de censura moral e mortal.
                           Peste Negra em Genebra
          Em 1542, há um surto de peste negra em Genebra. A peste negra permanecia então um fenómeno incompreensível - para lidar com a epidemia, era normal que se multiplicassem os casos de feitiçaria e de rituais contra a peste. Este tipo de práticas já era conhecido em Genebra antes da reforma e, tal como antes, os protestantes replicam com a perseguição, tortura e morte dos suspeitos. Aquelas que são identificadas como bruxas são queimadas vivas, enquanto se propaga a ideia de que estas desgraças são um castigo de Deus.
                           Crescimento Demográfico
          A partir de 1542 e, sobretudo na década de 1550, a cidade de Genebra vai conhecer um grande crescimento demográfico, com a chegada de refugiados franceses, protestantes perseguidos em França. Consequentemente, há uma fase de expansão económica (relojoaria, tecelagem…) e a língua francesa começa a ter preponderância sobre o dialeto franco-provençal da região.
         Mas é também uma época marcada pelo crescimento de sentimentos xenófobos, em parte devidos a ressentimentos contra Calvino:
 Em Janeiro de 1546 é preso Pierre Ameaux, que tinha injuriado publicamente Calvino, ao referir-se a este como um "picard", pregador de uma falsa fé.
 Um outro senhor Ameaux é preso mais tarde por razões semelhantes. Este senhor tinha boas razões para não gostar do extremo zelo religioso imposto por Calvino, já que era fabricante de cartas de jogo. Foi condenado a percorrer a cidade de uma ponta à outra, descalço, em camisa, com uma vela na mão.
 A 23 de Setembro de 1547, François Favre comparece em tribunal por ter afirmado que Calvino se auto-nomeara bispo de Genebra e que os franceses tinham escravizado a sua cidade natal.
 Mais tarde, em 1548, um senhor chamado Nicole Bromet declara que os franceses deveriam ser todos colocados num barco e enviados pelo rio Reno abaixo.
          Em 1547, Henrique II de França sucede a Francisco I. Henrique será um rei menos reconhecido, em comparação com Francisco. É caracterizado como menos carismático, menos entusiasta pelas artes e ciências, mais introvertido e frio.
Em 1550 a repressão dos huguenotes em França cresce. É estabelecida a chambre ardente. A censura é fortalecida.
                A Morte de Miguel Servet Por Calvino
           Aos 20 anos de idade, Miguel Servet (1511-1553), um espanhou formado em advocacia e medicina, publicou De Trinitatis erroribus (Erros da Trindade), em que declarou que “não usaria a palavra Trindade, que não se encontra nas Escrituras Sagradas, e que apenas parece perpetuar erros filosóficos”. Ele denunciou a Trindade como doutrina “que não dá para entender, impossível na ordem natural das coisas e que pode até mesmo ser considerada blasfema!”.
              Servet era um homem de muita cultura, estudioso de vários assuntos, principalmente sobre religião. Como livre pensador, defendia que o dogma da Trindade não fazia qualquer sentido, sendo apenas um sofisma inventado no Primeiro Concílio de Niceia. Será perseguido pela Igreja Católica na França, através da Inquisição, por causa das suas teses. Escapa e dirige-se a Genebra, mas os protestantes mostraram-se não menos intolerantes para com as suas ideias.
          A história da ligação entre Servet e Calvino começa já em 1534, ano em que ambos estiveram em Paris. Esteve nessa altura planejado um encontro que não chegou a realizar-se. No entanto, trocariam correspondência por vários anos.
         O debate foi tornando-se numa azeda discussão. Um dos pontos principais da discussão epistolar continuava a ser a Santíssima Trindade. Perante a sua proposta para que Calvino lesse o manuscrito do seu Livro "Restitutio" (tendo-o enviado pelo correio), Calvino diz-lhe que deveria ler o seu "Institutio". Servet fê-lo e escreveu comentários críticos nas margens do texto que foram depois enviados a Calvino.
        Calvino recebeu o manuscrito, mas não lhe respondeu. Nem sequer devolveu o manuscrito do Restitutio, que Servet lhe pedia que remetesse. Calvino manteve o seu silêncio, cultivando preocupação em relação à Servet e às suas heresias.
          No princípio de Abril de 1553 a Inquisição francesa recebeu misteriosamente a posse de documentos que comprometiam Servet. Entre eles, as cartas de Servet a Calvino. Ainda em 5 de Abril, Servet é ouvido pelos inquisidores. A 7 de Abril, porém, consegue escapar-se da prisão. Dirigiu-se a Genebra, talvez por pensar que entre os protestantes estaria a salvo da Inquisição. Enganou-se. Foi preso pelas autoridades da cidade de Genebra a 13 de Agosto.
          Servet desejava fugir para a Itália, porém, inexplicavelmente, parou em Genebra, onde Calvino e seus reformadores o denunciaram. Em 13 de agosto, ele ouviu um sermão de Calvino em Genebra e foi imediatamente reconhecido e preso. Calvino insistiu na condenação de Servet usando todos os meios ao seu comando.
         Calvino, também acusado pelos católicos de arianismo, poderá ter visto aqui a oportunidade de mostrar que defendia o conceito trinitário, ao mesmo tempo em que mostraria que também estava empenhado em perseguir os heréticos. “Um herético do lado de lá da fronteira também é um herético dentro da cidade”, disse Calvino.
          Em seu julgamento pelo Conselho de Genebra presidido por Calvino, segundo a maioria dos historiadores, Servet foi condenado pela difusão e pregação do Antitrinitarismo e por ser contra o batismo infantil. O procurador (procurador-chefe público), acrescentou algumas acusações como "se ele não sabia que sua doutrina era perniciosa, considerando que ela favorece os judeus e os turcos, por inventar desculpas para eles, e se ele não estudou o Alcorão, a fim de desmentir e rebater as doutrina e a religião das igrejas cristãs(...)".
         Calvino acreditava que Servet mereceu ser morto por causa do que ele denominou como "blasfêmias execráveis." Calvino consultou outros reformadores sobre a questão de Servet, como os seguidores de Martinho Lutero, e em locais como Zurique, Berna, Basel e Schaffhausen, que concordaram universalmente com sua execução.
         Em 24 de outubro Servet foi condenado à morte na fogueira por negar a Trindade e o batismo infantil. Calvino sugeriu que Servet fosse executado por decapitação, em vez de fogo, mais seu pedido não foi atendido. Em 27 de outubro de 1553 a pena foi aplicada nos arredores de Genebra com o que se acreditava ser a última cópia de seu livro acorrentado a perna de Servet. Após o ocorrido Calvino escreveu:
“Quem sustenta que é errado punir hereges e blasfemadores, pois nos tornamos cúmplices de seus crimes (…). Não se trata aqui da autoridade do homem, é Deus que fala (…). Portanto se Ele exigir de nós algo de tão extrema gravidade, para que mostremos que lhe pagamos a honra devida, estabelecendo o seu serviço acima de toda consideração humana, que não poupamos parentes, nem de qualquer sangue, e esquecemos toda a humanidade, quando o assunto é o combate pela Sua glória” (3).
              Calvino justificou suas ações intolerantes com estas palavras: “Se os papistas são tão duros e violentos na defesa de suas superstições que cruelmente derramam sangue inocente, não devem os magistrados cristãos se envergonhar de serem menos ardentes na defesa da segura verdade?” O poder político, a glória terrena, fanatismo religioso e o ódio pessoal de Calvino cegaram seu julgamento e sufocaram os ensinamentos evangélicos.  Seus atos cruéis foram colocados acima do perdão e do amor de Deus.
Uma Mancha no Legado de Calvino
         No século XX, a Igreja Reformada Holandesa, calvinista, usou o ensino da predestinação como base para a discriminação racial na África do Sul. Sobre a política adotada pelo governo a respeito da supremacia branca, Nelson Mandela, que se tornou o primeiro presidente negro da África do Sul, disse: “Essa política teve o apoio da Igreja Reformada Holandesa, que forneceu ao apartheid uma base religiosa por dar a entender que os africânderes eram o povo escolhido de Deus e que os negros eram uma espécie subserviente. No ponto de vista dos africânderes, o apartheid e a igreja andavam de mãos dadas”.
         Nos anos 90, a Igreja Reformada Holandesa se desculpou publicamente por seu apoio ao apartheid. De modo formal, na chamada Declaração de Rustenbrug, os líderes da igreja reconheceram: “Alguns de nós usamos ativamente a Bíblia de forma errada para justificar o apartheid, levando muitos a crer que esse regime tinha a aprovação de Deus”. Ao longo dos anos, a posição da igreja com relação ao apartheid não só levou ao sofrimento resultante do preconceito racial, mas também sugeriu que Deus era o culpado.
         João Calvino morreu em Genebra em 1564. Relata-se que, no fim de sua vida, ele agradeceu aos seus colegas religiosos “por terem dado tanta honra a uma pessoa que com certeza não merecia”, e implorou perdão por suas persistentes franquezas de impaciência, intolerância e ira.

Pe. Inácio José do Vale
Professor de História da Igreja
Instituto Teológico Bento XVI
Sociólogo em Ciência da Religião
Pesquisador de Seitas e Heresias
E-mail: pe.inacio.jose@gmail.com
www.rainhamaria.com.br

Notas:
(1) Veja, 26/12/2001, p. 106.
(2) A. Galli e D. Grandi. História da Igreja. II edição. São Paulo. Edições Paulinas, 1964, p. 219.
(3) John Marshall, John Locke, Toleration and Early Enlightenment Culture (Cambridge Studies in Early Modern British History), Cambridge University Press, 2006, p. 325.
Bibliografia

CHADWICK, Owen. A Reforma. (Coleção História da Igreja - Vol. 3), Lisboa, Edições Pelicano, 1966.
JOHNSON, Paul. História do Cristianismo, São Paulo: Imago, 2001.
CAIRNS Earle E. O Cristianismo através dos séculos: Uma História da Igreja Cristã, Edições Vida Nova, São Paulo: 1995.
GONZALES Justo L., Uma História Ilustrada do Cristianismo, coleção em 10 volumes, Edições Vida Nova, São Paulo: 1995


SÉRIE HISTÓRIA DA TEOLOGIA: 16 de julho na história da Teologia

16 de julho é o 197.º dia do ano no calendário gregoriano (198.º em anos bissextos). Faltam 168 para acabar o ano.

Eventos históricos

622 - Começo do Calendário islâmico, com a fuga do profeta Maomé para Medina, na Arábia Saudita.
1228 - São Francisco de Assis foi canonizado pelo Papa Gregório IX na Basílica de São Francisco de Assis em Assis.
1930 - O Papa Pio XI proclama Nossa Senhora de Aparecida como Padroeira do Brasil.

Nascimentos

1194 - Clara de Assis, santa católica (m. 1253).

Falecimentos

1216 - Papa Inocêncio III.
1590 - Frei Bartolomeu dos Mártires, Arcebispo de Braga (n. 1514).

Feriados e eventos cíclicos

A Igreja Católica celebra Nossa Senhora do Carmo (ou Nossa Senhora do Monte Carmelo)

Brasil
Feriado municipal em Aimorés, Minas Gerais - Dia de Nossa Senhora do Carmo
Feriado municipal em Arcos, Minas Gerais - Dia de Nossa Senhora do Carmo e aniversário da cidade
Feriado municipal em Betim, Minas Gerais - Dia da padroeira, Nossa Senhora do Carmo.
Feriado municipal em Borda da Mata, Minas Gerais - Dia da padroeira, Nossa Senhora do Carmo.
Feriado municipal em Cambuí, Minas Gerais - Dia de Nossa Senhora do Carmo
Feriado municipal em Campestre, Minas Gerais - Padroeira da cidade, Nossa Senhora do Carmo.
Feriado municipal em Campos Gerais, Minas Gerais - Dia de Nossa Senhora do Carmo
Feriado municipal em Carmo da Mata, Minas Gerais - Dia da padroeira, Nossa Senhora do Carmo.
Feriado municipal em Carmo de Minas, Minas Gerais - Dia da padroeira, Nossa Senhora do Carmo.
Feriado municipal em Carmo do Cajuru, Minas Gerais - Dia da padroeira, Nossa Senhora do Carmo.
Feriado municipal em Carmo do Paranaíba, Minas Gerais - Dia da padroeira, Nossa Senhora do Carmo.
Feriado municipal em Carmo do Rio Claro, Minas Gerais - Dia da padroeira, Nossa Senhora do Carmo.
Feriado municipal em Carmópolis de Minas, Minas Gerais - Dia da padroeira, Nossa Senhora do Carmo.
Feriado municipal em Frutal, Minas Gerais - Dia de Nossa Senhora do Carmo
Feriado municipal em Jaboticabal, São Paulo - Dia da padroeira, Nossa Senhora do Carmo.
Feriado municipal em Luminárias, Minas Gerais -Dia da padroeira,Nossa Senhora do Carmo
Feriado municipal em Mariana, Minas Gerais - Dia de Nossa Senhora do Carmo; Dia de Mariana.
Feriado municipal em Monte Carmelo, Minas Gerais – Dia da padroeira, Nossa Senhora do Carmo.
Feriado municipal em Morrinhos, Goiás - Dia da padroeira, Nossa Senhora do Carmo.
Feriado municipal em Paraopeba, Minas Gerais - Dia de Nossa Senhora do Carmo
Feriado municipal em Parintins, Amazonas - Dia da padroeira, Nossa Senhora do Carmo.
Feriado municipal em Prata, Minas Gerais - Dia de Nossa Senhora do Carmo

Feriado municipal em Recife, Pernambuco - Dia da padroeira, Nossa Senhora do Carmo.

SÉRIE HISTÓRIA DA TEOLOGIA: 15 de julho na história da Teologia

15 de julho é o 196.º dia do ano no calendário gregoriano (197.º em anos bissextos). Faltam 169 para acabar o ano.

Eventos históricos

1099 — O cerco de Jerusalém, que durava desde 7 de junho, termina com a conquista da cidade pelos exércitos da Primeira Cruzada.
1799 — É encontrada a Pedra de Roseta na localidade egípcia de Roseta, por Pierre-François Bouchard, um oficial francês.

Nascimentos

1273 — Ewostatewos, monge e líder religioso etíope (m. 1352).
1892 — Walter Benjamin, filósofo alemão (m. 1940).
1893 — William Dieterle, cineasta alemão que fez carreira nos Estados Unidos (m. 1972).
1930 — Jacques Derrida, filósofo francês de origem argelina (m. 2004).

Feriados e eventos cíclicos

Festival de Castor e Pólux (no Império Romano).
Festino di Santa Rusulia (Festa de Santa Rosália), em Palermo, Itália.

Brasil
Santos do dia
São Boaventura de Bagnoregio
Santa Julita e São Ciro (Igreja Ortodoxa)

São Vladimir de Kiev

A revelação básica nas Escrituras Sagradas, de Witness Lee - Capítulo 4

Capítulo Quatro

OS CRENTES

Leitura da Bíblia: Jo 3:6; Mt 28:19; Gl 3:27; Rm 6:3; 1 Co 12:13; Rm 8:9, 11, 4; Gl 5:16, 15; 1 Co 3:6, 7; Ef 4:16; 2:21, 22; 1 Pe 2:5; 2 Co 3:18; Rm 12:2; 1 Ts 5:23; Fp 3:21; Rm 8:29,30; 10:8,9,12

O tema deste capítulo, os crentes, é aparentemente simples, mas na realidade é misterioso. Um estudante de medicina logo aprende que o corpo humano não é simples. O ser psicológico de uma pessoa é ainda mais misterioso. Como seres vivos, temos dois corações , um físico e um psicológico. Podemos localizar o nosso coração físico, mas onde está o coração psicológico? Onde estão nossa mente, emoção, von­tade e consciência? Onde está o nosso espírito? Onde está a nossa alma? Nós, crentes em Cristo, somos seres espirituais, e como tais somos um mistério.

DESCENDENTES DO ADÃO CAÍDO
Nós, os crentes, somos descendentes do Adão caído. Somos todos caídos. Estávamos mortos em pecado sob a condenação de Deus (Ef 2:1, 5; Rm 3:19; 5:12; Jo 3:18). En­quanto estávamos mortos em pecado, Deus proporcio­nou-nos uma mudança. Ouvimos o evangelho e cremos no Senhor Jesus Cristo para receber a vida eterna (Jo 3:16 ).


SALVOS
Atos 16 : 31 nos diz que, quando cremos no Senhor Jesus Cristo, somos salvos. Uma salvação completa inicial tem seis aspectos: perdão de pecados, o lavar das nossas máculas, separação para Deus posicionalmente, justificação, reconciliação e regeneração.

Perdoados
Depois de crermos, a primeira coisa que recebemos, o primeiro legado de acordo com o testamento divino, é o perdão de nossos pecados (At 10:43).

Lavados
Fomos não somente perdoados, mas também lavados. Ser perdoado põe em ordem o nosso caso perante Deus. Ser lavado leva embora a mancha, a mácula, de nossos pecados. Por exemplo, se uma criança sujasse a camisa e depois se ar­rependesse, a mãe o perdoaria; mas a camisa ainda precisaria ser lavada. Perdoar a criança do seu mau procedimento é uma coisa. Lavar a mancha da camisa é outra coisa. Deus, ao crermos no Senhor Jesus, não somente perdoou-nos mas também lavou-nos. Aleluia! Fomos perdoados e lavados pelo sangue de Cristo!

Santificados Posicionalmente
Como parte de nossa salvação inicial, fomos posicional­mente santificados, isto é, separados por Deus do mundo para Ele mesmo. Em 1 Coríntios 6:11 indica que somos primeiro santificados e então justificados. Santificação posicionai precede a justificação; santificação disposicional segue a justificação.

Justificados
A morte de Cristo cumpriu e satisfez completamente as exigências justas de Deus, para que possamos ser justificados por Deus por meio de Sua morte (Rm 3:24). Somos "jus­tificados de todas as coisas" das quais não poderíamos "ser justificados por meio da lei de Moisés" (At 13:39).

Reconciliados com Deus
Nós precisávamos ser reconcilados com Deus porque quando éramos pecadores, éramos inimigos de Deus (Rm 5:10). Fomos reconciliados com Deus por meio da morte do Seu Filho.

Regenerados
Ao crermos no Senhor Jesus e invocarmos o Seu nome, fomos regenerados, isto é, o próprio Espírito de Cristo entrou em nosso espírito e nos deu vida (Jo 3:6; Ef 2:5). A regeneração nos fez filhos de Deus (Jo 1:12, 13; Rm 8:16), membros da família de Deus (Ef 2:19). Ela também nos fez membros de Cristo, membros do Corpo de Cristo (Ef 5:30; 1 Co 12:27). Nós que fomos regenerados, somos membros do Corpo de Cristo e também filhos de Deus.
A regeneração ocorreu em nosso espírito, não em nosso corpo ou em nossa mente. Isso quer dizer que o Deus Triúno está agora em nosso espírito (Ef 4:6; 2 Co 13:5; Rm 8:9). Que tesouro temos dentro de nós (2 Co 4:7)! O Deus Triúno veio para dentro de nosso espírito para ficar (Jo 4:24; 2 Tm 4:22; Rm 8:16). É aqui em nosso espírito que estão as riquezas insondáveis de Cristo.
Para desfrutar essas riquezas devemos invocar o nome do Senhor Jesus (Rm 10:12). Se queremos ser nutridos, podemos invocar "Ó, Senhor Jesus!" Quando estamos em casa e também no trabalho, podemos invocar o nome do Se­nhor. Quando O invocamos, tocamos o Espírito (1 Co 12:3). Muitos de nós oramos freqüentemente, mas não recebemos nutrição de nossa oração. Isso não deveria ser assim. Não es­tamos orando para um ídolo; estamos orando para o Deus vivo. Ele é o próprio Deus que está agora em nosso espírito. Quando falamos com Ele, Ele responde em nosso espírito. Quando exercitamos o espírito, percebemo-Lo em nosso espírito. Se meramente exercitamos a mente e oramos só com a boca, o Deus Triúno dentro de nós não tem caminho. Ele não está  em nossa mente,  mas em nosso espírito.
Devemos exercitar o nosso espírito (1 Tm 4:7). Dessa maneira podemos experimentar este Deus verdadeiro, real e vivo que está agora em nosso espírito. Em nosso espírito regenerado habita o Deus Triúno como o Espírito que dá vida.


BATIZADOS

Para Dentro do Nome do Pai do Filho e do Espírito Santo
Depois de Sua ressurreição e antes de Sua ascensão, o Senhor Jesus incumbiu os discípulos de irem e fazer discípulos de todas as nações, "batizando-os para dentro do (lit.) nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo" (Mt 28:19); isto é, eles deviam batizar as pessoas para dentro da própria Pessoa do Deus Triúno.
Em Atos e nas Epístolas, entretanto, não há nenhum versículo indicando que os apóstolos batizaram as pessoas para dentro do nome do Pai, do Filho e do Espírito. Antes, aqueles que se arrependiam e criam no Senhor eram batizados para dentro do nome do Senhor Jesus (At 8:16; 19:5). Ser batizado para dentro do nome do Senhor Jesus eqüivale a ser batizado para dentro do nome do Pai, do Filho, e do Espírito. E ser batizado para dentro do nome do Senhor é ser batizado para dentro de Sua Pessoa, o próprio Cristo (Gl 3:27; Rm 6:3). Ser batizado para dentro de Cristo eqüivale a ser batizado para dentro do Deus Triúno porque o próprio Cristo para dentro de quem fomos batizados é a corporificação do Deus Triúno. O Deus Triúno é cor-porificado em Cristo, o Senhor, o Filho de Deus.
Além disso, quando fomos batizados para dentro Dele, fomos batizados para dentro de Sua morte (Rm 6:3). O batis­mo nos une com Ele em Sua morte e em Sua ressurreição. O batismo de água não deve ser o cumprimento de um ritual. Deve significar que estamos colocando aqueles que estão sendo batizados para dentro do Deus Triúno, para dentro de Cristo, e para dentro de Sua morte e ressurreição.

No Espírito Para Dentro do Corpo de Cristo
Fomos também batizados para dentro do Corpo, a igreja. "Pois também em um Espírito fomos batizados para dentro de um corpo" (1 Co 12:13).
Fomos batizados, então, para dentro do Deus Triúno, para dentro de Cristo, para dentro da morte e ressurreição de Cristo, e também para dentro do Corpo, a igreja. Na realidade, todos estes "para dentro" são um. Quando somos batizados para dentro de Cristo, somos batizados para dentro de Sua morte e ressureição, e somos também batizados para dentro do Deus Triúno e para dentro do Corpo de Cristo. Isso quer dizer que estamos agora em Cristo, em Sua morte e ressurreição, no Deus Triúno, e no Corpo de Cristo. Quando batizamos as pessoas, devemos mostrar-lhes que eles agora estão em Cristo, em Sua morte e ressurreição, no Deus Triúno, e no Corpo.
Necessitamos da realidade do fato espiritual de que, quando batizamos as pessoas, nós as colocamos para dentro de Cristo. Podemos colocá-las para dentro de Cristo porque Cristo hoje é o próprio Espírito. Quando batizamos as pes­soas, colocamo-nas para dentro do Espírito, que é a realidade de Cristo. É assim que deve ser o batismo. O batismo nos dá a posição de dizer que somos pessoas em Cristo, em Sua morte, em Sua ressurreição, em união orgânica com o Deus Triúno, e também no Corpo vivo do Cristo vivo. Ter essa percepção do batismo faz uma grande diferença em nossa vida.

SER HABITAÇÃO DO ESPÍRITO E BEBER DO ESPÍRITO
Depois de crermos e sermos batizados, somos habitação do Espírito (Rm 8:9, 11; 1 Co 6:19). Enquanto Ele habita em nós, estamos bebendo. A fonte para se beber está exata­mente em nosso espírito (Jo 4:14, 24). Devemos voltar-nos ao espírito e beber pelo invocar o nome do Senhor (1 Co 12:3, 13b).
Temos o Espírito como o agregado do Deus Triúno habitando em nós. Em 1936 quando vi que Deus estava vivendo em mim, fiquei fora de mim. Queria sair, subir no te­lhado ou correr para a rua, e gritar para as pessoas: " Não me toquem; tenho Deus em mim!"
O Deus Triúno está em nós. Ele habita em nós e es­tamos bebendo Dele. Ele é a fonte para bebermos; esta fonte não está nos céus mas em nosso espírito.


VIVENDO E ANDANDO NO ESPÍRITO MESCLADO
Agora devemos viver e andar no Espírito mesclado. Romanos 8:4 e Gaiatas 5:16, 25 referem-se a este espírito mesclado. J. N. Darby mostra a dificuldade de colocar um E maiúsculo ou minúsculo em espírito em, Romanos 8. Embora ele não use a palavra mesclado, ele certamente transmite o pensamento de que estes dois espíritos são considerados como um.
Em Gaiatas 5:16 a palavra grega para andar é ter nosso ser movendo-se e agindo. Aqui está a incumbência completa do Novo Testamento: viver, ter o nosso ser, andar, mover-nos e agirmos de acordo com o espírito mesclado. Tudo o que fazemos deve ser de acordo com o nosso espírito habitado pelo Espírito composto e mesclado com Ele, não de acordo com ensinamentos éticos ou regulamentos morais. Andar de acordo com o Espírito é muito mais elevado do que andar de acordo com os ensinamentos éticos ou regulamentos morais.
O mover do Epírito é chamado de unção. Em 1 João 2:20, 27 vemos que todos temos recebido uma unção do Santo. Esta unção dentro de nós é verdadeira; ela nos ensina a habitar no Senhor. A unção sobre a qual João fala em 1 João 2 refere-se ao óleo em Êxodo 30. O tabernáculo e todos os seus utensílios eram ungidos com óleo composto (Êx 30:26-29).
O óleo composto hoje, o Espírito, está dentro de nosso espírito ungindo-nos, movendo-se, dentro de nós, todo o dia.
Mesmo quando estamos discutindo ou quando estamos a ponto de discutir, a unção interior move-se em nós para não continuarmos, mas para irmos ao nosso quarto e orar. Um dia uma irmã foi fazer compras, mas sempre que pegava um item pensando em comprá-lo, a unção dizia dentro dela para colocar de volta. Tudo o que pegava, tinha de pôr de volta. Finalmente ela decidiu que era melhor voltar para casa. Assim que obedeceu a unção interior e retornou ao seu carro para voltar para casa, ela sentiu-se animada e alegre. Se não prestamos atenção à unção interior, ofendemos o Espírito. Devemos viver e andar de acordo com esse Espírito que está mesclado com o nosso espírito.


CRESCER NA VIDA DIVINA E SER EDIFICADOS
Poucos cristãos prestam atenção ao crescimento em vida (1 Co 3:6, 7) e à edificação (1 Co 3:10-12) como o Corpo de Cristo e como a igreja, a casa de Deus. Espiritualidade provém do crescimento em vida; o objetivo do crescimento em vida é a edificação do Corpo de Cristo e da casa de Deus. Praticamente falando, isso significa a edificação da igreja local. Sem uma vida da igreja apropriada em nossa localidade, como podemos ser edificados com outros? Precisamos estar onde há uma igreja. Assim, naquela igreja podemos ser edificados com os outros para ser a casa espiritual de Deus (Ef 2:21, 22; 1 Pe 2:5). Enquanto estamos sendo edificados como a igreja numa cidade, estamos também sendo edificados como o Corpo de Cristo (Ef 4:16).


SER TRANSFORMADO NA ALMA
O nosso espírito foi regenerado, mas e quanto à nossa alma? Precisamos ser transformados (2 Co 3:18) pela renovação de nossa mente (Rm 12:2; Ef 4:23). A mente é a parte liderante de nossa alma (SI 13:2; 139:14; Lm 3:20). Para a transformação da alma, a mente deve ser renovada.

SER SANTIFICADO EXPERIMENTALMENTE
A transformação de nossa alma é a santificação de nossa disposição. O Senhor santifica-nos em nosso espírito, alma e corpo (1 Ts 5:23). Todo nosso ser é para ser santifícado, transformado.


SER TRANSFIGURADO EM NOSSO CORPO
Quando o Senhor retornar, nosso corpo será trans­figurado (Fp 3:21), completamente redimido (Rm 8:23). Quando cremos, nosso espírito foi regenerado. Durante a nossa vida cristã nesta terra, nossa alma está sendo gradual­mente transformada e santificada. Então, na Sua vinda nosso corpo será transfigurado. Todo o nosso ser será, então, com­pletamente conformado a Cristo.


CONFORMADOS A CRISTO
Como os muitos irmãos de Cristo, seremos conformados à Sua imagem e estaremos com Ele em glória (Rm 8:29, 30). Não seremos mais naturais em nenhuma parte de nosso ser. Ainda somos um tanto naturais na alma e corrompidos no corpo; é por isso que, depois da regeneração de nosso espí­rito, precisamos da transformação da alma e da transfigu­ração do corpo. Então seremos completamente conformados ao Filho primogênito de Deus como Seus muitos irmãos.


GLORIFICADOS
Finalmente seremos glorificados na vida divina e na natureza divina (Rm 8:30) para possuir a glória de Deus, para Sua expressão na Nova Jerusalém.


O CAMINHO PARA DESFRUTAR CRISTO
O livro de Romanos é um esboço da vida cristã ade­quada. No capítulo seis estão todos os fatos cumpridos por
Cristo. Ele morreu, e nós morremos com Ele. Ele foi ressus­citado, e nós também. Em Cristo estas coisas são fatos. Nele estamos unidos à Sua morte e ressurreição (6:4, 5).
Em Romanos 6, entretanto, não temos a experiência da morte e ressurreição de Cristo. Precisamos prosseguir para Romanos 8 para experimentar Cristo em Seus feitos por meio do Espírito. Em Romanos 8 estão as experiências dos fatos revelados no capítulo seis.
Então, no capítulo dez a Palavra entra em nossa boca e em nosso coração. Primeiro cremos na Palavra que nos alcança; segundo, invocamos Seu nome (10:8, 9). O Senhor é rico para com todos os que O invocam (10:12). A palavra in­vocar em grego significa clamar, chamar com a voz. Em Atos, os cristãos eram considerados invocadores do nome de Jesus; sabemos disso porque Saulo de Tarso tinha autoridade para prender todos aqueles que invocavam este nome (At 9:14). Invocar o nome do Senhor Jesus designava os primeiros cristãos. Eles não eram silenciosos; eles clamavam o querido nome do Senhor Jesus.
Se queremos desfrutar Cristo e todas as Suas realizações, precisamos invocá-Lo. O caminho para desfrutar Cristo em todos os Seus feitos é andar de acordo com o espírito mesclado e invocar o Seu querido nome. Então par­ticipamos Dele, O desfrutamos e O experimentamos ao máximo.